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# 37,2% das indústrias que buscaram crédito de longo prazo não conseguiram financiamento, aponta CNI
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/37-2-das-industrias-que-buscaram-credito-de-longo-prazo-nao-conseguiram-financiamento-aponta-cni/
- Published: 2026-10-19T13:27:01.000Z
- Updated: 2026-10-19T13:27:01.000Z
- Description: Pesquisa com 1.701 empresas revela que as pequenas indústrias enfrentam as maiores dificuldades; entre elas, a taxa de insucesso chega a 48,2%
- Author: Redação
- Tags: Indústria, #Facebook-ok, #Instagram-ok, #story-ok, #video-nao

Mais de um terço das empresas industriais brasileiras que tentaram contratar ou renovar crédito de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, não conseguiu obter financiamento entre fevereiro e julho de 2026\. A taxa de insucesso chegou a 37,2%, enquanto nas operações de curto e médio prazo, de até cinco anos, o percentual foi de 24,7%.

Os dados fazem parte da Sondagem Especial nº 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na sexta-feira (16). O levantamento ouviu 1.701 empresas e mostra que as dificuldades de financiamento são mais acentuadas entre os pequenos negócios industriais, tanto na obtenção dos recursos quanto na aprovação dos valores solicitados.

## Pequenas indústrias enfrentam as maiores dificuldades

O acesso ao financiamento de longo prazo foi especialmente difícil para as pequenas indústrias. Entre aquelas que buscaram contratar ou renovar essa modalidade de crédito, 48,2% não conseguiram os recursos. O percentual ficou praticamente empatado com o registrado pelas médias empresas (48,1%) e foi significativamente superior ao das grandes (29,9%).

Nas operações de curto e médio prazo, as pequenas empresas também apresentaram a maior taxa de insucesso, de 32%. Entre as médias, o índice foi de 28,4%, enquanto nas grandes indústrias chegou a 20,3%.

A diferença entre os portes empresariais indica que, embora o acesso ao crédito represente um desafio para todo o setor, as empresas menores encontram obstáculos mais elevados para conseguir financiamento.

Para a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, essas dificuldades estão relacionadas às exigências das instituições financeiras e à menor capacidade de negociação dos pequenos negócios.

> “As pequenas empresas têm mais dificuldade para apresentar garantias exigidas pelas instituições financeiras para conceder o crédito, comprovar capacidade de pagamento, além de terem menor poder de barganha para negociar as condições de financiamento”, avalia Maria Virgínia Colusso.

## Metade das indústrias não buscou financiamento

A pesquisa também revela que uma parcela expressiva das empresas industriais sequer tentou contratar ou renovar linhas de crédito durante o período analisado.

No financiamento de curto e médio prazo, 49,9% das indústrias não buscaram recursos. Outras 22,9% conseguiram contratar ou renovar crédito, enquanto 7,5% tentaram, mas não obtiveram financiamento.

No crédito de longo prazo, a proporção de empresas que não procuraram financiamento foi ainda maior, alcançando 54%. Apenas 15,5% conseguiram contratar uma nova operação ou renovar uma linha existente, enquanto 9,2% tentaram, mas não tiveram sucesso.

Esses percentuais consideram o conjunto das empresas pesquisadas. Já as taxas de insucesso de 24,7% e 37,2% levam em conta exclusivamente as indústrias que efetivamente buscaram contratar ou renovar crédito nos seis meses anteriores ao levantamento.

## Bancos comerciais concentram a maior parte do financiamento industrial

Apesar das dificuldades de acesso, os bancos comerciais tradicionais continuam sendo a principal fonte de financiamento das empresas industriais brasileiras.

Entre as indústrias que buscaram crédito de curto e médio prazo, 65,3% apontaram essas instituições como uma de suas fontes de recursos. A participação aumentou em relação ao levantamento de 2025, quando o percentual era de 61%.

Nos financiamentos de longo prazo, os bancos comerciais também permaneceram na liderança, mencionados por 49,5% das empresas que buscaram crédito nessa modalidade. Nesse caso, houve uma pequena redução em comparação com os 51% registrados no ano anterior.

As alternativas de financiamento apresentaram diferenças conforme o prazo das operações. No crédito de curto e médio prazo, o capital próprio apareceu como a segunda fonte mais utilizada, citado por 23,6% das empresas, seguido pelos bancos de desenvolvimento, com 18,5%.

No longo prazo, a ordem se inverteu. Os bancos de desenvolvimento foram mencionados por 29,5% das indústrias, enquanto o capital próprio apareceu em terceiro lugar, com 23,1%.

Segundo Maria Virgínia Colusso, a predominância dos bancos comerciais não representa necessariamente um problema. A principal questão está nas condições oferecidas às empresas, que precisam encontrar recursos compatíveis com suas necessidades de prazo, custo e volume.

> “O ideal é que as empresas tenham acesso a diferentes fontes de crédito para financiar suas atividades. Isso permitiria a elas encontrarem, com maior facilidade, fontes de financiamento que atendam às suas necessidades em relação a prazo, custo e montante, permitindo não só o pagamento de despesas correntes, mas a expansão de capacidade produtiva”.

## Uma em cada quatro indústrias recebeu menos crédito do que precisava

Além das dificuldades para contratar financiamentos, parte das empresas que conseguiu acessar recursos recebeu valores inferiores aos solicitados.

Entre as indústrias que contrataram ou renovaram crédito de curto e médio prazo, 62,1% informaram que o montante aprovado foi equivalente ao necessário. No financiamento de longo prazo, essa proporção ficou em 61%.

Por outro lado, 24,9% das empresas que obtiveram crédito de curto e médio prazo receberam valores menores ou muito menores do que precisavam. Nas operações de longo prazo, o percentual chegou a 26,4%.

As aprovações de valores superiores às necessidades foram menos frequentes. Essa situação ocorreu com 11,1% das empresas que conseguiram financiamento de curto e médio prazo e 10,8% das que contrataram crédito de longo prazo.

A insuficiência dos recursos também foi mais acentuada entre as pequenas indústrias. Nesse grupo, 33,3% receberam valores inferiores às necessidades nas operações de até cinco anos. Nos financiamentos superiores a cinco anos, a proporção chegou a 34,4%.

Entre as empresas de médio e grande porte, os percentuais de insuficiência dos valores aprovados variaram de 21% a 27,7%, conforme o prazo do financiamento.

Os resultados mostram que a obtenção do crédito não garante, necessariamente, que as indústrias consigam financiar integralmente suas necessidades, seja para despesas correntes, seja para investimentos e ampliação da produção.

## Uma em cada quatro empresas enfrentou piora na renovação do crédito

As condições oferecidas pelas instituições financeiras também foram avaliadas no levantamento da CNI, que identificou percepções diferentes entre as empresas que renovaram suas operações.

No crédito de curto e médio prazo, 53,9% das indústrias afirmaram que as condições gerais de renovação permaneceram semelhantes às anteriores. Entretanto, 24,8% relataram condições piores ou muito piores, enquanto 19,7% perceberam melhora.

Nas operações de longo prazo, 53,2% das empresas avaliaram que as condições permaneceram parecidas. Outras 17,8% consideraram que houve piora ou piora acentuada, enquanto 26,9% apontaram condições melhores ou muito melhores.

Os dados indicam que, embora a maioria das empresas que renovaram financiamento não tenha percebido mudanças relevantes, aproximadamente uma em cada quatro enfrentou condições mais desfavoráveis nas operações de curto e médio prazo.

## Pesquisa ouviu 1.701 empresas industriais

A Sondagem Especial nº 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026 foi realizada pela CNI entre os dias 3 e 12 de agosto de 2026, com informações referentes ao período de fevereiro a julho.

Ao todo, participaram 1.701 empresas industriais brasileiras, distribuídas entre 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes empresas.

O levantamento analisou a contratação e a renovação de financiamentos, as fontes de recursos utilizadas, a suficiência dos valores aprovados e as condições de acesso ao crédito. Também comparou os resultados com a edição anterior da pesquisa, permitindo identificar mudanças no comportamento das empresas e nas dificuldades enfrentadas para financiar suas atividades.

Resumo redes: Pesquisa com 1.701 empresas revela que as pequenas indústrias enfrentam as maiores dificuldades; entre elas, a taxa de insucesso chega a 48,2%.