Amazonas já empenhou mais de R$ 26 bilhões em 2026; Novo relatório abre as contas do Estado
Relatório fiscal com dados até agosto mostra avanço da execução orçamentária em um ano no qual o Amazonas tem autorização para encerrar as contas com resultado primário negativo de até R$ 1,59 bilhão
O Governo do Amazonas chegou ao fim de agosto com mais de R$ 26 bilhões em despesas já empenhadas, segundo o novo Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), documento que abre as contas do Estado e permite acompanhar a evolução das receitas, despesas e dos principais indicadores fiscais.
Os números correspondem aos oito primeiros meses de 2026 e foram publicados na edição de 25 de setembro do Diário Oficial do Estado. O valor empenhado representa despesas para as quais o Estado já reservou orçamento, mas não significa que todo esse dinheiro tenha sido efetivamente pago.
Mais do que o tamanho do orçamento executado, o novo relatório ganha importância por mostrar como as contas públicas amazonenses estão se comportando em um ano com uma característica diferente de 2025: a meta fiscal permite resultado primário negativo.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 fixou para o Estado uma meta de resultado primário de R$ -1,588 bilhão, sem considerar o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Resultado primário é, de forma simplificada, a diferença entre as receitas e despesas não financeiras do governo, antes do efeito dos juros da dívida.
É uma mudança relevante em relação ao exercício anterior.
Entre janeiro e agosto de 2025, o Amazonas havia acumulado superávit primário de R$ 1,202 bilhão, sem o RPPS. A meta prevista para todo aquele ano era positiva em R$ 745,5 milhões. Ou seja: naquele ponto do ano, o resultado observado já superava em cerca de R$ 456 milhões a meta anual estabelecida.
2026 começou no azul
Apesar de a meta para 2026 permitir um déficit primário, os primeiros relatórios fiscais do ano mostraram o Estado ainda operando com saldo positivo.
No primeiro bimestre, entre janeiro e fevereiro, o resultado primário sem o RPPS foi de R$ 1,185 bilhão. A Receita Corrente Líquida (RCL) acumulada em 12 meses estava em aproximadamente R$ 28,44 bilhões.
Dois meses depois, entre janeiro e abril, o superávit primário acumulado havia subido para R$ 1,692 bilhão. No período, as despesas primárias sem o RPPS somavam R$ 11,79 bilhões em valores empenhados e R$ 10,17 bilhões em despesas liquidadas.
A leitura dos números ao longo do ano, portanto, é importante: 2026 começou com resultado primário positivo, apesar de o orçamento ter sido construído admitindo um resultado negativo ao final do exercício.
O que explica uma meta negativa?
Resultado primário negativo não significa, isoladamente, falta de dinheiro em caixa. A metodologia fiscal cria uma particularidade importante quando um Estado aumenta investimentos financiados por dívida.
Recursos obtidos por meio de operações de crédito – empréstimos contratados pelo governo – não entram como receita primária. Já os gastos realizados com esses recursos, principalmente investimentos, aparecem como despesas primárias.
Assim, um Estado pode contratar financiamento para executar obras e investimentos, aumentar sua disponibilidade de recursos e, simultaneamente, apresentar deterioração do resultado primário.
Na própria elaboração das metas fiscais para 2026, o Amazonas projetou resultado primário negativo sem o RPPS de aproximadamente R$ 1,58 bilhão. A LDO foi estabelecida pela Lei Estadual nº 7.641, de 8 de julho de 2025.
É por isso que o resultado primário precisa ser analisado junto com outros indicadores: nível de investimento, operações de crédito, dívida consolidada, caixa disponível e crescimento das receitas correntes.
Mais de R$ 26 bilhões já foram comprometidos
O novo RREO mostra que, até agosto, o volume de despesas empenhadas do Estado já havia ultrapassado R$ 26 bilhões. A diferença entre empenho, liquidação e pagamento é importante.
O empenho reserva o dinheiro no orçamento para determinada obrigação. A liquidação ocorre quando o governo reconhece que o produto ou serviço foi efetivamente entregue. O pagamento representa a saída financeira do caixa. Portanto, os R$ 26 bilhões não representam R$ 26 bilhões que já saíram das contas estaduais. O dado mostra o tamanho do orçamento já comprometido nos oito primeiros meses do exercício.
Para efeito de comparação, ao final de junho, as despesas empenhadas, excluídas as operações intraorçamentárias, estavam em aproximadamente R$ 20 bilhões. Isso significa que julho e agosto representaram uma nova etapa de aceleração da execução do orçamento estadual.
A conta que importa até dezembro
O ponto central agora é acompanhar como três movimentos vão se combinar nos quatro meses finais do exercício: arrecadação, ritmo das despesas e investimentos financiados por operações de crédito.
Em 2025, o Amazonas chegou a agosto com superávit primário de R$ 1,20 bilhão. Em 2026, a própria LDO admite um resultado negativo de R$ 1,59 bilhão ao final do ano, embora os primeiros meses tenham apresentado superávits relevantes.
A diferença potencial entre essas duas trajetórias chega a quase R$ 2,8 bilhões quando se compara o resultado de janeiro a agosto de 2025 com a meta estabelecida para o encerramento de 2026, embora sejam grandezas de períodos diferentes e, portanto, não devam ser tratadas como uma comparação direta de desempenho.
O RREO dos próximos bimestres deverá mostrar quanto dessa mudança decorrerá de aumento de despesas correntes, quanto estará associado a investimentos e quanto será financiado por operações de crédito.
Resumo redes: O quarto bimestre mostra uma execução fiscal diferente da observada em 2025. A meta de 2026 admite déficit primário de R$ 1,59 bilhão, embora o ano tenha começado com superávits. Até junho, os empenhos estavam próximos de R$ 20 bilhões. Isso significa que julho e agosto representaram uma nova etapa de aceleração da execução do orçamento estadual. O resultado final dependerá de receitas, despesas, investimentos e crédito.