> ## Content Index
> Fetch the complete content index at: https://www.jornalopolo.com.br/llms.txt
> Use this file to discover other available public pages before exploring further.

# Amazonas reduz dívida líquida em R$ 2 bilhões no 1º semestre; Entenda cenário fiscal do estado
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/amazonas-reduz-divida-liquida-em-r-2-bilhoes-no-1o-semestre-entenda-cenario-fiscal-do-estado/
- Published: 2026-08-21T15:08:47.000Z
- Updated: 2026-08-21T15:08:47.000Z
- Description: Dívida consolidada líquida caiu 27% entre dezembro e junho e chegou a R$ 5,49 bilhões. Estado acumulou superávit primário de R$ 2,28 bilhões no período, enquanto debate nacional se concentra no custo dos juros e na trajetória da dívida pública federal
- Author: Redação
- Tags: Economia, #instagram-ok, #story-ok, #facebook-ok

Enquanto o Tesouro Nacional enfrenta um cenário de juros elevados e maior dificuldade para atrair investidores para títulos públicos de longo prazo, os números fiscais mais recentes mostram uma situação diferente no Amazonas.

A dívida consolidada líquida do Estado caiu de R$ 7,53 bilhões no fim de 2025 para R$ 5,49 bilhões em junho de 2026, uma redução de aproximadamente R$ 2,04 bilhões, ou 27%, segundo dados da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AM).

No mesmo período, o Amazonas acumulou resultado primário positivo de R$ 2,28 bilhões, considerando as contas sem o Regime Próprio de Previdência Social. A meta fiscal estabelecida para todo o ano admite resultado negativo de R$ 1,59 bilhão.

Os números aparecem em meio ao debate nacional sobre a sustentabilidade das contas públicas.

Em entrevista publicada pelo Brazil Journal, o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmou que não vê risco de calote da dívida pública brasileira e que o Tesouro não enfrenta problemas para refinanciar seus vencimentos, embora a composição e o prazo das emissões possam mudar conforme as condições do mercado.

## Dívida líquida cai com aumento do caixa

A dívida consolidada total do Amazonas também recuou no primeiro semestre, mas em ritmo menor.

O saldo passou de R$ 10,84 bilhões em dezembro de 2025 para R$ 10,26 bilhões em junho, queda de aproximadamente 5,4%.

A redução mais expressiva da dívida líquida ocorreu porque, ao mesmo tempo, aumentaram os recursos financeiros disponíveis para abatimento do endividamento.

A disponibilidade de caixa considerada no cálculo passou de aproximadamente R$ 3,28 bilhões no fim de 2025 para R$ 4,77 bilhões em junho. A disponibilidade bruta chegou a R$ 5,28 bilhões.

Na prática, a dívida líquida considera não apenas quanto o Estado deve, mas também parte dos recursos financeiros disponíveis para fazer frente a essas obrigações.

## Dívida equivale a cerca de 19% da receita corrente

Outro indicador ajuda a dimensionar o tamanho do endividamento.

A Receita Corrente Líquida do Amazonas acumulada em 12 meses alcançou R$ 29,12 bilhões em junho. Para fins do limite de endividamento, a receita ajustada ficou em aproximadamente R$ 29,03 bilhões.

Considerando a dívida líquida de R$ 5,49 bilhões, o endividamento líquido correspondia a cerca de 18,9% da Receita Corrente Líquida ajustada ao final do primeiro semestre.

No primeiro quadrimestre, quando o indicador foi publicado oficialmente no Relatório de Gestão Fiscal, a relação estava em 20,65%.

O limite estabelecido pelo Senado para os estados é de 200% da Receita Corrente Líquida ajustada.

Isso coloca o Amazonas, atualmente, distante do teto legal de endividamento.

## Situação é diferente da dívida federal

A comparação com o Governo Federal exige uma diferença importante.

A União financia uma parcela relevante de suas necessidades por meio da emissão contínua de títulos públicos. Com isso, vencimentos são refinanciados com novas emissões e o Tesouro depende da demanda de investidores por papéis com diferentes prazos e indexadores.

É justamente esse mercado que está no centro da discussão nacional.

Com juros de curto prazo elevados, investidores passaram a demonstrar menor interesse em comprometer recursos em títulos de 10, 20 ou 30 anos. Segundo o secretário Daniel Leal, ouvido pelo Brazil Journal, a combinação de juros elevados e menor demanda por papéis longos altera a composição da dívida e aumenta o custo fiscal.

No Amazonas, a estrutura é diferente.

No primeiro quadrimestre de 2026, o Estado registrava R$ 10,44 bilhões de dívida consolidada, integralmente classificada como dívida contratual. A dívida mobiliária era zero.

Do total, aproximadamente R$ 10,21 bilhões estavam classificados como financiamentos, sendo R$ 5,70 bilhões internos e R$ 4,52 bilhões externos.

Ou seja, o Amazonas não depende de um mercado permanente de emissão e rolagem de títulos estaduais semelhante ao utilizado pela União.

## Juros e amortizações passam de R$ 1,1 bilhão

Isso não significa que o custo da dívida seja irrelevante para as contas estaduais.

Somente entre janeiro e junho, o Amazonas registrou R$ 537,2 milhões em juros e encargos da dívida e outros R$ 615 milhões em amortizações.

Somados, juros e pagamento de principal atingiram aproximadamente R$ 1,15 bilhão no primeiro semestre.

O impacto dos juros é particularmente importante porque parte da dívida estadual está atrelada a condições financeiras que também são afetadas pelo cenário de juros elevados no Brasil e no exterior.

É nesse ponto que o cenário nacional volta a atingir diretamente as contas estaduais: mesmo sem enfrentar o mesmo problema de rolagem da União, um ambiente prolongado de juros altos aumenta o custo financeiro das dívidas existentes e das novas operações de crédito.

## Estado teve superávit primário de R$ 2,28 bilhões

Por enquanto, a execução fiscal de 2026 mostra geração de resultado suficiente para absorver esse custo.

Até junho, as receitas primárias sem o RPPS somaram aproximadamente R$ 17,09 bilhões.

O resultado primário, depois de consideradas despesas pagas e restos a pagar previstos na metodologia fiscal, ficou positivo em R$ 2,28 bilhões.

O dado significa que, antes das despesas financeiras com juros, as receitas do Estado superaram as despesas consideradas no cálculo fiscal durante o primeiro semestre.

O desempenho, porém, não pode ser automaticamente projetado para dezembro. Receitas e despesas públicas apresentam sazonalidade ao longo do ano, e parte relevante dos investimentos e pagamentos pode se concentrar no segundo semestre.

## Gastos com pessoal seguem abaixo do limite

Outro indicador acompanhado pela Lei de Responsabilidade Fiscal também permanece abaixo dos limites legais.

No período de 12 meses encerrado em abril, a despesa total com pessoal do Poder Executivo chegou a R$ 11,19 bilhões, equivalente a 38,71% da Receita Corrente Líquida ajustada.

O limite máximo para o Executivo estadual é de 49%, enquanto o limite de alerta começa em 44,1%.

O indicador mostra que o Estado ainda possui margem em relação às restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal.

## Amazonas terminou 2025 com superávit orçamentário

As contas de 2025 já haviam mostrado resultado positivo.

O Balanço Geral do Estado registrou R$ 36,95 bilhões em receitas e R$ 36,57 bilhões em despesas, resultando em superávit orçamentário de aproximadamente R$ 383 milhões.

O orçamento corrente, que compara receitas e despesas recorrentes, apresentou superávit de aproximadamente R$ 2 bilhões.

Ao final daquele ano, a Receita Corrente Líquida havia alcançado R$ 28,57 bilhões, ante R$ 26,59 bilhões em 2024, crescimento nominal de aproximadamente 7,4%.

## Cenário nacional ainda é ponto de atenção

A situação fiscal do Amazonas, portanto, é hoje menos pressionada pelo endividamento do que o debate nacional poderia sugerir.

A dívida líquida caiu, o caixa aumentou e o Estado iniciou 2026 com resultado primário positivo e indicadores abaixo dos limites previstos pela legislação.

Mas o ambiente macroeconômico continua relevante.

O próprio Tesouro Nacional reconhece que a permanência dos juros em níveis mais altos aumentou a conta financeira do setor público e deve fazer com que a dívida federal se estabilize em patamar superior ao anteriormente esperado.

No cenário apresentado pelo Tesouro, a dívida pública federal deve se estabilizar apenas em 2029, em torno de 87% do PIB.

Para o Amazonas, os próximos meses deverão mostrar se a melhora observada no primeiro semestre continuará mesmo com a execução de investimentos, despesas de fim de ano e novos pagamentos do serviço da dívida.

Até junho, porém, os números mostram um Estado com dívida líquida em queda e margem fiscal relevante em relação aos limites legais, uma fotografia diferente da pressão observada hoje sobre as contas do Governo Federal.