Amazonas tem 152 mil empresas inadimplentes e dívidas de R$ 3,38 bilhões, aponta Serasa Experian

Números são de agosto, quando as empresas amazonenses acumularam 917.854 dívidas negativadas

Calculadora sobre notas de 50 reais e uma caneta, representando o cálculo de dívidas e inadimplência de empresas.
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O Amazonas registrou 152.130 empresas inadimplentes em agosto de 2026, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. O número coloca o estado na segunda posição da Região Norte, atrás apenas do Pará, que contabilizou 186.928 CNPJs negativados. No ranking nacional, o Amazonas aparece na 14ª colocação.

As empresas amazonenses acumulavam 917.854 dívidas negativadas, que somavam R$ 3,38 bilhões. Em média, cada CNPJ inadimplente possuía seis dívidas, com débito médio de R$ 22.233,41 por empresa e valor médio de R$ 3.685,08 por dívida.

O Amazonas também ocupou a segunda posição regional tanto na quantidade quanto no valor total das dívidas, novamente atrás do Pará. O estado paraense registrou 1.053.721 pendências, que totalizaram R$ 3,46 bilhões.

Na comparação dos valores médios por empresa, o Amazonas apresentou o terceiro maior resultado da Região Norte. Rondônia liderou esse indicador, com R$ 25.611,29 por CNPJ, seguida por Tocantins, com R$ 24.980,58, e Amazonas, com R$ 22.233,41.

Já no valor médio de cada dívida, chamado de ticket médio, o Acre ficou na primeira posição, com R$ 3.964,82, seguido por Amapá (R$ 3.920,67) e Amazonas (R$ 3.685,08).

Região Norte soma R$ 11,3 bilhões em dívidas

Ao todo, a Região Norte contabilizou 526.055 empresas inadimplentes em agosto, com 3.288.453 dívidas negativadas, que somavam aproximadamente R$ 11,3 bilhões.

O Pará concentrou o maior número de empresas com pendências financeiras, seguido por Amazonas e Tocantins, que registrou 78.256 CNPJs inadimplentes. Na sequência apareceram Rondônia (67.629), Amapá (15.979), Acre (14.070) e Roraima (11.063).

Em valores totais, além de Pará e Amazonas, Tocantins registrou R$ 1,95 bilhão em dívidas negativadas, seguido por Rondônia (R$ 1,73 bilhão), Acre (R$ 278,3 milhões), Amapá (R$ 258,7 milhões) e Roraima (R$ 174,8 milhões).

O levantamento também aponta diferenças no número médio de dívidas por empresa entre os estados nortistas. Rondônia e Tocantins apresentaram as maiores médias, com 7,7 pendências por CNPJ, enquanto Amapá teve a menor, com 4,1. No Amazonas, a média foi de seis dívidas por empresa.

Brasil chega a 9,3 milhões de empresas inadimplentes

No cenário nacional, a quantidade de empresas inadimplentes alcançou 9,3 milhões de CNPJs em agosto de 2026, um aumento de 14,3% em relação ao mesmo mês de 2025. Segundo a Serasa Experian, o resultado representa um recorde no indicador.

As empresas brasileiras acumulavam 68,2 milhões de dívidas negativadas, que somavam R$ 244,4 bilhões. Cada CNPJ inadimplente tinha, em média, 7,4 pendências, com dívida média de R$ 26.355,13 por empresa e ticket médio de R$ 3.583,96.

Na distribuição nacional por estados, São Paulo liderou com 3.173.156 empresas inadimplentes, seguido por Minas Gerais (927.374) e Rio de Janeiro (879.915). Paraná (613.012) e Rio Grande do Sul (539.319) completaram as cinco primeiras posições. O Amazonas ficou em 14º lugar.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a desaceleração no ritmo de crescimento da inadimplência ainda não representa uma mudança nas condições financeiras das empresas.

“A inadimplência empresarial cresce em ritmo menor, mas ainda muito elevado: a variação anual recuou de 28,7% para 14,3%, permanecendo em dois dígitos. Ao mesmo tempo, o número de empresas inadimplentes alcançou o recorde de 9,3 milhões, evidenciando que a redução dos juros ainda não alterou as condições financeiras enfrentadas pelas empresas. O crédito continua caro, o caixa permanece pressionado e o ambiente segue especialmente restritivo para os negócios de menor porte”, explica.

A economista também destacou o comportamento da demanda por crédito. Segundo os dados apresentados, a procura das empresas por financiamento cresceu 11,2% no acumulado de 12 meses, enquanto as concessões de capital de giro de curto prazo avançaram 113,9%.

“Mesmo com a Selic ainda em patamar elevado, a demanda das empresas por crédito cresceu 11,2% no acumulado em 12 meses. Ao mesmo tempo, as concessões de capital de giro de curto prazo avançaram 113,9%, indicando que o crédito tem sido utilizado como instrumento de sustentação da liquidez empresarial. Em um contexto de inadimplência recorde, esse movimento parece estar mais associado à necessidade de financiar o caixa e manter a operação do que à redução do endividamento ou à expansão dos negócios”, completa a economista.

Serviços concentram 56% das empresas inadimplentes

Na distribuição nacional por setores, 56% das empresas inadimplentes pertenciam ao segmento de Serviços. O Comércio respondeu por 32%, enquanto a Indústria representou 8% e o setor Primário, 0,9%. Outros segmentos corresponderam aos 3,1% restantes.

O levantamento também identificou a origem das dívidas negativadas no país. O setor de Serviços concentrou 31,7% dos registros, seguido por Bancos/Cartões (19,7%), Cooperativas (8,5%), Utilities — serviços de utilidade pública — (6,7%) e Telefonia (6,2%).

Considerando Bancos/Cartões e Financeiras, as instituições financeiras responderam por 24,4% das pendências registradas. Os outros 75,6% estavam relacionados a credores de setores não financeiros.

“Mais de três quartos dos registros de dívidas negativadas estão relacionados a setores não financeiros. O dado não representa a participação desses setores no valor total das dívidas, mas mostra que as pendências das empresas estão distribuídas entre diferentes tipos de credores. Em um ambiente de menor dinamismo econômico, administrar múltiplos compromissos e preservar o fluxo de caixa torna-se ainda mais desafiador, especialmente para empresas que já acumulam diferentes pendências”, explica a economista-chefe da datatech.

Micro e pequenas empresas representam a maior parte dos CNPJs negativados

As micro e pequenas empresas concentraram 8,8 milhões dos 9,3 milhões de CNPJs inadimplentes no Brasil em agosto. Juntas, acumulavam 61,4 milhões de dívidas, no valor total de R$ 211 bilhões.

Nesse grupo, cada empresa possuía, em média, sete pendências negativadas, com dívida média de R$ 23.902,98 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.435,34.

“Para as micro e pequenas empresas, o desafio hoje vai além do custo do crédito. São negócios que possuem menor capacidade de absorver choques e precisam administrar simultaneamente custos operacionais, capital de giro e um ambiente econômico de menor crescimento. Quando uma empresa desse porte já carrega, em média, sete dívidas inadimplidas, recuperar o equilíbrio financeiro exige uma reorganização mais ampla do caixa. Por isso, a gestão financeira e o planejamento ganham ainda mais importância neste momento”, conclui Camila.

Como é calculada a inadimplência empresarial

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas considera inadimplente o CNPJ que possui ao menos um compromisso financeiro vencido e cujo não pagamento tenha sido formalmente comunicado pelo credor.

A apuração é realizada com base nas notificações registradas até o último dia do mês de referência.

Resumo redes: Com o resultado, o Amazonas figura na segunda posição da Região Norte, atrás apenas do Pará, que contabiliza 186.928 CNPJs negativados. Ao todo, o Norte registra 526.055 empresas inadimplentes. A apuração foi realizada em agosto.