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# Antes da Black Friday, eletrônicos de Manaus já começam a ocupar mais espaço nos navios
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/antes-da-black-friday-eletronicos-de-manaus-ja-comecam-a-ocupar-mais-espaco-nos-navios/
- Published: 2026-10-05T17:03:45.000Z
- Updated: 2026-10-05T17:03:45.000Z
- Description: Distância entre o Polo Industrial de Manaus e os principais centros consumidores faz fabricantes e varejistas anteciparem estoques, movimento que tem aumentado a presença de eletrônicos na cabotagem durante o terceiro trimestre
- Author: Redação
- Tags: Logística, #Facebook-ok, #story-ok, #Instagram-ok, #video-nao

Muito antes de os descontos da Black Friday aparecerem nas lojas, parte dos produtos que serão vendidos em novembro já precisa ter deixado Manaus. A distância entre o Polo Industrial e os principais centros consumidores faz fabricantes e varejistas anteciparem estoques, movimento que tem aumentado a presença de eletrônicos na cabotagem durante o terceiro trimestre.

O padrão aparece em levantamento da LogComex, apresentado pela Agência Transporte Moderno. Entre 2022 e 2025, o volume de eletrônicos transportados pela costa brasileira apresentou crescimento médio de 19,2% do segundo para o terceiro trimestre. Não significa que essa seja a alta registrada em 2026, mas mostra um comportamento recorrente no período em que o comércio começa a preparar uma das principais datas de vendas do ano.

Manaus tem peso importante nessa movimentação. Somente entre janeiro e junho de 2026, as fábricas do Polo Industrial produziram 6,23 milhões de celulares, além de televisores, aparelhos de ar-condicionado, micro-ondas, monitores e outros equipamentos. Para que esses produtos estejam nos centros de distribuição antes de novembro, a saída precisa ser organizada com semanas ou meses de antecedência.

Há ainda uma particularidade amazônica: essa preparação ocorre justamente durante a vazante dos rios. A combinação entre distância, grande volume de mercadorias e possíveis restrições à navegação aumenta a importância de programar embarques e estoques antes do período mais crítico.

## Navio passa a receber cargas mais valiosas

A Black Friday ajuda a acelerar uma mudança que já vinha acontecendo na cabotagem brasileira. O transporte marítimo, tradicionalmente associado a grandes volumes de mercadorias de menor valor unitário, começa a receber com mais frequência alimentos, bebidas, componentes industriais e produtos mais caros.

Segundo Luiza Bublitz, presidente da Aliança Navegação e Logística, essa mudança está ligada ao aumento da confiança das empresas no serviço.

> “Antes, era mais comum transportar produtos de baixo valor unitário. Agora, com a confiança crescente e a melhora dos serviços, os embarcadores estão migrando cargas mais sensíveis e valiosas para a cabotagem”.

No caso dos eletrônicos, essa migração exige previsibilidade. São mercadorias de maior valor, ligadas diretamente ao calendário do varejo e com pouca margem para atrasos quando o objetivo é abastecer uma campanha como a Black Friday.

A operação, porém, não termina no porto. O navio pode fazer o percurso de longa distância entre o Norte e o Sudeste, enquanto o caminhão assume a distribuição final até centros de armazenagem, lojas ou outros destinos. A estratégia da Aliança inclui ainda integração com transporte ferroviário, fluvial e aéreo, além de armazenagem.

## Carga doméstica cresce acima do mercado

Os números de 2026 mostram que justamente a movimentação de cargas dentro do país está crescendo mais rapidamente que o conjunto da cabotagem.

As empresas associadas à Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC) movimentaram 898.035 TEUs no primeiro semestre, apenas 0,9% acima do mesmo período de 2025\. TEU é a medida equivalente a um contêiner de 20 pés.

Quando considerada apenas a carga doméstica, porém, a alta chegou a 6,1%, de 409.878 para 434.895 TEUs. As operações feeder, usadas na conexão com navios de rotas internacionais, recuaram 3,6%, para 463.140 TEUs.

A atividade também ganhou ritmo ao longo do ano. O volume passou de 435.322 TEUs no primeiro trimestre para 462.713 no segundo, quando houve crescimento de 5,6% em relação ao mesmo período de 2025.

## Disputa por uma carga que ainda está nas rodovias

Para os armadores, a oportunidade vai além do movimento de novembro. Estudo do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), citado por Bublitz, estima que, para cada contêiner atualmente levado pela cabotagem, outros 4,8 teriam potencial para migrar para o transporte aquaviário.

É nesse mercado que entram os eletrônicos produzidos em Manaus. Se fabricantes e varejistas conseguirem usar o navio nos períodos de maior pressão logística, como a preparação para a Black Friday, parte desses volumes pode continuar no modal em outros meses.

O interesse comercial também ajuda a explicar a corrida antecipada pelos estoques. Pesquisas do Globo Ads Insights e do Google apontam que 47% dos brasileiros pretendem comprar na Black Friday, enquanto 44% já começaram a pesquisar preços e 48% esperam chegar à data com a lista de compras definida. Celulares, computadores, eletrodomésticos e eletroportáteis estão entre as categorias de maior interesse.

Em 2025, as associadas da ABAC movimentaram 1,81 milhão de TEUs em cabotagem. Incluindo as operações com o Mercosul, foram aproximadamente 1,92 milhão. Para 2026, o avanço dos eletrônicos mostra que parte do crescimento futuro do setor pode vir não apenas de transportar mais contêineres, mas de conquistar cargas que até pouco tempo permaneciam quase exclusivamente nas rodovias.

Resumo redes: A distância entre o Polo Industrial de Manaus e os principais centros consumidores faz fabricantes e varejistas anteciparem estoques, movimento que tem aumentado a presença de eletrônicos na cabotagem durante o terceiro trimestre.