Autorizações para pesquisar terras raras crescem 485,4% no Brasil, mas apenas quatro áreas estão em produção
Atualmente, existem 3.067 áreas em fase de pesquisa mineral, etapa destinada à investigação do potencial das jazidas antes de uma eventual exploração comercial
O interesse pela exploração de terras raras no Brasil avançou nos últimos anos, mas o crescimento das pesquisas minerais ainda não se traduziu em uma expansão equivalente da produção. Entre 2021 e 2025, o número de autorizações para pesquisar esses minerais aumentou 485,4%, enquanto apenas quatro áreas possuem lavra ativa no país, todas localizadas em Goiás. O contraste aparece em dados divulgados nesta quarta-feira (14) pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
Atualmente, existem 3.067 áreas em fase de pesquisa mineral, etapa destinada à investigação do potencial das jazidas antes de uma eventual exploração comercial. O número revela a dimensão das atividades de prospecção, mas também evidencia a distância entre a identificação de recursos minerais e sua efetiva entrada em produção.
Segundo a ANM, essa diferença está relacionada ao desenvolvimento dos empreendimentos, que precisam superar etapas de preparação, mobilizar investimentos elevados e cumprir procedimentos de licenciamento ambiental antes de iniciar a extração.
Brasil tem outras 78 áreas em etapas anteriores à lavra
Além das milhares de áreas em pesquisa, o país contabiliza 78 áreas com relatório final de pesquisa aprovado, em fase de requerimento de lavra ou que já possuem o direito de solicitar essa autorização. Esses projetos representam diferentes estágios do processo necessário para transformar o potencial mineral identificado em atividade produtiva.
O mapeamento brasileiro também inclui 75 localidades com potencial mineral reconhecido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). Essas ocorrências ampliam o conjunto de informações disponíveis sobre a presença de minerais estratégicos no território nacional, embora sua identificação não signifique que estejam prontas para exploração comercial.
O avanço das pesquisas ocorre em um cenário no qual a ampliação da produção depende não apenas da localização dos depósitos, mas também da capacidade de viabilizar economicamente os projetos e cumprir as exigências para sua operação.
Exportações de concentrado somam US$ 14,9 milhões, mas país importa produtos transformados
Os indicadores de comércio exterior mostram outra característica da cadeia brasileira de terras raras: enquanto o país comercializa concentrados minerais no mercado internacional, também recorre à importação de produtos que já passaram por processos de transformação industrial.
Em 2025, a produção nacional alcançou 326 toneladas de concentrado de óxidos de terras raras. No mesmo período, as exportações desse material movimentaram US$ 14,9 milhões.
Por outro lado, as compras externas de produtos da indústria de transformação mineral, incluindo óxidos de terras raras e ímãs, totalizaram US$ 30,6 milhões.
Os números retratam atividades distintas dentro da cadeia produtiva. A comercialização de concentrados corresponde a uma etapa anterior à fabricação de determinados produtos industrializados, enquanto as importações abrangem materiais que já passaram por processos adicionais de transformação.
Dessa forma, os dados apresentados pela ANM permitem observar não apenas a evolução da exploração mineral, mas também a participação brasileira em diferentes etapas de processamento e comercialização desses recursos.
ANM reúne dados sobre minerais estratégicos; produção de ouro alcança R$ 41,7 bilhões
As informações fazem parte do Portal de Minerais Críticos e Estratégicos, plataforma da ANM que concentra indicadores sobre pesquisa mineral, localização de minas, produção, emprego e comércio exterior.
A ferramenta permite acompanhar a situação de diferentes substâncias consideradas relevantes para a atividade mineral brasileira, incluindo, além das terras raras, ouro, cobre, lítio, níquel e nióbio.
No caso do ouro, os dados revelam um cenário de produção mais consolidado. O Brasil possui 504 lavras com atividade produtiva, que responderam por 71,1 toneladas do mineral em 2025.
O valor da produção brasileira de ouro chegou a R$ 41,7 bilhões naquele ano, enquanto as exportações alcançaram US$ 6,59 bilhões.
Resumo redes: Atualmente, existem 3.067 áreas em fase de pesquisa mineral, etapa destinada à investigação do potencial das jazidas antes de uma eventual exploração comercial. As informações fazem parte do Portal de Minerais Críticos e Estratégicos, plataforma da ANM que concentra indicadores sobre pesquisa mineral, localização de minas, produção, emprego e comércio exterior.