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# Azul Cargo vai receber novos cargueiros até o fim do ano e aponta Manaus como principal demanda da malha
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/azul-cargo-vai-receber-mais-quatro-cargueiros-ate-o-fim-do-ano/
- Published: 2026-09-29T16:03:15.000Z
- Updated: 2026-09-29T16:03:15.000Z
- Description: Parte das aeronaves de 25 toneladas ainda não tem rota definida; Companhia opera três voos diários (exceto aos domingos) para a capital amazonense e opera uma ligação semanal com Lima
- Author: Francisco Gomes
- Tags: Logística, Carga, Azul, Amazonas Invest Farma, #video-ok, #story-ok, #Facebook-ok, #Instagram-ok

A Azul Cargo Express receberá mais quatro aeronaves cargueiras até o fim deste ano e parte delas ainda não tem rota definida, abrindo espaço para novos projetos e operações dedicadas. Manaus aparece no centro dessa expansão: é apontada pela companhia como sua localidade de maior demanda e já recebe três voos diários, exceto aos domingos.

As novas aeronaves terão capacidade de 25 toneladas, mesmo porte dos dois cargueiros que a Azul já opera no Brasil. A diretora nacional da Azul Cargo Express, Isabel Reis, afirmou durante o Amazonas Invest Farma, realizado no AYA Hub, em São Paulo, no último dia 22, que a companhia ainda precisa definir onde parte dessa frota será empregada e está aberta à construção de novas rotas.

Os cargueiros dão à empresa uma liberdade que não existe na malha convencional. Nos voos de passageiros, a programação precisa acompanhar a demanda por assentos. Uma aeronave exclusivamente de carga pode ser deslocada de acordo com a necessidade logística de determinada operação ou cliente. Segundo Isabel, essa flexibilidade permite, sob determinadas condições, que uma mercadoria saia de São Paulo e esteja disponível em Manaus no mesmo dia.

A executiva afirmou que as novas aeronaves chegam para reforçar a capacidade em destinos como a capital amazonense, justamente pela demanda já existente.

> “Quando você visita um cliente, a primeira localidade que ele quer é o aeroporto de Manaus. É o Norte e é o Nordeste”, contou Isabel.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/09/Azul-Cargo-vai-receber-novos-cargueiros-at---o-fim-do-ano-e-aponta-Manaus-como-principal-demanda-da-malha-1.JPG)

Isabel Reis, diretora nacional da Azul Cargo Express, no painel de logística do Amazonas Invest Farma, em São Paulo | Foto: Celso Doni

### Manaus tem três voos diários e estrutura licenciada para fármacos

A Azul Cargo mantém em Manaus uma estrutura com mais de 5 mil metros quadrados e todas as licenças necessárias para o transporte de produtos farmacêuticos. A instalação foi descrita pela diretora como atualizada e integra uma malha nacional que conecta mais de 170 cidades, dez delas no Amazonas.

Considerando também a distribuição terrestre, a Azul Cargo alcança cerca de 5 mil municípios brasileiros. Na cidade de São Paulo e em mais de 2,5 mil municípios, segundo Isabel, a empresa consegue realizar entregas em até dois dias.

Fármacos e alimentos estão entre os principais produtos movimentados dentro do grupo de serviços de saúde da companhia, segmento no qual prazo e qualidade da operação ganham peso particular.

Essa estrutura atende a uma característica da logística da Região Norte: a necessidade de conectar Manaus tanto aos grandes centros consumidores, como São Paulo, quanto às cidades do interior amazônico, conciliando velocidade, controle e diferentes modais.

### Rota cargueira entre Manaus e Lima mira medicamentos

Manaus também passou a fazer parte de uma nova frente internacional da Azul Cargo. A companhia começou recentemente a explorar uma ligação com Lima, no Peru, voltada principalmente ao transporte de medicamentos, embora o comércio eletrônico também esteja entre os mercados observados pela empresa.

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Foto: Divulgação

> “Nós começamos a explorar recentemente o destino de Lima via Manaus, uma rota que vem dando bastante certo”, afirmou Isabel.

A ligação aparece na malha internacional de cargas de Manaus com uma frequência semanal, às segundas-feiras, operada por um Airbus A321 com capacidade para 23 toneladas.

O movimento ocorre num momento em que a Azul identifica espaço não apenas para aumentar a carga transportada até Manaus, mas também para melhorar o aproveitamento das aeronaves no sentido contrário.

- Leia também: [**Azul abre rota cargueira entre Manaus e Lima com voos semanais e capacidade para até 23 toneladas**](https://www.jornalopolo.com.br/azul-abre-rota-cargueira-entre-manaus-e-lima-com-voos-semanais-e-capacidade-para-ate-23-toneladas/)

Segundo Isabel, o interesse pela capital amazonense alcança as diferentes companhias aéreas porque “tem muita coisa subindo”. No caso da Azul, porém, ainda existe capacidade disponível nos voos de retorno.

> “A gente ainda tem muita capacidade ociosa, eu estou falando pela Azul, na volta. Então, com certeza vai ter muito transporte para trazer as empresas que ainda não estão e resolverem ir para a Zona Franca de Manaus”, pontuou.

É nesse cenário que os quatro novos cargueiros entram na estratégia da companhia. Com parte das aeronaves ainda sem destinação definida, Isabel disse que a Azul precisa alocá-las “em algum lugar para voar” e demonstrou abertura para operações desenhadas especificamente para determinadas demandas.

### Combustível pesa na expansão dos cargueiros

A ampliação da capacidade encontra, entretanto, um obstáculo importante no custo operacional. Isabel chamou atenção para o preço do combustível, especialmente nas aeronaves que transportam exclusivamente cargas.

> “O preço do combustível realmente está bastante desafiador, principalmente para aeronave cargueira, que não tem o subsídio do passageiro”.

Mesmo com essa pressão, a companhia mantém operações logísticas no Brasil, na América do Sul e na América Central e busca ampliar o espaço em segmentos nos quais a velocidade do transporte aéreo compensa o custo maior.

Entre eles estão as cargas de alto valor agregado e os novos medicamentos, que exigem segurança, licenciamento, infraestrutura especializada e maior controle sobre toda a operação.

Para Isabel, o transporte aéreo se encaixa particularmente bem nesse mercado pela rapidez e pela especialização das equipes envolvidas. A Azul também trabalha com projetos específicos, adaptando a logística às características de cada cliente.

A diretora citou uma demanda que ouviu de uma empresa anos atrás e que passou a orientar a construção dessas operações:

> “Fazer com que a logística no Brasil se adapte à necessidade dos meus serviços e dos meus produtos”, disse o cliente.

A partir dessa lógica, cada projeto considera fatores como qualidade, experiência, prazo, integridade da mercadoria e disponibilidade de informações ao cliente.

### Cadeia de frio exige controle desde a origem até a última milha

A especialização ganha ainda mais importância no transporte de medicamentos e insumos biotecnológicos sensíveis à temperatura. Para a Azul, essa é uma das operações mais complexas dentro da logística aérea.

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Foto: Reprodução

> “Esse realmente é um dos processos mais delicados que a gente atua, que envolve muito, muito treinamento e mão de obra especializada”, comentou Isabel.

O processo envolve acompanhamento contínuo, auditorias e profissionais dedicados. A empresa também é fiscalizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, segundo a diretora, possui as certificações necessárias para as operações que realiza.

O rigor se explica pelo risco de perda da carga: uma falha de temperatura ou de procedimento pode tornar o produto impróprio para transporte e uso pelo cliente.

O controle começa antes mesmo de a mercadoria chegar ao aeroporto. No trecho rodoviário, a Azul trabalha com parceiros licenciados, que também podem ser escolhidos pelo próprio cliente. As empresas contratantes costumam exigir a documentação necessária para comprovar que o transporte atende às regras aplicáveis.

Na etapa aérea, a companhia adota controles próprios. Produtos termolábeis, que são sensíveis a variações de temperatura, precisam viajar em contêineres capazes de manter as condições determinadas durante o transporte.

As conexões internacionais também vêm ajudando a Azul a desenvolver esse tipo de operação para trazer cargas de outros países em determinadas localidades.

Nos centros de distribuição, Isabel defende espaços isolados destinados exclusivamente à conservação e ao manuseio desses produtos. Nos terminais de carga, porém, a operação funciona em modelo de cross-docking: a mercadoria permanece em uma área de passagem, com controle dos horários, em vez de ficar armazenada por longos períodos.

A Azul já possui as licenças necessárias para esse transporte nos terminais e na chamada "última milha", a etapa final até o destinatário. A expansão para localidades menores ainda exige novas autorizações, e a companhia vem se especializando nesse processo, marcado por uma série de certificações.

A discussão ocorreu na primeira edição do Amazonas Invest Farma, evento voltado à apresentação do Polo Industrial de Manaus e da Zona Franca de Manaus como plataforma para a expansão das indústrias farmacêutica, farmoquímica e de cosméticos.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/09/Amazonas-Invest-Farma---Azul-Cargo-vai-receber-novos-cargueiros-at---o-fim-do-ano-e-aponta-Manaus-como-principal-demanda-da-malha.JPG)

Foto: Celso Doni

Resumo redes: A companhia mantém mais de 5 mil m² de infraestrutura licenciada para fármacos em Manaus, atende a capital com três voos diários (exceto aos domingos) e opera uma ligação semanal com Lima (Peru). A Azul também vê espaço para ocupar melhor a capacidade de retorno e ampliar o transporte de medicamentos, cargas de alto valor e produtos com temperatura controlada.