Azul Cargo vai receber novos cargueiros até o fim do ano e aponta Manaus como principal demanda da malha
Parte das aeronaves de 25 toneladas ainda não tem rota definida; Companhia opera três voos diários (exceto aos domingos) para a capital amazonense e opera uma ligação semanal com Lima
A Azul Cargo Express receberá mais quatro aeronaves cargueiras até o fim deste ano e parte delas ainda não tem rota definida, abrindo espaço para novos projetos e operações dedicadas. Manaus aparece no centro dessa expansão: é apontada pela companhia como sua localidade de maior demanda e já recebe três voos diários, exceto aos domingos.
As novas aeronaves terão capacidade de 25 toneladas, mesmo porte dos dois cargueiros que a Azul já opera no Brasil. A diretora nacional da Azul Cargo Express, Isabel Reis, afirmou durante o Amazonas Invest Farma, realizado no AYA Hub, em São Paulo, no último dia 22, que a companhia ainda precisa definir onde parte dessa frota será empregada e está aberta à construção de novas rotas.
Os cargueiros dão à empresa uma liberdade que não existe na malha convencional. Nos voos de passageiros, a programação precisa acompanhar a demanda por assentos. Uma aeronave exclusivamente de carga pode ser deslocada de acordo com a necessidade logística de determinada operação ou cliente. Segundo Isabel, essa flexibilidade permite, sob determinadas condições, que uma mercadoria saia de São Paulo e esteja disponível em Manaus no mesmo dia.
A executiva afirmou que as novas aeronaves chegam para reforçar a capacidade em destinos como a capital amazonense, justamente pela demanda já existente.
“Quando você visita um cliente, a primeira localidade que ele quer é o aeroporto de Manaus. É o Norte e é o Nordeste”, contou Isabel.
Manaus tem três voos diários e estrutura licenciada para fármacos
A Azul Cargo mantém em Manaus uma estrutura com mais de 5 mil metros quadrados e todas as licenças necessárias para o transporte de produtos farmacêuticos. A instalação foi descrita pela diretora como atualizada e integra uma malha nacional que conecta mais de 170 cidades, dez delas no Amazonas.
Considerando também a distribuição terrestre, a Azul Cargo alcança cerca de 5 mil municípios brasileiros. Na cidade de São Paulo e em mais de 2,5 mil municípios, segundo Isabel, a empresa consegue realizar entregas em até dois dias.
Fármacos e alimentos estão entre os principais produtos movimentados dentro do grupo de serviços de saúde da companhia, segmento no qual prazo e qualidade da operação ganham peso particular.
Essa estrutura atende a uma característica da logística da Região Norte: a necessidade de conectar Manaus tanto aos grandes centros consumidores, como São Paulo, quanto às cidades do interior amazônico, conciliando velocidade, controle e diferentes modais.
Rota cargueira entre Manaus e Lima mira medicamentos
Manaus também passou a fazer parte de uma nova frente internacional da Azul Cargo. A companhia começou recentemente a explorar uma ligação com Lima, no Peru, voltada principalmente ao transporte de medicamentos, embora o comércio eletrônico também esteja entre os mercados observados pela empresa.

“Nós começamos a explorar recentemente o destino de Lima via Manaus, uma rota que vem dando bastante certo”, afirmou Isabel.
A ligação aparece na malha internacional de cargas de Manaus com uma frequência semanal, às segundas-feiras, operada por um Airbus A321 com capacidade para 23 toneladas.
O movimento ocorre num momento em que a Azul identifica espaço não apenas para aumentar a carga transportada até Manaus, mas também para melhorar o aproveitamento das aeronaves no sentido contrário.
- Leia também: Azul abre rota cargueira entre Manaus e Lima com voos semanais e capacidade para até 23 toneladas
Segundo Isabel, o interesse pela capital amazonense alcança as diferentes companhias aéreas porque “tem muita coisa subindo”. No caso da Azul, porém, ainda existe capacidade disponível nos voos de retorno.
“A gente ainda tem muita capacidade ociosa, eu estou falando pela Azul, na volta. Então, com certeza vai ter muito transporte para trazer as empresas que ainda não estão e resolverem ir para a Zona Franca de Manaus”, pontuou.
É nesse cenário que os quatro novos cargueiros entram na estratégia da companhia. Com parte das aeronaves ainda sem destinação definida, Isabel disse que a Azul precisa alocá-las “em algum lugar para voar” e demonstrou abertura para operações desenhadas especificamente para determinadas demandas.
Combustível pesa na expansão dos cargueiros
A ampliação da capacidade encontra, entretanto, um obstáculo importante no custo operacional. Isabel chamou atenção para o preço do combustível, especialmente nas aeronaves que transportam exclusivamente cargas.
“O preço do combustível realmente está bastante desafiador, principalmente para aeronave cargueira, que não tem o subsídio do passageiro”.
Mesmo com essa pressão, a companhia mantém operações logísticas no Brasil, na América do Sul e na América Central e busca ampliar o espaço em segmentos nos quais a velocidade do transporte aéreo compensa o custo maior.
Entre eles estão as cargas de alto valor agregado e os novos medicamentos, que exigem segurança, licenciamento, infraestrutura especializada e maior controle sobre toda a operação.
Para Isabel, o transporte aéreo se encaixa particularmente bem nesse mercado pela rapidez e pela especialização das equipes envolvidas. A Azul também trabalha com projetos específicos, adaptando a logística às características de cada cliente.
A diretora citou uma demanda que ouviu de uma empresa anos atrás e que passou a orientar a construção dessas operações:
“Fazer com que a logística no Brasil se adapte à necessidade dos meus serviços e dos meus produtos”, disse o cliente.
A partir dessa lógica, cada projeto considera fatores como qualidade, experiência, prazo, integridade da mercadoria e disponibilidade de informações ao cliente.
Cadeia de frio exige controle desde a origem até a última milha
A especialização ganha ainda mais importância no transporte de medicamentos e insumos biotecnológicos sensíveis à temperatura. Para a Azul, essa é uma das operações mais complexas dentro da logística aérea.

“Esse realmente é um dos processos mais delicados que a gente atua, que envolve muito, muito treinamento e mão de obra especializada”, comentou Isabel.
O processo envolve acompanhamento contínuo, auditorias e profissionais dedicados. A empresa também é fiscalizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, segundo a diretora, possui as certificações necessárias para as operações que realiza.
O rigor se explica pelo risco de perda da carga: uma falha de temperatura ou de procedimento pode tornar o produto impróprio para transporte e uso pelo cliente.
O controle começa antes mesmo de a mercadoria chegar ao aeroporto. No trecho rodoviário, a Azul trabalha com parceiros licenciados, que também podem ser escolhidos pelo próprio cliente. As empresas contratantes costumam exigir a documentação necessária para comprovar que o transporte atende às regras aplicáveis.
Na etapa aérea, a companhia adota controles próprios. Produtos termolábeis, que são sensíveis a variações de temperatura, precisam viajar em contêineres capazes de manter as condições determinadas durante o transporte.
As conexões internacionais também vêm ajudando a Azul a desenvolver esse tipo de operação para trazer cargas de outros países em determinadas localidades.
Nos centros de distribuição, Isabel defende espaços isolados destinados exclusivamente à conservação e ao manuseio desses produtos. Nos terminais de carga, porém, a operação funciona em modelo de cross-docking: a mercadoria permanece em uma área de passagem, com controle dos horários, em vez de ficar armazenada por longos períodos.
A Azul já possui as licenças necessárias para esse transporte nos terminais e na chamada "última milha", a etapa final até o destinatário. A expansão para localidades menores ainda exige novas autorizações, e a companhia vem se especializando nesse processo, marcado por uma série de certificações.
A discussão ocorreu na primeira edição do Amazonas Invest Farma, evento voltado à apresentação do Polo Industrial de Manaus e da Zona Franca de Manaus como plataforma para a expansão das indústrias farmacêutica, farmoquímica e de cosméticos.
Resumo redes: A companhia mantém mais de 5 mil m² de infraestrutura licenciada para fármacos em Manaus, atende a capital com três voos diários (exceto aos domingos) e opera uma ligação semanal com Lima (Peru). A Azul também vê espaço para ocupar melhor a capacidade de retorno e ampliar o transporte de medicamentos, cargas de alto valor e produtos com temperatura controlada.