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# Banco Mundial destina US$ 1,06 bilhão à indústria de baixo carbono no Brasil; Entenda onde o PIM pode entrar
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- Published: 2026-09-25T18:27:57.000Z
- Updated: 2026-09-25T18:30:20.000Z
- Description: Recursos serão operados pelo BNDES e têm como prioridade cadeias como química, metalurgia, combustíveis de menor emissão e infraestrutura para hidrogênio; Acesso por empresas de Manaus dependerá do enquadramento dos projetos
- Author: Redação
- Tags: Financiamento, #Instagram-ok, #story-ok, #Facebook-ok, #video-nao

Um novo pacote bilionário destinado à descarbonização da indústria brasileira abre uma janela de financiamento que pode alcançar empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM), embora não exista uma parcela reservada à Zona Franca. O Grupo Banco Mundial anunciou US$ 1,06 bilhão para projetos industriais e energéticos de menor emissão, em uma operação que terá o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como responsável pela aplicação dos recursos. As informações constam em matéria publicada pelo G1 Amazonas nesta sexta-feira (25).

O desenho do programa ajuda a entender onde Manaus pode entrar, e também onde a relação é menos direta. O foco inicial está em indústrias intensivas em energia, especialmente cimento, aço, vidro, produtos químicos e alumínio. Também poderão receber recursos projetos voltados a combustíveis de baixo carbono e estruturas utilizadas por diferentes empresas, como armazenamento e dutos para hidrogênio verde e amônia.

Essa lista não acompanha exatamente a composição do PIM. Entre janeiro e julho de 2026, os maiores setores do polo em faturamento foram Bens de informática, com 21,86%, Duas rodas, com 19,77%, e Eletroeletrônicos, com 15,43%. Nenhum dos três aparece nominalmente entre as cadeias industriais priorizadas no anúncio do Banco Mundial.

A aproximação mais evidente está em outros dois segmentos relevantes de Manaus. O químico respondeu por 10,91% do faturamento do PIM no período e o metalúrgico, por 8,92%. Dependendo da tecnologia, da redução de emissões prevista e das condições que forem adotadas pelo BNDES na operação dos recursos, projetos dessas fábricas podem estar mais próximos do perfil estabelecido pelo programa.

## De onde vem o dinheiro

Dos US$ 1,06 bilhão anunciados, US$ 1 bilhão serão emprestados pelo Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), braço do Grupo Banco Mundial, e US$ 60 milhões virão do Fundo de Tecnologia Limpa, ligado aos Fundos de Investimento Climático (CIF).

A operação foi estruturada para que esse dinheiro funcione também como uma espécie de ponto de partida para investimentos maiores. A expectativa é mobilizar outros US$ 1,8 bilhão junto a instituições de desenvolvimento e investidores privados. Portanto, esse valor adicional não representa dinheiro já contratado ou disponível automaticamente para empresas. A estratégia é reduzir o risco de projetos ainda pioneiros e, com isso, facilitar a entrada de capital privado.

O Banco Mundial relaciona a iniciativa a uma meta brasileira de reduzir em 30% a intensidade das emissões de gases de efeito estufa do PIB industrial até 2033\. O projeto parte da avaliação de que a matriz brasileira, com elevada participação de fontes renováveis, pode ser usada como vantagem para produzir bens industriais com menor pegada de carbono.

## Três caminhos para os projetos

O financiamento foi dividido em três grandes frentes. A primeira reúne as chamadas commodities industriais de baixo carbono. Entram nesse grupo investimentos para reduzir emissões nas cadeias de cimento, aço, vidro, produtos químicos e alumínio sem comprometer sua capacidade de competir no mercado.

A segunda está voltada aos combustíveis de menor emissão. O Banco Mundial cita combustível sustentável de aviação, o SAF, além de e-metanol, biometano e outras alternativas destinadas principalmente à descarbonização da aviação e do transporte marítimo.

A terceira frente é diferente porque não se concentra necessariamente dentro de uma única fábrica. O dinheiro poderá financiar infraestrutura compartilhada, incluindo instalações de armazenamento e dutos de hidrogênio verde e amônia. A ideia é permitir que diferentes indústrias utilizem uma mesma estrutura, reduzindo o custo de adoção dessas tecnologias.

## E as fábricas de informática, motos e eletrônicos?

O fato de esses setores não aparecerem na relação principal divulgada pelo Banco Mundial não significa, por si só, que qualquer investimento realizado por essas empresas esteja fora da agenda de descarbonização. Significa apenas que o projeto anunciado tem um recorte específico, voltado principalmente às cadeias industriais e energéticas de maior intensidade de emissões.

O próprio BNDES já mantém outras linhas de financiamento ambiental com escopo mais amplo. No Fundo Clima – Indústria Verde, por exemplo, estão previstos projetos de eficiência energética, substituição de infraestrutura industrial, eletrificação de processos, tratamento e reaproveitamento de resíduos e desenvolvimento de tecnologias ligadas à transição energética. Também há previsão de apoio à recuperação de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos.

Esse detalhe é importante para o PIM porque parte relevante de sua produção está justamente em bens de informática e eletroeletrônicos. Mas são instrumentos diferentes: não é correto tratar todas essas possibilidades como se fizessem parte automaticamente dos US$ 1,06 bilhão anunciados pelo Banco Mundial.

## PIM terá de disputar projetos

Na prática, o anúncio não representa uma transferência direta de recursos para estados, polos industriais ou empresas previamente escolhidas. O dinheiro será canalizado pelo BNDES, e a chegada ao Amazonas dependerá da apresentação e aprovação de projetos que atendam aos critérios da operação.

É aí que está o espaço do Polo Industrial de Manaus. Em vez de receber uma fatia previamente definida do pacote, as empresas locais precisarão demonstrar que seus investimentos se encaixam nas tecnologias e cadeias que o programa pretende financiar.

Resumo redes: O pacote reúne US$ 1 bilhão do Bird e US$ 60 milhões de um fundo climático, com expectativa de atrair outros US$ 1,8 bilhão. Em Manaus, a conexão mais direta aparece nos segmentos químico e metalúrgico. Acesso por empresas do PIM dependerá do enquadramento dos projetos.