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# Baterias viram disputa bilionária no Brasil; No Amazonas, tecnologia entra em projetos para reduzir dependência do diesel
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/baterias-viram-disputa-bilionaria-no-brasil-no-amazonas-tecnologia-entra-em-projetos-para-reduzir-dependencia-do-diesel/
- Published: 2026-09-05T21:48:20.000Z
- Updated: 2026-09-05T21:48:20.000Z
- Description: Primeiro leilão nacional de armazenamento pode destravar R$ 20 bilhões em investimentos, mas definição sobre quem pagará a conta ameaça o cronograma. No Amazonas, Estado com 92 sistemas isolados, baterias já aparecem em projetos híbridos e podem abrir uma nova frente industrial para o Polo de Manaus
- Author: Redação
- Tags: Energia, #video-ok, #story-ok, #Facebook-ok, #Instagram-ok

O Brasil se prepara para realizar em dezembro seu primeiro grande leilão dedicado a sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos por BESS ((do inglês *Battery Energy Storage System)*, um mercado que já atraiu 6.091 projetos e é tratado pelo setor como ponto de partida para pelo menos R$ 20 bilhões em investimentos. Esses equipamentos combinam baterias, componentes eletrônicos, sistemas de controle e outros dispositivos para atender desde empresas e instalações comerciais até projetos de grande porte conectados à rede elétrica.

Antes mesmo da contratação, porém, uma disputa sobre quem deve pagar pela disponibilidade desses sistemas colocou geradores, consumidores industriais, governo, Congresso e Aneel em lados diferentes e pode até interferir no calendário do certame.

Para o Amazonas, a discussão vai além do novo mercado nacional. A Zona Franca de Manaus já possui Processo Produtivo Básico (PPB) específico para sistemas BESS e uma indústria ligada à cadeia de baterias, enquanto o interior do Estado concentra dezenas de sistemas isolados ainda fortemente dependentes de geração térmica a diesel. Na prática, o Amazonas pode aparecer dos dois lados dessa transformação: como possível fabricante da tecnologia e como um dos lugares onde ela pode ter aplicação mais direta.

Os sistemas BESS armazenam eletricidade produzida em determinado momento e devolvem essa energia posteriormente. No Sistema Interligado Nacional, a tecnologia ganhou importância principalmente com a expansão da geração solar e eólica, que em alguns horários produz mais energia do que a rede consegue absorver ou transmitir. Parte desse excedente acaba sendo cortada, e as baterias permitem guardar energia para utilizá-la quando a demanda aumenta ou a produção renovável diminui.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/09/sistema-bess-.jpg)

Foto: Enel

### Mais de 6 mil projetos de olho no novo mercado

O tamanho do interesse ficou evidente no cadastramento feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Os 6.091 projetos inscritos para os dois leilões de armazenamento previstos neste ano somam 296.807 megawatts de potência, um recorde para certames do setor elétrico brasileiro. Apenas uma pequena parcela dessa capacidade deverá ser contratada, mas o volume mostra como empresas nacionais e estrangeiras já começaram a disputar espaço em um segmento ainda novo no país.

Uma das contratações será destinada a equipamentos com fabricação nacional, enquanto outra ficará aberta à competição internacional. Para Manaus, essa separação interessa porque a Zona Franca possui desde 2024 um PPB específico para Sistema de Armazenamento de Energia Elétrica em Baterias, criado pela Portaria Interministerial MDIC/MCTI nº 55.

A regra não garante contratos nem novas fábricas, mas permite que projetos industriais de BESS sejam enquadrados no modelo incentivado da Zona Franca. O PIM também já possui experiência na cadeia de baterias: a BYD opera em Manaus desde 2020 e ampliou sua estrutura para produzir módulos Blade destinados a ônibus elétricos, embora essas linhas não estejam automaticamente vinculadas ao leilão nacional de armazenamento.

### No interior, bateria entra em outra conta

Se em Manaus o debate envolve oportunidade industrial, no interior a tecnologia aparece associada a um problema antigo. A Amazonas Energia atende atualmente 92 sistemas isolados, o maior número entre os Estados brasileiros, em localidades que precisam produzir eletricidade localmente por não estarem conectadas ao Sistema Interligado Nacional. No conjunto dos sistemas isolados do país, cerca de 70% da energia gerada em 2025 ainda teve o óleo diesel como fonte.

Nesse cenário, a bateria pode funcionar ao lado de painéis solares e das térmicas já existentes. Durante o dia, a geração fotovoltaica atende parte da demanda e carrega o sistema de armazenamento; depois, essa energia pode ser utilizada antes de aumentar novamente o funcionamento da usina a diesel. A térmica continua servindo como fonte firme e de segurança, mas tende a operar por menos tempo ou consumir menos combustível.

Esse tipo de solução já começou a aparecer nos contratos do próprio Amazonas. No Leilão dos Sistemas Isolados de 2025, o lote formado por Camaruã, Novo Remanso, Cabori, Parauá e Limoeiro foi contratado com usinas híbridas que combinam diesel, geração solar e baterias. O início do fornecimento está previsto para dezembro de 2027.

O planejamento da EPE indica que a capacidade acumulada de armazenamento nesses projetos pode chegar a 188,2 MWh em 2027 e 308 MWh em 2028\. Ao mesmo tempo, 24 localidades atendidas pela Amazonas Energia aparecem com risco de déficit de potência contratada em algum momento do horizonte analisado até 2030, entre elas Apuí, Barreirinha, Codajás, Maués, Novo Airão, Urucurituba e Vila Amazônia.

O alerta não significa que essas localidades necessariamente ficarão sem energia. Ele serve para antecipar a necessidade de novos contratos, ampliações de capacidade, interligações ou outras soluções. É nesse espaço que sistemas híbridos com armazenamento podem ganhar terreno.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/09/Baterias-viram-disputa-bilion--ria-no-Brasil.-No-Amazonas--tecnologia-entra-em-projetos-para-reduzir-depend--ncia-do-diesel.jpg)

Foto: Reprodução/Internet

### Menos diesel também reduz uma logística cara

No Amazonas, diminuir o consumo de combustível traz ainda um efeito que pesa menos em outras regiões. O diesel utilizado nas térmicas precisa chegar às comunidades por uma cadeia logística que pode envolver longas viagens fluviais, armazenamento local e custos sujeitos às distâncias e às condições dos rios.

A Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), paga pelos consumidores brasileiros, subsidia não apenas a geração dos sistemas isolados, mas também despesas relacionadas ao combustível e à logística. Por isso, reduzir parte desse consumo pode significar menos gasto com geração e transporte, além da queda nas emissões. O Programa Energias da Amazônia, do governo federal, tem entre seus objetivos justamente diminuir a geração a diesel e os custos da CCC.

### A disputa agora é também sobre quem paga

O avanço das baterias, porém, vem acompanhado de uma discussão sobre custo. No leilão nacional previsto para dezembro, a principal controvérsia envolve o Encargo de Reserva de Capacidade. A legislação atual atribui aos geradores o pagamento relacionado ao armazenamento, enquanto o Congresso discute retirar essa obrigação exclusiva.

Caso a despesa volte ao regime geral dos encargos do setor elétrico, parte dela poderá chegar aos consumidores. A Abrace, que representa grandes consumidores de energia, estima que o custo do armazenamento possa variar de R$ 3 bilhões a R$ 7 bilhões por ano, dependendo do volume contratado, com impacto potencial de até 4% nas contas em determinado cenário. Trata-se de uma estimativa da entidade, e não de uma projeção consensual do governo ou da Aneel.

Para o Polo Industrial de Manaus, isso cria uma situação particular. As fábricas podem ganhar uma nova oportunidade de produção ligada aos sistemas de armazenamento e, ao mesmo tempo, sentir no custo da eletricidade os efeitos do modelo escolhido para financiar o serviço.

Há também uma diferença importante entre os mercados. O leilão de dezembro foi desenhado para atender o Sistema Interligado Nacional e não significa que baterias serão instaladas diretamente nas comunidades isoladas amazonenses. Essas localidades são atendidas por leilões específicos. A conexão está no ganho de escala: quanto maior o mercado brasileiro de armazenamento, maior tende a ser a presença de fabricantes, fornecedores, integradores, financiamento e conhecimento técnico disponíveis também para projetos na Amazônia.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/09/Baterias-viram-disputa-bilion--ria-no-Brasil--No-Amazonas--tecnologia-entra-em-projetos-para-reduzir-depend--ncia-do-diesel-2.jpg)

Foto: Reprodução/Internet

Resumo redes: Primeiro leilão nacional de armazenamento pode destravar R$ 20 bilhões em investimentos, mas definição sobre quem pagará a conta ameaça o cronograma. No Amazonas, Estado com 92 sistemas isolados, baterias já aparecem em projetos híbridos e podem abrir uma nova frente industrial para o Polo de Manaus.