BioLinker capta R$ 8,4 milhões e vai instalar em Manaus laboratório automatizado para IA e produção de DNA

Estrutura será montada no Centro de Bionegócios da Amazônia, terá robôs importados e permitirá gerar dados em larga escala para treinar modelos de inteligência artificial; Empresa também quer reduzir dependência externa de grandes blocos de DNA

Mona Oliveira, fundadora e CEO da BioLinker, fala ao microfone durante evento em ambiente com iluminação cênica.
Fundadora e CEO da BioLinker, Mona Oliveira | Foto: Reprodução/Startups

Manaus será a base de uma nova etapa da BioLinker, empresa brasileira de biotecnologia criada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP). A companhia captou R$ 8,4 milhões e vai direcionar os recursos à instalação de um laboratório automatizado no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), com equipamentos robotizados, geração de dados em grande escala para inteligência artificial e capacidade voltada à produção de DNA. As informações são do site Startups.

A maior parte da rodada, R$ 7,2 milhões, veio de um fundo da Axcell, aceleradora criada em 2022 e focada em negócios ligados à Amazônia, com mais de 30 empresas no portfólio. Os R$ 1,2 milhão restantes são provenientes do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), Fase 2, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O investimento não marca apenas a chegada física da BioLinker à capital amazonense. A empresa já abriu uma filial em Manaus e está incubada no CBA. Como contrapartida ao aporte, assumiu metas de crescimento na região amazônica, movimento que, segundo a companhia, já fazia parte da estratégia por sua atuação relacionada à biodiversidade brasileira.

Robôs para acelerar testes e alimentar a IA

O espaço no CBA possui um pré-laboratório que será reformado pela BioLinker. A empresa pretende importar robôs para automatizar parte das atividades e implantar uma estrutura de triagem em alta escala, conhecida no setor como high throughput screening.

Na prática, a tecnologia permite executar um grande número de testes de maneira automatizada e gerar um volume elevado de informações. Esses dados serão usados pela companhia para treinar modelos de inteligência artificial aplicados às atividades de biotecnologia.

Fundadora e CEO da BioLinker, Mona Oliveira explica que justamente a produção de dados está entre os pontos mais caros do desenvolvimento tecnológico da empresa.

“A obtenção de dados na velocidade de que precisamos para treinar modelos exigiria muito mais capital, e a rodada foi consolidada pensando justamente nisso”, disse ao Startups.

Segundo Mona, a estrutura planejada para Manaus será o único laboratório do país com esse tipo de tecnologia. A afirmação é da executiva e está relacionada à configuração de triagem em alta escala que a companhia pretende instalar no CBA.

Produção de DNA entra nos planos

O laboratório também terá outra função estratégica: ampliar a autonomia da BioLinker na fabricação de grandes blocos de DNA. Hoje, segundo Mona, não existe no Brasil uma empresa produzindo esse material comercialmente em escala, o que mantém o mercado nacional dependente de importações.

“Hoje, no Brasil, ninguém produz isso. Existem algumas iniciativas acadêmicas que atendem à própria instituição, mas não há empresas produtoras de DNA, e o país depende totalmente de trazer esse material de fora”, afirmou.

A empresa pretende combinar essa capacidade com mecanismos de proteção dos dados genéticos utilizados em suas atividades. Mona também relaciona essa preocupação ao avanço da inteligência artificial na criação de moléculas e às discussões regulatórias para evitar aplicações voltadas ao desenvolvimento de vírus.

De proteínas à automação em Manaus

Fundada em 2018, a BioLinker nasceu para aplicar biologia sintética a problemas de pesquisa, diagnóstico e produção industrial. Sua principal atividade envolve a descoberta, o desenvolvimento e a fabricação de proteínas recombinantes, produzidas a partir de técnicas de engenharia genética.

A companhia afirma já possuir receita recorrente e financiar parte de sua expansão comercial com a própria operação. A nova rodada, porém, permitirá avançar justamente em uma etapa que exige mais capital: automatizar experimentos, gerar bases de dados maiores e acelerar o ciclo de desenvolvimento tecnológico.

Essa aproximação com Manaus ocorreu por meio do fundo da Axcell. De acordo com Mona, empresas instaladas na Zona Franca de Manaus direcionam recursos para inovação e uma das alternativas existentes é o investimento por meio de um fundo operado no âmbito do Programa Prioritário de Bioeconomia.

Segundo a executiva, o programa pode destinar aportes de até R$ 10 milhões para empresas de biotecnologia. O processo envolve negociação com o fundo, análise da empresa e aprovação por um comitê de investimento.

Rodada ainda busca investidor estrangeiro

Mesmo com os R$ 8,4 milhões já captados, a rodada permanece aberta. A BioLinker procura pelo menos um investidor internacional, mesmo que participe com um aporte menor.

A intenção é trazer um parceiro que possa ajudar a acelerar o ciclo de desenho, construção e teste da frente de inteligência artificial e também apoiar a preparação da próxima etapa de captação.

A empresa planeja realizar uma Série A no exterior em até dois anos.

Resumo redes: Dos valor captado, R$ 7,2 milhões vieram de fundo da Axcell ligado ao ecossistema amazônico e o restante do PIPE Fase 2, da Fapesp. A BioLinker já abriu filial em Manaus e pretende trazer robôs para uma estrutura no CBA capaz de acelerar testes, gerar dados e ampliar a produção de DNA no país.