Braga propõe novas áreas para fábricas, companhia aérea regional e fundo de crédito em reunião com setor produtivo no Amazonas
Encontro com representantes de bares e restaurantes, supermercados, construção civil e mercado imobiliário também tratou de mão de obra, infraestrutura, turismo, escala 6×1, apostas on-line e desenvolvimento do interior
O senador Eduardo Braga reuniu, em Manaus, representantes de quatro setores da economia amazonense para discutir medidas relacionadas à atração de investimentos, geração de empregos e melhoria do ambiente de negócios no estado.
Participaram do encontro dirigentes e empresários da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (Abrasel-AM), Associação Amazonense de Supermercados (Amase), Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM) e Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM).
Durante a reunião, as entidades apresentaram demandas envolvendo qualificação profissional, acesso a crédito, infraestrutura, turismo, logística e desenvolvimento econômico. Representantes também destacaram a atuação de Braga durante a reforma tributária e o diálogo mantido com os setores na discussão de mudanças com impacto sobre suas atividades.
Áreas para novas fábricas em Manaus
A disponibilidade de terrenos para novos investimentos foi um dos assuntos discutidos. Braga afirmou que empresas têm procurado áreas para instalação ou ampliação de fábricas e defendeu que Manaus esteja preparada para receber esses projetos.
Uma das possibilidades citadas pelo senador é o aproveitamento de áreas pertencentes à União próximas ao Aeroporto Internacional de Manaus. O tema foi relacionado à necessidade de criar espaço para novos empreendimentos vinculados à Zona Franca de Manaus.
Na área de infraestrutura, Braga também apontou a necessidade de melhorar os acessos aos portos privados e a circulação de carretas no Distrito Industrial, além de dar continuidade à discussão sobre alternativas viárias como o Anel Leste.
Companhia aérea regional e mais conexões
A conectividade aérea entrou na pauta a partir das demandas do setor de bares e restaurantes. A Abrasel-AM destacou a gastronomia e os produtos amazônicos como ativos capazes de ampliar a atividade turística no estado.
Braga defendeu o aumento da oferta de voos entre Manaus e os municípios do interior e citou a possibilidade de aproveitar conexões internacionais pela região das Guianas, incluindo Caiena, no território da Guiana Francesa, além de Suriname e Georgetown, na Guiana.
Entre as propostas apresentadas pelo senador estão a criação de uma companhia aérea regional e a adoção de regras de céus abertos para a Amazônia. A ideia é ampliar a conectividade e, a partir dela, estimular atividades relacionadas a hotéis, restaurantes, transporte, comércio e serviços.
Empresas relatam dificuldade para contratar mão de obra
A falta de profissionais qualificados apareceu entre as preocupações apresentadas pelos empresários. Como resposta, Braga defendeu maior participação do setor produtivo na definição dos cursos oferecidos por instituições do Sistema S, especialmente Senai e Senac.
A proposta é aproximar a formação profissional das vagas efetivamente disponíveis nas empresas. O senador também citou o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) como instituições que podem participar desse processo.
Outro ponto discutido foi a relação entre emprego formal e programas sociais. Segundo Braga, parte dos trabalhadores ainda acredita que a assinatura da carteira de trabalho provoca automaticamente a perda de benefícios. Ele defendeu maior divulgação das regras para reduzir a desinformação sobre o assunto.
Escala 6×1 entra na discussão
Representantes do comércio também questionaram o senador sobre as propostas em discussão no Congresso para alterar a chamada escala 6×1.
Braga declarou apoio à redução da jornada de trabalho e à ampliação do descanso semanal, mas afirmou que uma mudança nas regras precisa considerar as características de atividades que funcionam em horários diferenciados ou de forma contínua, como supermercados, bares, restaurantes e shopping centers.
A posição acompanha a atuação recente do senador no Congresso. No início de setembro, ele apoiou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado a proposta que reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de repouso semanal remunerado. Braga também anunciou a intenção de discutir regras específicas para setores com funcionamento contínuo.
Apostas on-line preocupam empresários
As apostas on-line também apareceram entre as preocupações levadas ao encontro. Empresários relataram impactos das bets sobre o orçamento das famílias e, consequentemente, sobre o consumo, além de reflexos percebidos nas relações de trabalho.
Braga disse ser contrário ao modelo atual de funcionamento desse mercado e defendeu mudanças na regulamentação das plataformas.
A Abrasel-AM incluiu o tema entre as propostas formalizadas ao senador, juntamente com questões relacionadas ao segmento de alimentação fora do lar, turismo e acesso a crédito.
Logística para produtos do interior
O desenvolvimento econômico dos municípios amazonenses foi tratado principalmente a partir da necessidade de melhorar a infraestrutura necessária para escoar a produção e alcançar novos consumidores.
Braga citou investimentos em portos, aeroportos, conectividade e logística como instrumentos para ampliar o acesso dos empreendedores do interior a mercados fora de seus municípios.
Produtos regionais como guaraná e castanha foram usados como exemplos de mercadorias que podem ampliar a presença em outras regiões do Brasil e no exterior com apoio do comércio eletrônico e de uma estrutura logística capaz de atender aos produtores.
Fundo garantidor para pequenos negócios
No campo do financiamento, Braga apresentou a proposta de criação de um fundo garantidor voltado a micro e pequenas empresas.
O instrumento teria como objetivo facilitar o acesso ao crédito por empreendedores que encontram dificuldades para apresentar as garantias normalmente exigidas pelas instituições financeiras. Comércio, serviços, agricultura familiar e pequenas atividades industriais estão entre os segmentos citados.
Ao final do encontro, as entidades entregaram documentos com suas demandas. Além das propostas da Abrasel-AM, a Ademi-AM e o Sinduscon-AM apresentaram questões relacionadas a licenciamento, mercado imobiliário e habitação.
Resumo redes: Representantes de Abrasel-AM, Amase, Sinduscon-AM e Ademi-AM apresentaram demandas sobre infraestrutura, mão de obra, turismo e ambiente de negócios. Entre as propostas discutidas estão terrenos para novos empreendimentos, maior conectividade aérea, mudanças na formação profissional e garantia de crédito a pequenos negócios.