Brasil fecha agosto com superávit de US$ 7,4 bilhões; No Amazonas, importações bilionárias revelam força do Polo Industrial
País acumula saldo positivo de US$ 55,3 bilhões em 2026. No Amazonas, dinâmica é inversa: Estado já importou US$ 10,8 bilhões até julho, e 85% das compras são de insumos e bens intermediários usados pela atividade produtiva
A balança comercial brasileira fechou agosto com superávit de US$ 7,4 bilhões, sustentada pelo avanço das exportações. No mês, o país vendeu US$ 33,2 bilhões ao exterior, alta de 12,2% sobre agosto de 2025, enquanto as importações chegaram a US$ 25,8 bilhões, crescimento de 9,2%.
Entre janeiro e agosto, as exportações brasileiras somaram US$ 250,9 bilhões e as importações, US$ 195,5 bilhões. O saldo positivo chegou a US$ 55,3 bilhões, 28,2% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Considerando os últimos 12 meses, o superávit acumulado alcançou US$ 80,2 bilhões.
No Amazonas, porém, a leitura da balança comercial segue uma lógica bem diferente. O Estado compra muito mais do exterior do que vende, mas boa parte desse déficit está diretamente ligada à estrutura industrial da Zona Franca de Manaus: componentes, peças e matérias-primas entram no país para abastecer as fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM).
Amazonas já importou US$ 10,8 bilhões
Julho é o mês mais recente com dados estaduais consolidados. Só naquele período, o Amazonas importou US$ 1,83 bilhão e exportou US$ 120,85 milhões, movimentando US$ 1,95 bilhão no comércio exterior e fechando o mês com déficit próximo de US$ 1,7 bilhão.
De janeiro a julho, as importações chegaram a US$ 10,81 bilhões. O número ganha outra dimensão quando se observa o que está sendo comprado: aproximadamente US$ 9,22 bilhões, ou 85% do total, correspondem a bens intermediários utilizados pela indústria.
São componentes eletrônicos, peças, matérias-primas e outros insumos que entram no Estado para passar por algum processo produtivo. Em vez de serem simplesmente revendidos, grande parte desses itens segue para as linhas de fabricação do PIM e depois retorna ao mercado na forma de produtos acabados.
É aí que a balança amazonense se diferencia de economias fortemente voltadas à exportação de commodities. Um celular ou uma motocicleta produzido em Manaus e vendido em São Paulo movimenta a indústria, gera faturamento e mantém empregos no Amazonas, mas essa operação é doméstica e não aparece como exportação. De janeiro a junho, o PIM registrou cerca de R$ 121,8 bilhões em faturamento e média mensal de 130.903 empregos.
Por isso, o déficit comercial do Estado, isoladamente, diz pouco sobre o desempenho da atividade industrial.
Os quatro principais segmentos responderam por boa parte desse resultado: bens de informática representaram 22,01% do faturamento; duas rodas, 19,77%; eletroeletrônicos, 15,90%; e indústria química, 10,87%.
A escala de produção também ajuda a entender a necessidade de importação de insumos. Entre janeiro e junho, as fábricas instaladas em Manaus produziram mais de 1,15 milhão de motocicletas, motonetas e ciclomotores e aproximadamente 6,23 milhões de telefones celulares.
No agregado nacional, o aumento das vendas ao exterior ajuda a produzir superávit. Em Manaus, uma parcela importante da atividade começa justamente na direção contrária: mercadorias entram do exterior, são industrializadas e abastecem principalmente o mercado brasileiro.
Volume pode chegar perto de novo recorde
Os US$ 10,81 bilhões importados até julho também colocam 2026 em ritmo próximo aos maiores volumes já registrados pelo Amazonas. Em 2024, as compras externas alcançaram US$ 16,13 bilhões, maior valor anual da série apresentada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, a Sedecti. No ano seguinte, ficaram praticamente no mesmo nível, em US$ 16,06 bilhões.
Para ultrapassar o recorde de 2024, o Estado precisaria importar pouco mais de US$ 5,3 bilhões entre agosto e dezembro. O valor representa pouco mais de US$ 1 bilhão por mês, abaixo do volume de US$ 1,83 bilhão registrado apenas em julho.
Isso não significa que o recorde esteja garantido. O resultado dos próximos meses dependerá do ritmo das fábricas, da demanda brasileira, do câmbio e das condições logísticas no segundo semestre. Ainda assim, o volume já acumulado mostra que as compras externas permanecem em patamar elevado.
Custo dos insumos entra no radar
O resultado positivo da balança brasileira veio acompanhado de um movimento que interessa diretamente à indústria de Manaus. Relatório do Itaú apontou que os preços das importações subiram 11% em agosto sobre o mesmo mês do ano anterior, enquanto os preços das exportações avançaram 9,3%.
Na comparação mensal com ajuste sazonal, os termos de troca recuaram 2%. Para uma indústria em que boa parte das compras externas é formada por insumos de produção, essa diferença pode pesar nos custos.
Câmbio, frete e preço internacional de componentes interferem diretamente no valor pago pelas fábricas do PIM. Assim, um superávit maior para o Brasil não significa necessariamente um cenário mais barato para a indústria amazonense.
A própria queda das importações, dependendo do contexto, também não seria automaticamente uma boa notícia. Se vier acompanhada de menor compra de componentes e matérias-primas, pode indicar desaceleração das linhas de produção.
Resumo redes: País acumula saldo positivo de US$ 55,3 bilhões em 2026. No Amazonas, dinâmica é inversa: Estado já importou US$ 10,8 bilhões até julho, e 85% das compras são de insumos e bens intermediários usados pela atividade produtiva.