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# Brasil importa 43% menos fertilizantes em agosto, mas preço médio sobe 12,8% antes da safra 2026/27
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/brasil-importa-43-menos-fertilizantes-em-agosto-mas-preco-medio-sobe-12-8-antes-da-safra-2026-27/
- Published: 2026-10-06T16:26:00.000Z
- Updated: 2026-10-06T16:26:00.000Z
- Description: País compra no exterior cerca de 85% dos adubos que utiliza, deixando custos da produção agrícola expostos ao câmbio, frete marítimo, fornecedores e mudanças nas rotas internacionais
- Author: Redação
- Tags: Fertilizantes, #Instagram-ok, #Facebook-ok, #story-ok, #video-nao

A preparação para a safra 2026/27 começou com um sinal de atenção no custo de um dos principais insumos agrícolas. Em agosto, o Brasil importou 2,97 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes químicos, volume 43,2% menor que no mesmo mês de 2025\. Mesmo assim, o preço médio pago pelo produto subiu 12,8%, para US$ 403,20 por tonelada, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A pressão não apareceu apenas em agosto. Na comparação com os mesmos meses do ano anterior, o preço médio das importações aumentou 18,8% em julho, 26,2% em junho e 18,2% em maio. Entre janeiro e abril, outro levantamento, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), já havia mostrado redução de 4% no volume importado de fertilizantes nitrogenados e fosfatados, enquanto o valor desembolsado pelo país cresceu 16%.

### 85% dos fertilizantes vêm do exterior

O peso desses movimentos sobre a agricultura brasileira é ampliado pela dependência das compras externas. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), aproximadamente 85% dos fertilizantes consumidos no país são importados.

Na prática, o preço pago pelo produtor não depende apenas do valor negociado com o fornecedor. Câmbio, transporte marítimo, disponibilidade de navios, rotas utilizadas e prazo de entrega também entram na conta.

> “O fertilizante não chega ao Brasil com um preço determinado apenas pelo valor do produto na origem. Existe uma cadeia internacional por trás dessa operação. Câmbio, disponibilidade de transporte, frete marítimo, rota utilizada e prazo de entrega entram nessa conta”, explica Eudes Silveira, gerente de Desenvolvimento de Negócios e Produtos Internacionais.

Essa exposição também está concentrada em poucos mercados. Dados analisados pelo Banco Central mostram que, em 2025, a Rússia respondeu por 25,9% das importações brasileiras de fertilizantes e a China, por 18,8%. Países do Oriente Médio representaram outros 14,5%. Considerando apenas os fertilizantes nitrogenados, aproximadamente 22% das compras vieram dessa região.

Para Silveira, a concentração exige atenção não apenas aos preços, mas à capacidade de o produto chegar ao Brasil dentro do calendário necessário para o plantio.

> “Uma alteração de rota, redução da disponibilidade de transporte ou problema em uma região fornecedora pode modificar prazo e custo. Quando estamos falando de um insumo diretamente ligado ao calendário agrícola, previsibilidade logística também tem valor econômico”, afirma.

### Pressão aparece antes de safra de 366 milhões de toneladas

O aumento do custo acontece no momento em que o país se prepara para ampliar novamente a produção agrícola. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma safra de 366,6 milhões de toneladas de grãos em 2026/27, crescimento de 1,4% sobre o ciclo anterior.

A área plantada é projetada em 85,3 milhões de hectares, o que mantém elevada a necessidade de insumos ao longo da temporada.

Os números de importação, porém, não significam necessariamente falta de fertilizantes. O ponto de atenção está no custo de internalizar esses produtos e na necessidade de planejar as compras em um mercado fortemente dependente de fornecedores estrangeiros.

> “Quanto maior a dependência de poucos mercados, maior a exposição a acontecimentos que o importador brasileiro não controla. Trabalhar com alternativas de origem, planejamento de compra e antecedência logística não elimina a volatilidade internacional, mas reduz a exposição a decisões tomadas em cima da hora”, diz Silveira.

### Brasil tenta reduzir dependência

A dependência externa também motivou uma resposta de longo prazo. Em setembro, foi instituído o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), que busca ampliar a produção nacional, diminuir a dependência das importações e reduzir custos na cadeia agropecuária.

Até que uma expansão relevante da oferta doméstica aconteça, porém, boa parte da formação do preço continuará passando por fatores externos. Para a safra 2026/27, isso significa que câmbio, fretes, disponibilidade de fornecedores e tensões geopolíticas permanecem diretamente ligados ao custo de produção nas lavouras brasileiras.

- Leia também: [**Profert: programa que incentiva produção de fertilizantes vira lei e pode favorecer projeto em Autazes (AM)**](https://www.jornalopolo.com.br/profert-programa-que-incentiva-producao-de-fertilizantes-vira-lei-e-pode-favorecer-projeto-em-autazes-am/)

Resumo redes: O Brasil importou 2,97 milhões de toneladas de fertilizantes em agosto, enquanto o preço médio chegou a US$ 403,20 por tonelada. País compra no exterior cerca de 85% dos adubos que utiliza, deixando custos da produção agrícola expostos ao câmbio, frete marítimo, fornecedores e mudanças nas rotas internacionais.