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# Brasil precisa ampliar datacenters e reduzir dependência de big techs, defende professor Augusto Rocha
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/brasil-precisa-ampliar-datacenters-e-reduzir-dependencia-de-big-techs-defende-professor-augusto-rocha/
- Published: 2026-09-30T14:17:38.000Z
- Updated: 2026-09-30T14:17:38.000Z
- Description: No artigo "Nuvens estrangeiras, soberania em risco", Rocha argumenta que o país não dispõe hoje de grandes empresas nacionais nem de capacidade governamental suficiente para manter internamente todos os dados considerados estratégicos e sensíveis aos negócios brasileiros
- Author: Redação
- Tags: Opinião, #Instagram-ok, #Facebook-ok, #story-ok, #video-nao

O Brasil precisa ampliar a capacidade de armazenar dados dentro do próprio território e tratar essa infraestrutura como parte de sua estratégia de soberania. A avaliação é de Augusto César Barreto Rocha, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e diretor-adjunto da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), responsável pelas áreas de Infraestrutura, Transporte e Logística.

No artigo *Nuvens estrangeiras, soberania em risco*, Rocha argumenta que o país não dispõe hoje de grandes empresas nacionais nem de capacidade governamental suficiente para manter internamente todos os dados considerados estratégicos e sensíveis aos negócios brasileiros. Para ele, a mudança nas relações entre países e a crescente dependência das grandes plataformas de nuvem aumentam a necessidade de centros de dados instalados no Brasil.

O especialista chama atenção especialmente para os termos de uso adotados pelas grandes empresas de tecnologia. Na avaliação dele, quanto maior a dependência dessas estruturas, mais difícil pode ser uma eventual migração caso condições de acesso, armazenamento ou utilização sejam alteradas.

> “A soberania do presente e do futuro não será somente sobre o território físico, ela se estenderá pela dinâmica dos dados, das plataformas digitais e pelas relações de trabalho”.

## Cabos de dados entram na discussão sobre infraestrutura

Rocha relaciona o debate sobre armazenamento à infraestrutura responsável pela circulação das informações. Ele cita a disputa internacional pelo controle dos cabos submarinos e menciona os livros *Deep Connections: the Hidden Battle to Control Subsea Cables*, de Katja Bego, e *The Undersea War: the International Battle for the Supremacy at the Bottom of the World*, de Elisabeth Braw, previstos para o último trimestre de 2026 e resenhados pelo *Financial Times* em 26 de setembro.

Na Amazônia, essa infraestrutura assume características próprias. Cabos de comunicação são instalados sob o leito dos rios e, segundo o artigo, chegaram a interferir em operações de dragagem em 2024, quando uma dessas estruturas foi localizada durante os trabalhos. Para Rocha, tanto os ativos de transmissão quanto os de armazenamento precisam ser tratados como infraestrutura estratégica.

O professor relembra ainda o episódio de 2014 em que documentos divulgados pelo WikiLeaks apontaram monitoramento, pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), de telefones ligados à então presidente Dilma Rousseff e a integrantes do alto escalão do governo. Na avaliação dele, o caso já deveria ter provocado uma mudança mais ampla na forma como o país trata suas informações sensíveis.

## Software livre e dados estratégicos

Outra frente apontada no artigo é a redução gradual do espaço das políticas governamentais de incentivo ao software livre. Rocha cita a Portaria nº 46, de 28 de setembro de 2016, e avalia que, desde então, esse tipo de política perdeu força em meio à redução relativa dos custos das assinaturas oferecidas pelas grandes empresas de tecnologia e à menor atenção dada ao tema.

Ele defende uma revisão dessa postura principalmente em ambientes que lidam com informações estratégicas, como Forças Armadas, órgãos públicos nas diferentes esferas, empresas de defesa, instituições financeiras nacionais e mercado de capitais.

> “Precisamos reconsiderar esta postura nos vários ambientes que lidam com informações sensíveis”.

## Dependência também passa pelas plataformas

A discussão proposta por Rocha não se limita aos datacenters. O artigo também aponta para a dependência econômica criada por plataformas digitais que intermedeiam atividades como restaurantes, transporte, serviços profissionais e transações comerciais.

Na leitura do autor, parte do valor gerado nessas relações é apropriada por empresas controladas no exterior, o que amplia a discussão sobre autonomia digital para além da infraestrutura física.

> “Está na hora desta pauta entrar nos debates, para que tenhamos uma discussão de autonomia, ao invés de encontrar jeitos de entregar e transferir riquezas para o exterior a troco de nada ou quase nada”.

Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

*O artigo foi originalmente publicado pelo site Amazonas Atual e, em seguida, disponibilizado na sala de imprensa do Cieam.*

Resumo redes: Professor da Ufam e diretor-adjunto da Fieam, Augusto Rocha argumenta que o país não dispõe hoje de grandes empresas nacionais nem de capacidade governamental suficiente para manter internamente todos os dados considerados estratégicos e sensíveis aos negócios brasileiros. Ele também chama atenção para cabos de dados na Amazônia, políticas de software livre e dependência de plataformas controladas no exterior.