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# Brasil quer produzir 70% dos medicamentos e insumos usados pelo SUS até 2033
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/brasil-quer-produzir-70-dos-medicamentos-e-insumos-usados-pelo-sus-ate-2033/
- Published: 2026-08-25T15:01:09.000Z
- Updated: 2026-08-25T15:01:09.000Z
- Description: Hoje, a indústria nacional responde por cerca de metade da demanda; Meta busca reduzir a dependência de importações e fortalecer o complexo industrial da saúde
- Author: Redação
- Tags: Setor Farmacêutico, EMS, #instagram-ok, #story-ok, #facebook-ok, #video-nao

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo pretende elevar para 70%, até 2033, a parcela de medicamentos e insumos farmacêuticos utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) produzidos no país. Segundo ele, a indústria nacional responde hoje por cerca de metade dessa demanda. A declaração foi dada durante o Fórum Saúde, realizado em Brasília nesta quarta-feira (19), pela Esfera Brasil e a farmacêutica EMS.

O vice-presidente afirmou que a dependência brasileira de produtos importados é hoje um dos principais desafios do setor. 

> “Saúde é o segundo déficit da balança comercial brasileira. O primeiro é tecnologia da informação. Produzimos pouco e importávamos muito em uma área estratégica. Veja a Covid: faltavam respiradores. Foi feito um esforço e estamos chegando em 50% de produção nacional. A meta é até 2033 chegar a 70% no complexo industrial da saúde”, disse.

Alckmin também destacou a necessidade de ampliar a presença brasileira no mercado internacional e citou uma lei que autorizou o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a apoiar empresas exportadoras. 

> “O Brasil tem 2% do mercado do mundo, 1,9%. E 98% do mercado está fora do Brasil. Então temos que conquistar mercado, exportar mais”, pontuou.

Com o tema “Soberania e Tecnologia: Impulsionando a Indústria Nacional”, o Fórum reuniu no CICB representantes do governo, do Legislativo, do Judiciário, de órgãos reguladores e do setor produtivo para discutir políticas industriais, inovação, pesquisa, ambiente regulatório e capacidade produtiva na saúde.

Ao tratar do papel da Anvisa na abertura de mercados externos para a indústria brasileira, o diretor-presidente do órgão, Leandro Safatle, citou países como a Colômbia, que já passaram a considerar as avaliações da agência para agilizar registros de medicamentos, e o México deve seguir o mesmo caminho. 

> “Podemos ser uma peça fundamental na ampliação do comércio exterior”, disse. “Se somos uma agência de referência, é o caminho natural, e temos trabalhado para o reconhecimento de quem produz aqui, desenvolve aqui, e para um acesso mais rápido e facilitado aos principais mercados da região”.

A relação entre desenvolvimento tecnológico, autonomia produtiva e soberania sanitária foi destacada pelo ministro do STF Gilmar Mendes. Segundo o decano da Corte, a capacidade de produzir tecnologias essenciais precisa ser tratada como uma questão estratégica de Estado. 

> “Trata-se de questão fundamental com caminhos para o futuro do Brasil. É a promoção do desenvolvimento tecnológico da nossa indústria farmacêutica em prol da soberania sanitária, do crescimento econômico e do avanço na melhoria da saúde”.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o tamanho do mercado brasileiro reforça a necessidade de uma política industrial voltada também à capacidade de resposta a crises. 

> “O Brasil já é o oitavo maior mercado consumidor farmacêutico do mundo”, disse. “Precisamos ter uma política industrial capaz de nos colocar em condições de evitar, prevenir ou remediar uma crise que nos visite”.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou o tratamento dado à saúde na reforma tributária, com alíquota zero para as principais linhas de cuidado e redução de 60% na tributação dos serviços do setor. 

> “Reputo fundamental para a política de saúde do país que tenhamos avançado e cristalizado na reforma tributária alíquota zero para as principais linhas de cuidado de saúde do país. E destaco o tema dos serviços de saúde, com alíquota reduzida de 60%. Isso está na contramão do que defendemos em geral, diminuir as exceções, mas para o setor de saúde é fundamental um olhar diferenciado”.

Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou o avanço da capacidade brasileira na produção de medicamentos ao citar a caneta de semaglutida da EMS, cujo registro foi concedido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em maio. 

> “Há um ano, neste evento, me lembro de um protótipo dessa medicação, que não tinha registro ainda. Um ano depois, tem registro, consolidando a possibilidade de produção no Brasil. A caneta emagrecedora\] era um produto quase inacessível para a grande maioria da população brasileira”.

Presidente do Conselho de Administração do Grupo EMS, maior conglomerado farmacêutico do Brasil, Carlos Sanchez vê a ampliação dos investimentos em inovação como estratégica para a autonomia do Brasil em medicamentos e insumos. 

> “As pessoas vivem mais, precisam mais da indústria farmacêutica e, com essa organização global, passa a ser estratégico ser autossuficiente”, disse. “Estamos investindo muito em pesquisa. Este ano, dobramos esse investimento de 6% para 12% do nosso faturamento. Temos uma equipe com mais de 1,5 mil pesquisadores e mais de 150 PhDs”.

Para Camila Funaro Camargo Dantas, CEO da Esfera Brasil, a saúde é uma dimensão estratégica de uma política de desenvolvimento do país, na intersecção entre ciência, indústria, inovação e soberania. 

> “O Brasil não deve se fechar para o mundo, mas construir capacidade para participar do mercado global em melhores condições, com uma indústria capaz de inovar, competir e gerar valor a partir do conhecimento produzido no país. É essa visão de longo prazo, com articulação entre Estado, empresas, ciência e regulação, que o Fórum Saúde busca colocar em debate”.

Os debates concentraram-se em temas como o fortalecimento da indústria farmacêutica nacional, inovação regulatória e o uso de inteligência artificial na descoberta de medicamentos.