Cabotagem evita emissão de 15 mil toneladas de CO₂ na logística da Honda em Manaus

Resultado, obtido com o transporte de 3.649 contêineres, consta no Relatório de Sustentabilidade da empresa referente a 2025

Navio de carga transportando contêineres em um rio, simbolizando a cabotagem para a logística da Honda em Manaus
Foto: Criação/O POLO

A cabotagem evitou a emissão de mais de 15 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na operação logística da Moto Honda da Amazônia em 2025. O resultado foi obtido com o transporte de 3.649 contêineres utilizados no abastecimento da fábrica instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM), incluindo peças, insumos e racks retornáveis.

Os números aparecem no Relatório de Sustentabilidade 2025 da Honda, publicado no último dia 30. Segundo a fabricante, a redução foi calculada em comparação com a movimentação da mesma carga pelo modal rodoviário, considerando a metodologia do GHG Protocol, referência utilizada para contabilizar emissões de gases de efeito estufa.

O dado apresentado representa aumento: para fins de comparação, o Relatório de 2024 mostrava que mais de 11 mil toneladas de CO2 haviam sido evitadas na atmosfera. Assim, o resultado de 2025 traz um crescimento de aproximadamente 36,4%.

Principal meio de abastecimento

Mais do que uma alternativa logística, a cabotagem é apontada pela Honda como o principal meio de abastecimento da fábrica de Manaus. Na prática, parte dos materiais usados na produção chega à capital amazonense em navios que navegam entre portos ou pontos do território brasileiro.

Pela definição da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a cabotagem é a navegação realizada entre portos ou pontos do país, utilizando a via marítima ou uma combinação entre o mar e as vias navegáveis interiores. No caso de Manaus, o acesso à região também envolve a navegação pelos rios da Amazônia.

A movimentação informada pela Honda inclui ainda os chamados racks retornáveis, estruturas usadas para acomodar e proteger peças durante o transporte e que podem retornar à cadeia logística para novas utilizações. O relatório, entretanto, não apresenta quantos dos 3.649 contêineres levavam essas estruturas.

O uso do modal começa antes de a motocicleta entrar na linha de produção. A própria companhia descreve sua estratégia logística como um processo que vai do transporte dos insumos até Manaus ao posterior escoamento dos produtos para a rede de concessionárias. No dado ambiental divulgado, porém, a Honda menciona especificamente os contêineres utilizados no abastecimento da unidade.

Número equivale à retirada anual de milhares de carros, mas comparação exige cautela

As mais de 15 mil toneladas representam uma estimativa de emissões que teriam ocorrido caso a carga fosse movimentada por rodovia, e não uma medição direta de gases retirados da atmosfera.

Por essa razão, o resultado deve ser apresentado como emissões evitadas segundo o cálculo da Honda, e não como carbono capturado ou neutralizado. O relatório também não informa a distância rodoviária considerada, os fatores de emissão empregados em cada trecho ou a margem de precisão da estimativa.

Mesmo com essas limitações, o indicador ajuda a dimensionar o peso da logística aquaviária no funcionamento da unidade de Manaus. Em uma operação industrial distante dos maiores fornecedores e centros consumidores do país, a escolha do modal interfere no abastecimento da planta, no tempo de transporte e na pegada de carbono associada à movimentação de materiais.

Fábrica produziu mais de 1,5 milhão de motos em 2025

O fluxo logístico acompanha uma operação que fechou 2025 com mais de 1,5 milhão de motocicletas produzidas em Manaus, alta de 17% sobre o ano anterior e melhor resultado da fabricante desde 2011.

A companhia anunciou ainda um investimento de R$ 1,6 bilhão até 2029, que inclui a ampliação da capacidade produtiva da fábrica para 1,6 milhão de motocicletas por ano, além de novos produtos e melhorias nos processos industriais.

Resumo rede: A redução de CO2 foi calculada em comparação com o transporte rodoviário, usando a metodologia GHG Protocol. O Resultado consta no Relatório de Sustentabilidade 2025 da Honda, divulgado em 30 de julho de 2026. A cabotagem é o principal meio de abastecimento da fábrica da Honda em Manaus