Candidato ao governo de Goiás teme saída de indústrias e cita Zona Franca como destino de farmacêuticas na transição da Reforma Tributária
Segundo Marconi Perillo (PSDB), ZFM conseguiu preservar um tratamento tributário diferenciado; Suframa informou, em junho, seis novos projetos no setor de medicamentos
O candidato ao governo de Goiás Marconi Perillo (PSDB) afirmou que a principal preocupação do estado, diante da Reforma Tributária, deve ser evitar a saída de indústrias já instaladas. Durante sabatina promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), nesta quarta-feira (16), ele citou a Zona Franca de Manaus como exemplo de região que conseguiu preservar um tratamento tributário diferenciado e afirmou que empresas do setor farmacêutico podem direcionar investimentos para o Amazonas.
“Não é como atrair novas indústrias, mas como não perder as atuais indústrias goianas”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Vocês já devem ter ouvido falando que industriais pretendem ir embora daqui. Eu estou preocupado”.
A avaliação está ligada à mudança na forma como os estados poderão usar incentivos tributários para atrair e manter empresas. Hoje, boa parte desses benefícios é concedida por meio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Com a Reforma Tributária, o ICMS será gradualmente substituído pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), reduzindo ao longo da transição o espaço para esse tipo de incentivo estadual.
Essa mudança, porém, não ocorrerá de uma só vez em 2027. A redução do ICMS e dos benefícios vinculados ao imposto começa efetivamente em 2029 e segue até 2032. Em 2033, o ICMS deixa de existir no novo sistema.
Zona Franca entra na comparação
Ao criticar a posição de Goiás durante a tramitação da Reforma Tributária, Marconi colocou o Amazonas como contraponto. Segundo ele, enquanto Goiás perdeu capacidade de manter parte de seus instrumentos de incentivo, a Zona Franca preservou mecanismos específicos.
“Goiás cochilou, Goiás dormiu em berço esplêndido e cochilou. Enquanto Amazonas nadou de braçada na Reforma Tributária. Eles mantiveram a Zona Franca de Manaus. E é para lá que vão as principais indústrias farmacêuticas”.
A Reforma Tributária realmente preservou um tratamento específico para a Zona Franca de Manaus. A partir de 2027, por exemplo, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) terá alíquota zerada para quase todos os produtos do país, mas será mantido nos casos necessários para preservar a competitividade dos bens industrializados na ZFM. O novo sistema também prevê tratamentos próprios com o IBS e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
A declaração de Marconi sobre a indústria farmacêutica também ocorre em um momento de aumento do interesse desse setor pelo Polo Industrial de Manaus. Em 2026, a Suframa passou a acompanhar novos projetos e expansões farmacêuticas, entre elas está a Hypera Pharma, que investe aproximadamente R$ 82 milhões para instalação de uma unidade da Brainfarma na capital amazonense.

Segundo o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, o setor farmacêutico passou a figurar entre as principais apostas de expansão da Zona Franca de Manaus. Até 2025, havia apenas uma fábrica de medicamentos instalada no modelo: a Novamed, do Grupo EMS. Em junho de 2026, seis novos projetos já estavam aprovados para o setor.
Incentivos entram no centro do debate industrial
Marconi também defendeu a continuidade de instrumentos de estímulo ao setor produtivo.
“Eu não tenho vergonha de defender os incentivos fiscais. Eu tenho é coragem. O que está em jogo não é ideologia. O que está em jogo é o futuro de vocês”, disse durante o encontro.
Essa preocupação já vinha aparecendo em outras declarações do candidato. Em encontros anteriores com empresários, ele afirmou que Goiás pode perder indústrias à medida que a Reforma Tributária reduz a autonomia dos estados para conceder benefícios ligados ao ICMS. Em outra ocasião, citou São Paulo, Zona Franca de Manaus e Paraguai como possíveis destinos de empresas atualmente instaladas em Goiás.
Na abertura da sabatina da Fieg, o presidente da entidade, André Rocha, informou que a Federação preparou um documento com propostas e demandas da indústria goiana. O material foi elaborado com contribuições de 35 sindicatos industriais e dos conselhos temáticos da instituição e será apresentado aos candidatos ao governo estadual.
Marconi já governou Goiás por quatro mandatos e concorre novamente ao cargo pelo PSDB. A sabatina abriu o ciclo “Eleições 2026 | Diálogo com a Indústria”, criado pela Fieg para discutir com os candidatos temas relacionados a competitividade, investimentos e desenvolvimento industrial no estado.
Resumo redes: Segundo a Suframa, o setor farmacêutico passou a figurar entre as principais apostas de expansão da Zona Franca de Manaus. Até 2025, havia apenas uma fábrica de medicamentos instalada no modelo. Em junho de 2026, seis novos projetos já estavam aprovados para o setor.