Candidatos ao Governo do Amazonas apresentam propostas para Zona Franca, logística e novas matrizes econômicas

David Almeida, Omar Aziz, Roberto Cidade e Maria do Carmo Seffair participaram, nesta segunda-feira (14), do evento “A Indústria na Agenda dos Candidatos ao Governo do Estado do Amazonas”, promovido por Fieam e Cieam

Montagem com David Almeida, Omar Aziz, Roberto Cidade e Maria do Carmo Seffair falando ao microfone em evento da Fieam.
Fotos: Divulgação

A competitividade da Zona Franca de Manaus, os efeitos da Reforma Tributária, os gargalos logísticos e a busca por novas atividades econômicas para o interior estiveram entre os principais temas apresentados nesta segunda-feira (14) pelos candidatos ao Governo do Amazonas durante encontro com representantes da indústria.

David Almeida (Avante), Omar Aziz (PSD), Roberto Cidade (União Brasil) e Maria do Carmo Seffair (PL) participaram do evento “A Indústria na Agenda dos Candidatos ao Governo do Estado do Amazonas”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam).

Apesar de apresentarem caminhos diferentes, os quatro colocaram a manutenção da Zona Franca entre as prioridades. As propostas também passaram por acompanhamento permanente da Reforma Tributária, atração de novas indústrias, infraestrutura rodoviária e portuária, qualificação de trabalhadores e criação de alternativas econômicas fora de Manaus.

David Almeida: núcleo para a ZFM e pacto pela BR-319

David Almeida propôs criar o Núcleo Estadual de Competitividade da Zona Franca de Manaus, ligado à área de desenvolvimento econômico do Estado. A estrutura reuniria capacidade técnica para acompanhar a implementação da Reforma Tributária e assuntos relacionados a regulamentação, logística, infraestrutura, emprego, investimentos e inovação.

“Como governador, vou me unir à bancada parlamentar do Amazonas, buscar o diálogo permanente com o Governo Federal e acompanhar de perto a implementação da Reforma Tributária. Manter a competitividade da Zona Franca de Manaus, atrair novos investimentos e garantir a geração de empregos serão prioridades do nosso governo”, declarou.

Ao defender a proposta, David citou os mais de 130 mil empregos diretos existentes no Polo Industrial de Manaus e o faturamento de R$ 121,8 bilhões registrado no primeiro semestre deste ano.

“O PIM emprega diretamente mais de 130 mil trabalhadores e faturou R$ 121,8 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026. Estamos falando do principal motor econômico do Amazonas. Não podemos lembrar do modelo apenas quando surge uma ameaça em Brasília. Ela precisa de acompanhamento diário, inteligência econômica, capacidade de articulação política e uma agenda permanente de competitividade”, afirmou.

Na área de infraestrutura, o candidato relembrou intervenções realizadas durante sua passagem pela Prefeitura de Manaus. Segundo David, quando assumiu a administração municipal, em 2021, encontrou problemas nas vias do Distrito Industrial.

“Quando assumi a Prefeitura, o Distrito Industrial passava por um momento muito difícil em relação à infraestrutura viária. As empresas do Japão, da China que investem aqui no Amazonas, encontravam um Distrito Industrial com vias esburacadas”, recordou.

Ele afirmou que, após articulação com a Suframa, a Prefeitura assumiu a execução de um convênio e acrescentou aproximadamente R$ 29 milhões de recursos municipais ao projeto, além de incluir outras 11 avenidas. Entre as intervenções citadas estão o trecho urbano da BR-319 entre a Bola da Suframa e o Porto da Ceasa e a concretagem do encontro das avenidas Presidente Kennedy e Rodrigo Otávio, utilizado no transporte entre portos e fábricas.

Para ampliar as alternativas logísticas do Estado, David voltou a defender a pavimentação da BR-319. A proposta é formar um pacto entre Governo do Estado, Assembleia Legislativa e bancada federal para reunir recursos estaduais e emendas parlamentares em torno da rodovia.

“A BR-319 não será o projeto de um político, mas de toda a classe política. Assim, teremos uma alternativa para o escoamento da produção do Polo Industrial de Manaus”, ressaltou.

O candidato também defendeu que a preservação da floresta seja incorporada à estratégia econômica do Amazonas. “Nós não somos problemas para ninguém. Nós somos a solução para as mudanças climáticas e nós que protegemos a floresta precisamos ser remunerados efetivamente”, pontuou.

Omar Aziz: comitê permanente, portos e estágio pago pelo Estado

Omar Aziz também propôs uma estrutura permanente para acompanhar decisões capazes de afetar a Zona Franca. No caso do candidato do PSD, a ideia é formar um comitê com representantes da indústria, comércio e entidades empresariais para monitorar alterações na legislação e os efeitos da Reforma Tributária.

“Na nossa indústria não é diferente. Com essa mudança, nós vamos ter que criar um comitê permanente, com participação da sede das indústrias, da Federação das Indústrias, dos setores do comércio e da indústria”, salientou.

Omar argumentou que a garantia constitucional da Zona Franca até 2073 não elimina riscos decorrentes de mudanças infralegais que possam atingir a competitividade das empresas. “Não adianta estar tudo escrito para 2073 se, com um decreto ou uma portaria, nós perdemos competitividade”, alertou.

Segundo a proposta, o grupo teria acesso direto ao governo para apresentar problemas identificados pelas empresas e discutir respostas antes que eventuais mudanças produzam efeitos maiores sobre o modelo.

“Esse comitê precisa reunir entidades como Fecomércio, Fieam, representantes da indústria e pessoas com capacidade de montar esse grupo, chegar ao governador e discutir esse problema para que possamos agir”, afirmou.

Entre os temas que deverão ser acompanhados estão os mecanismos de compensação e os fundos previstos na transição da Reforma Tributária. Omar também defendeu novos investimentos em infraestrutura portuária para diminuir os impactos das estiagens sobre o custo do transporte de cargas.

“Você tem que incentivar a construir novos portos aqui, não tem jeito”, afirmou, ao defender uma logística que combine transporte fluvial, rodoviário e aéreo.

Outra frente apresentada pelo candidato foi a qualificação profissional. Omar propôs que o Estado trabalhe diretamente com as empresas para identificar as vagas e as habilidades demandadas pelo setor produtivo.

“Essa qualificação o Estado tem que fazer parceria com as empresas e com os representantes da indústria para que a gente possa colocar esse mercado de trabalho à disposição daquela pessoa que é qualificada”, apontou.

O plano inclui ainda o financiamento, pelo governo estadual, dos primeiros seis meses de estágio de jovens que ingressarem no mercado de trabalho.

“A nossa proposta é muito clara sobre isso: seis primeiros meses de estágio remunerado pelo Estado para que depois, se ele realmente fizer o papel dele, ele vai ter um emprego garantido”.

Roberto Cidade: novas indústrias e matrizes econômicas para o interior

Roberto Cidade defendeu a manutenção da Zona Franca como principal base econômica do Amazonas, mas afirmou que o Estado precisa ampliar a atração de empresas e criar outras matrizes capazes de gerar emprego e renda nos municípios do interior.

Durante a apresentação, o candidato citou resultados recentes do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam). Segundo ele, duas reuniões reuniram 125 projetos — 80 em uma delas e 45 em outra — com investimentos bilionários e previsão de mais de 5 mil empregos nos próximos anos.

“A nossa proposta é continuar reduzindo a pobreza em todo o Amazonas. Nós vamos avançar, mantendo um comitê permanente de diálogo com essas indústrias e ampliando também a conversa com a China e outros países em desenvolvimento para trazer mais indústrias para cá. É com diálogo, segurança e trabalho que vamos gerar mais emprego e renda para o nosso povo”, frisou.

Cidade apontou petróleo, mineração, terras raras e potássio como atividades capazes de ampliar a base produtiva do Estado. “Nós temos petróleo, nós temos minérios, nós temos terras raras, nós temos tudo que há de bom aqui no nosso Estado”, disse.

Para o candidato, o desafio é transformar esses recursos em oportunidades econômicas com geração de trabalho no interior.

“Nós precisamos identificar a forma de gerar emprego, gerar renda e vai ser isso que a gente vai fazer. Nós vamos planejar o nosso Estado para o futuro”, afirmou.

Cidade citou projetos em Silves e Autazes ao defender novas matrizes econômicas.

“Nós precisamos trazer outras matrizes para o Estado do Amazonas, como já está acontecendo em Silves, o potássio de Autazes. Nós precisamos identificar a forma de gerar emprego, gerar renda”, comentou.

Em outro momento, reforçou que a Zona Franca continuaria no centro da política econômica enquanto o Estado buscaria novas oportunidades fora de Manaus.

“O fator muito importante é a geração de emprego e geração de renda na Zona Franca de Manaus. Nós vamos ampliar e também buscar outras matrizes econômicas para o interior, assim como já está acontecendo em Silves e também em Autazes, onde, em breve, estaremos começando a exploração do potássio. Isso vai gerar emprego e renda”, destacou.

A diversificação, segundo Cidade, deve ocorrer associada à sustentabilidade e a estudos sobre as potencialidades de cada região do Amazonas.

“Nós vamos criar alternativas econômicas para que a gente possa dar toda a estrutura necessária, que é de competência do Governo, para trazer mais indústrias para cá, mantendo o nosso modelo mais exitoso, que é a Zona Franca de Manaus. Pretendemos fazer um estudo para que a gente possa explorar, com sustentabilidade, todo o Estado. O Amazonas precisa crescer ainda mais, gerar renda e criar oportunidades em todas as regiões”, concluiu.

Maria do Carmo: bioeconomia, agricultura e integração logística

Maria do Carmo Seffair defendeu uma revisão da estratégia de fortalecimento da Zona Franca de Manaus e a criação de novas frentes econômicas para o Estado. Entre os pontos apresentados estão segurança jurídica para o modelo, atualização dos incentivos e projetos de logística que integrem diferentes modais.

“A ZFM precisa de uma recauchutagem, uma revitalização na lei de incentivos, desenvolver projetos voltados à logística, que prevejam a integração de estradas, aeroportos e portos, e garantir a segurança jurídica do modelo Zona Franca”, pontuou.

A candidata também voltou a defender que a economia amazonense avance para além do Polo Industrial de Manaus, com maior participação do interior e desenvolvimento de atividades ligadas à bioeconomia, agricultura, piscicultura, agronegócio e produção de commodities.

“Quando a gente fala em Zona Franca, tem que pensar no todo, e não apenas no Polo Industrial de Manaus, porque o Polo Industrial já está consolidado, ele só precisa ser rejuvenescido, fortalecido com novos incentivos”, disse.

Sobre as novas matrizes citadas por Maria do Carmo destacou:

“Aqui, temos potencial para um polo naval, para a piscicultura e para atividades relacionadas ao segmento mineral, como fertilizantes e terras raras. Nós vamos incentivar essas atividades”.

Na área de infraestrutura, a proposta passa por um planejamento integrado de transporte, combinando estradas, aeroportos, portos, ramais e terminais fluviais. A ideia é reduzir custos e melhorar a conexão entre a capital, o interior e as áreas produtivas do Estado.

Resumo redes: David Almeida (Avante), Omar Aziz (PSD), Roberto Cidade (União Brasil) e Maria do Carmo Seffair (PL) participaram, nesta segunda-feira (14), do evento “A Indústria na Agenda dos Candidatos ao Governo do Estado do Amazonas”, promovido por Fieam e Cieam. Acesse jornalopolo.com.br e confira os principais pontos discutidos.