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# Caroço de açaí vira base de tecnologia para tratamento de água em programa da Samsung
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/caroco-de-acai-vira-base-de-tecnologia-para-tratamento-de-agua-em-programa-da-samsung/
- Published: 2026-09-25T15:04:26.000Z
- Updated: 2026-09-25T15:04:26.000Z
- Description: Projeto desenvolvido por quatro alunas de escola pública do Pará usa taninos extraídos da biomassa do fruto e automação com Arduino para buscar alternativas à recuperação hídrica em área de forte atividade mineradora
- Author: Redação
- Tags: Inovação, #Instagram-ok, #Facebook-ok, #story-ok, #video-nao

Quatro alunas da Escola Estadual de Ensino Médio Irmã Dulce, em Parauapebas, no Pará, chegaram à semifinal da 13ª edição brasileira do Solve for Tomorrow, programa de Cidadania Corporativa da Samsung voltado a estudantes e professores da rede pública.

Orientadas pelo professor Roberto Costa da Silva, as estudantes desenvolvem o projeto “Euterpe-Aqua: Da Biomassa do Açaí à Tecnologia de Recuperação Hídrica”. A proposta busca aproveitar os caroços de açaí descartados na região para produzir uma alternativa de origem vegetal capaz de contribuir para o tratamento de águas afetadas por resíduos minerais.

Segundo o professor, a ideia surgiu a partir da observação de um resíduo comum no cotidiano da comunidade.

> “O projeto nasceu de uma pergunta muito simples sobre algo que vemos sendo descartado todos os dias na comunidade. Uma das alunas começou a pesquisar o que poderia ser feito com o caroço do açaí e encontrou o tanino. A partir daí, elas perceberam que poderiam unir esse resíduo a uma problemática muito presente em nossa cidade e começaram a pensar em como criar um protótipo para fazer esse processo de extração e contribuir para a purificação da água”, explica Roberto Costa da Silva.

A equipe trabalha agora no desenvolvimento de uma usina piloto automatizada. O sistema usa tecnologia Arduino para controlar etapas como aquecimento e agitação da biomassa, além de programação para acompanhar o funcionamento do equipamento e aperfeiçoar o protótipo.

A aplicação está diretamente relacionada à realidade de Parauapebas, município marcado pela atividade mineradora. Nesse contexto, o tratamento de efluentes e a preservação da qualidade da água estão entre os principais desafios ambientais da região.

Ao pesquisar o uso de taninos extraídos do caroço de açaí, as estudantes buscam dar um novo destino a um resíduo abundante e, ao mesmo tempo, testar uma tecnologia que possa ser aplicada a outros locais com problemas semelhantes de qualidade da água.

Para Helvio Kanamaru, diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, o projeto também se destaca pela participação feminina na ciência e pela combinação entre tecnologia e sustentabilidade.

> “O protagonismo feminino científico nesse projeto de Parauapebas é muito forte. O desenvolvimento das habilidades dessas alunas acontece enquanto elas trabalham em uma alternativa, que nasceu para atender a diferentes desafios de um mesmo território. Ao transformar um resíduo abundante em matéria-prima para uma solução tecnológica, elas trabalham conceitos de ciência e automação ao mesmo tempo em que buscam responder a uma questão ambiental relevante para a região. É um exemplo de como o conhecimento pode ser aplicado para criar alternativas sustentáveis e gerar impacto positivo na comunidade”, afirma.

A diretora executiva do Cenpec, Beatriz Cortese, também destaca a conexão entre a pesquisa desenvolvida na escola e os problemas do território.

> “O Euterpe-Aqua mostra como a escola pública pode ser um espaço de investigação e produção de conhecimento profundamente conectado ao território. Ao transformar um resíduo presente no cotidiano em objeto de pesquisa e solução tecnológica, as estudantes articulam diferentes áreas do conhecimento para enfrentar um desafio ambiental de sua região”, ressalta.

Atualmente, a equipe está concentrada no aperfeiçoamento do protótipo e nos testes do processo de extração dos taninos. As estudantes também recebem mentorias do Solve for Tomorrow, usadas para revisar etapas do projeto, identificar pontos de melhoria e avançar no desenvolvimento da solução. Outro objetivo é investigar formas de aproveitamento dos resíduos que permanecem depois da extração.

Segundo Roberto Costa da Silva, o trabalho também mudou a forma como as estudantes enxergam a produção científica.

> “Elas estão percebendo que a ciência não está distante da realidade delas. Elas observam um problema, pesquisam, fazem descobertas, aplicam o conhecimento e pensam em como aquela solução pode beneficiar outras pessoas. O mais importante é que elas querem continuar investigando e aprimorando o projeto para que ele possa contribuir com a comunidade e com a região amazônica”, conclui.

## Programa cresceu em 2026

O Solve for Tomorrow Brasil é um programa global de Cidadania Corporativa da Samsung que incentiva estudantes do Ensino Médio de escolas públicas a desenvolver soluções para problemas reais por meio da abordagem STEM, que integra ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

No Brasil, a iniciativa tem coordenação geral do Cenpec e combina aprendizagem baseada em projetos, mentorias, capacitação, criatividade e trabalho em equipe.

Em 2026, o número de projetos inscritos cresceu 7,7% em relação ao ano anterior. A participação feminina aumentou 11%, considerando estudantes mulheres, enquanto o número de escolas quilombolas e instituições localizadas em áreas rurais avançou 3%.

Na América Latina, o Solve for Tomorrow já alcançou mais de 442 mil estudantes e professores de escolas públicas em 21 países.

O calendário desta edição prevê o anúncio dos dez finalistas em 16 de outubro. Entre 19 de outubro e 27 de novembro, as equipes selecionadas participarão de mentorias. A votação pelo Júri Popular será aberta em 23 de novembro, e os vencedores de cada categoria serão anunciados em 8 de dezembro.

Resumo redes: Estudantes de Parauapebas (PA) estão na semifinal do Solve for Tomorrow Brasil com uma usina piloto automatizada que aproveita caroços de açaí, hoje descartados, em testes voltados ao tratamento de águas impactadas por resíduos minerais. A iniciativa é apoiada pela Samsung e coordenada pelo Cenpec.