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# CEO da Anthropic, criadora do Claude, acusa indústria de esconder riscos da IA e pede desaceleração no avanço dos modelos. "É um sinal de aviso de que precisamos de abrandar"
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- Published: 2026-09-14T15:38:51.000Z
- Updated: 2026-09-14T15:38:51.000Z
- Author: Redação
- Tags: Inteligência Artificial, #video-nao, #Facebook-ok, #Instagram-ok, #story-ok

O cofundador e CEO da Anthropic (empresa norte-americana criadora do Claude), Dario Amodei, acusou empresas do setor de tecnologia de terem minimizado ou escondido durante anos os riscos associados à inteligência artificial. Em entrevista exibida neste domingo (13) no programa *Sunday Morning*, da CBS, o executivo afirmou que parte da indústria não foi transparente com o público sobre os perigos da tecnologia.

> “Não vos vou mentir. Existem perigos reais. E acho que durante muito tempo a indústria mentiu às pessoas sobre o facto de esta tecnologia ser arriscada. Nunca o fizemos \[na Anthropic\], mas grande parte da indústria sim”, afirmou Amodei à jornalista Jo Ling Kent.

A declaração ocorre em meio a uma nova ofensiva pública do executivo por regras mais rígidas e por uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados. No sábado, Amodei publicou o ensaio *We Must Pace the Frontier*, no qual defendeu que o avanço das capacidades de IA seja conduzido de forma mais lenta por razões de segurança. O texto recebeu apoio público de Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI.

Apesar do alerta, Amodei rejeita a ideia de interromper completamente o desenvolvimento da tecnologia. Segundo ele, o momento exige cautela, mas não pânico.

> “Não significa que tenhamos de entrar em pânico hoje. Não significa que tenhamos de desligar tudo. Mas diria que é um sinal de aviso. É um sinal de aviso de que precisamos de abrandar”.

Entre os riscos citados pelo executivo estão a perda de controle de sistemas de inteligência artificial, o uso da tecnologia em ciberataques e bioterrorismo e uma possível disrupção econômica de grande escala. No ensaio, ele também alertou para uma “corrida para o fundo” impulsionada por incentivos comerciais entre as empresas do setor.

Amodei também argumenta que a adoção de regras mais duras pode atingir a própria Anthropic no curto prazo. Segundo o executivo, a empresa já adiou lançamentos de modelos concluídos por questões de segurança. Para ele, porém, o ritmo atual de desenvolvimento atingiu um ponto em que os riscos passaram a exigir maior controle.

Ao mesmo tempo, o CEO rejeita uma proibição completa da inteligência artificial. Ele argumenta que uma interrupção total impediria benefícios potenciais da tecnologia, inclusive na área médica, e poderia deixar países democráticos em desvantagem caso outras nações continuassem avançando.

Outro ponto levantado por Amodei é a concentração de poder nas mãos de empresas privadas. O executivo afirmou considerar “estranho” que uma tecnologia com esse nível de impacto esteja sendo desenvolvida por companhias e disse se sentir desconfortável com esse cenário. Questionado sobre a possibilidade de transferir parte do controle para governos, disse que aceitaria discutir esse caminho diante de uma combinação adequada de países democráticos e mecanismos de monitoramento compartilhado.

A posição defendida pelo chefe da Anthropic, no entanto, encontra resistência política nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump e o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, já rejeitaram restrições federais obrigatórias que possam desacelerar o desenvolvimento da IA, sob o argumento de que o país precisa manter a liderança tecnológica diante da China.

A Anthropic também enfrenta desafios internos de infraestrutura. A empresa depende de capacidade computacional fornecida por serviços como Amazon Web Services e Google Cloud e, nos últimos meses, a demanda por sua API superou a capacidade disponível, levando a restrições de acesso e dificuldades de escala. No ensaio, o próprio Amodei reconheceu problemas de execução relacionados à velocidade com que o setor vem avançando.

### Ações caem

Os alertas de Dario Amodei sobre a necessidade de desacelerar o avanço dos modelos de inteligência artificial tiveram repercussão no mercado nesta segunda-feira (14), segundo a CNN Brasil. Ações de empresas ligadas à IA e à cadeia de semicondutores recuaram em diferentes bolsas, em meio ao temor de que uma eventual redução no ritmo de desenvolvimento afete expectativas de crescimento do setor.

Os futuros do Nasdaq caíam 1,3% durante o pregão asiático, enquanto a SoftBank, investidora da OpenAI, chegou a despencar 13,2% no Japão. Também houve perdas entre fabricantes de chips, como Kioxia, SK Hynix, Samsung Electronics e TSMC.

A preocupação dos investidores é que boa parte das avaliações dessas empresas dependa de uma combinação de demanda elevada e avanço tecnológico contínuo. Nesse cenário, qualquer sinal de desaceleração, justamente o que Amodei passou a defender publicamente, pode aumentar a pressão sobre ações de IA e semicondutores.

Resumo redes: “Não vos vou mentir. Existem perigos reais. E acho que durante muito tempo a indústria mentiu às pessoas sobre o facto de esta tecnologia ser arriscada. Nunca o fizemos \[na Anthropic\], mas grande parte da indústria sim”, afirmou.