Chinesa Anjun inclui Manaus em expansão logística de R$ 100 milhões no Brasil; Operação deve reduzir prazo e custo das entregas

Hoje, segundo a companhia, uma encomenda internacional leva entre 15 e 25 dias para chegar a Manaus. Com a nova estrutura, a estimativa é reduzir esse prazo para dois dias úteis na capital e para cerca de cinco dias nas cidades do interior acessíveis por rio

Trabalhadores com uniformes amarelos manuseiam pacotes em uma esteira rolante de triagem logística.
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A chinesa Anjun prepara para o fim deste ano o início de uma operação alfandegada em Manaus que pode mudar o caminho percorrido pelas encomendas internacionais antes de chegar ao consumidor amazonense. A empresa pretende desembaraçar cargas diretamente na capital, reduzindo a dependência de São Paulo e encurtando tanto o prazo quanto o custo das entregas. As informação do Valor Econômico.

Hoje, segundo o presidente-executivo da companhia, Tony Fang, uma encomenda internacional leva entre 15 e 25 dias para chegar a Manaus. Com a nova estrutura, a estimativa da empresa é reduzir esse prazo para dois dias úteis na capital e para cerca de cinco dias nas cidades do interior acessíveis por rio.

“Hoje uma encomenda leva de 15 a 25 dias para chegar a Manaus. Com o voo de Miami, que dura quatro horas e meia, e o desembaraço feito lá, quem mora em Manaus vai receber a compra do exterior no mesmo prazo que quem mora em São Paulo, ou até antes”, declarou.

A operação faz parte de um plano de investimento de R$ 220 milhões da Anjun no Brasil até 2027. Desse total, R$ 100 milhões serão destinados à unidade de negócios aeroportuária, que terá recintos alfandegados em Manaus, Recife e Brasília, dentro dos aeroportos ou nas proximidades.

Os recursos serão usados em equipamentos exigidos pela Receita Federal, como máquinas de raio X, e em sistemas automatizados de triagem. Para o manuseio de cargas em pista, a empresa avalia buscar parceiros ou até adquirir uma prestadora desse tipo de serviço.

Os outros R$ 120 milhões serão direcionados à expansão da unidade de entregas expressas. Segundo Fang, o capital vem de investidores chineses e brasileiros.

Frete pode cair de até R$ 30 para menos de R$ 10

A descentralização do desembaraço também é uma tentativa de reduzir um dos principais custos logísticos para Manaus: o transporte da carga depois que ela entra no país por São Paulo.

“Levar um pacote de um quilo de São Paulo até Manaus custa de R$ 25 a R$ 30. Se ele chega de avião e é entregue a partir de lá, a entrega local sai por menos de R$ 10”, disse Fang.

Na prática, a redução projetada supera 65%. Para a empresa, esse ganho pode ir além da logística e pressionar também os preços cobrados no varejo local.

Em Manaus, a Anjun ainda aguarda a conclusão de reformas antes de iniciar a operação. Recife começa a operar neste mês e Brasília, em outubro.

Operação deve gerar empregos

Cada galpão previsto pela empresa deve empregar cerca de 150 pessoas em dois turnos. Somadas as estruturas de Manaus, Recife e Brasília, a estimativa é de 400 a 500 empregos diretos.

A companhia projeta ainda cerca de 1,5 mil postos indiretos, principalmente entre transportadores e entregadores que prestarão serviços à Anjun.

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De pequenos pacotes a móveis e televisores

A expansão não ficará restrita às encomendas de pequeno porte.

“Hoje fazemos basicamente pacotes pequenos, de até 5 quilos. Queremos montar uma rede para volumes de 5 a 500 quilos, como móveis, cadeiras e televisores. O transporte desse tipo de carga entre Estados no Brasil ainda é incompleto, é quase um vazio”, afirmou Fang.

A proposta é oferecer também montagem na residência do consumidor.

“No Brasil, entregar e instalar custa muito caro. Queremos baixar esse custo a um nível que todos possam pagar”.

Shein, Shopee, Mercado Livre e AliExpress estão entre clientes

A Anjun chegou ao Brasil em 2019, depois de cerca de sete anos de atuação no Reino Unido e na França.

Até 2022, a empresa transportava encomendas em parceria com os Correios, que cuidavam do desembaraço e da entrega final. A rede própria começou a ser estruturada quando a Shein montou sua operação local e buscou um operador logístico no país.

Depois, passaram a integrar a carteira Mercado Livre, Shopee e AliExpress, que seguem entre os principais clientes da companhia.

A Anjun também presta serviços de armazenagem e entrega para empresas como Renner, a rede chinesa de chás e sorvetes Mixue e a fabricante de motos elétricas Yadea.

Fang afirma que a empresa enxergou no Brasil uma oportunidade diferente daquela encontrada na Europa.

“Na Europa, a logística já é muito desenvolvida, há muitos prestadores e a concorrência é feroz”.

Segundo ele, o mercado brasileiro combina escala, forte presença do comércio eletrônico e gargalos na infraestrutura logística.

“Uma população de escala, alta penetração do comércio eletrônico e dos celulares, mas uma infraestrutura logística atrasada em relação à da Europa, dos Estados Unidos e do Sudeste Asiático. Ninguém se dedicava à entrega de pacotes pequenos ao consumidor, e os preços eram altos”.
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Empresa quer crescer até 50% em 2027

A Anjun trabalha oficialmente com uma meta de crescimento entre 20% e 25% ao ano nos próximos três anos, mas Fang afirma que o ritmo recente tem sido maior.

“Em 2026, nosso negócio já mais que dobrou em relação a 2025. No ano que vem, devemos manter um crescimento de 30% a 50%”, afirmou.

Hoje, os clientes domésticos respondem por mais de 35% da receita da companhia no Brasil. A meta é superar 50% no próximo ano.

A empresa não divulga o faturamento no mercado brasileiro. Globalmente, o grupo registra receita de cerca de US$ 670 milhões.

Fang avalia que as remessas internacionais podem crescer com mudanças na tributação das compras de pequeno valor, mas afirma que o maior impulso deve vir do próprio comércio eletrônico brasileiro.

Rede também pode servir às exportações

A Anjun também pretende usar sua estrutura logística no sentido inverso, com apoio a empresas brasileiras interessadas em vender para o exterior.

“Não fazemos só importação. Queremos ajudar a indústria brasileira a vender para outros países da América Latina, para os Estados Unidos e para a China”, comentou Fang.

A empresa aposta em eficiência operacional, equipamentos e tecnologia para competir com operadores já consolidados e reduzir o custo do frete.

Fora do Brasil, a expansão já alcança países vizinhos. A Anjun possui projetos na Colômbia e investe em uma associação no Peru com a estatal chinesa Cosco Shipping.

Para Fang, o crescimento da companhia está ligado à diferença entre a capacidade produtiva chinesa e a demanda do mercado brasileiro.

“O Brasil exporta muita matéria-prima, como soja, café e milho, mas tem falta de bens de consumo. A China tem enorme capacidade de produção. Essa diferença de preço vai gerar cada vez mais oportunidades, e a logística precisa chegar antes”.
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Resumo redes: A empresa pretende desembaraçar cargas diretamente na capital, reduzindo a dependência de São Paulo. Hoje, segundo a companhia, uma encomenda internacional leva entre 15 e 25 dias para chegar a Manaus. Com a nova estrutura, a estimativa é reduzir esse prazo para dois dias úteis na capital e para cerca de cinco dias nas cidades do interior acessíveis por rio.