Cieam, Bombeiros e Defesa Civil discutem medidas de prevenção e fiscalização de incêndios; Ocorrências aumentam mais de 455% no Amazonas
Proteção dos trabalhadores e a manutenção das atividades industriais durante os episódios de poluição atmosférica entraram na pauta da Comissão de ESG
A proteção dos trabalhadores e a manutenção das atividades industriais durante os episódios de poluição atmosférica entraram na pauta do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) nesta segunda-feira (19). Em reunião da Comissão de ESG da entidade, representantes do setor produtivo, órgãos públicos e especialistas discutiram medidas de prevenção e contingência diante da estiagem e da fumaça que atinge a Região Metropolitana de Manaus.
Segundo o presidente executivo do Cieam, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, as indústrias têm buscado alinhar protocolos internos para enfrentar situações críticas de poluição, considerando os impactos sobre a rotina produtiva, a segurança dos trabalhadores e as condições do ambiente de trabalho. O encontro também abordou a necessidade de ações conjuntas para reduzir os riscos ambientais e evitar novas ocorrências.
A coordenadora da comissão, Régia Moreira, defendeu uma atuação mais integrada entre empresas, governo e sociedade civil. Ela também questionou a efetividade das penalidades aplicadas por irregularidades ambientais e destacou a importância de medidas que produzam resultados concretos.
“Realmente é muito, muito triste tudo isso que a gente está vivenciando. Na indústria, discutimos planos de ação e medidas preventivas para que nada disso aconteça, mas percebemos que é cada vez mais difícil atuar apenas com a prevenção isolada. Precisamos envolver a comunidade como um todo e o governo. Multas estão sendo aplicadas, mas precisamos garantir que sejam efetivas e que resultem em ações concretas, como embargos a propriedades e empresas irregulares, para proteger de vez a nossa sociedade e garantir nossa qualidade de vida”, ressaltou Régia.
Bombeiros registram aumento de mais de 455% nos incêndios
Durante a reunião, o subcomandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Borges, apresentou um balanço das operações realizadas no estado. Segundo ele, as ocorrências de incêndio cresceram mais de 455% em 2026, na comparação com o ano anterior, com quase 4 mil incêndios combatidos desde janeiro.
A estrutura de enfrentamento reúne 1.486 servidores em campo e 101 viaturas especializadas, entre caminhões com tração 4x4 e picapes equipadas. As operações também contam com brigadistas e aeronaves de grande porte da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O oficial atribuiu parte da gravidade da situação às condições climáticas atípicas associadas ao fenômeno El Niño e chamou atenção para uma mudança na distribuição dos focos de incêndio pelo estado.
“Estamos em guerra com esse nosso inimigo, que é o fogo. Todos os nossos esforços e pessoal estão focados no combate direto. Houve uma mudança de foco dos incêndios, que tradicionalmente se concentravam no sul do estado, mas que este ano migraram com força para o entorno da Região Metropolitana de Manaus, especialmente em municípios como Itacoatiara e Autazes”, ressaltou o Coronel Borges.
Qualidade do ar é monitorada em 62 municípios
Representando a Defesa Civil do Amazonas, o capitão Barroso explicou que o Centro de Monitoramento e Alerta acompanha as condições atmosféricas e a qualidade do ar em 62 municípios. Quando os indicadores atingem níveis críticos, o órgão envia alertas severos por SMS para orientar a população sobre os riscos da exposição à fumaça.
Segundo a Defesa Civil, o aquecimento do Oceano Pacífico tem provocado condições de bloqueio atmosférico que dificultam a dispersão da umidade e contribuem para temperaturas superiores a 35°C no leste amazonense. A ausência de chuvas e a forte radiação solar também favorecem a propagação dos incêndios, muitos deles associados à ação humana.
“A situação da qualidade do ar traz preocupação contínua. Emitimos alertas para que a população se proteja e priorize os grupos mais vulneráveis. Além disso, o decreto estadual que proíbe o uso do fogo está em vigor desde setembro, e reforçamos que o papel preventivo, associado à educação ambiental nas escolas e comunidades, é fundamental para mitigar esses eventos nos próximos anos”, pontuou o Capitão Barroso.
Outro tema discutido foi a gestão dos resíduos sólidos. O especialista Paulo Farias apresentou um levantamento sobre a legislação do setor e defendeu maior transparência e funcionamento efetivo dos sistemas estaduais de controle. Ele destacou que o descarte irregular e a presença de materiais inflamáveis em locais inadequados aumentam os riscos de combustão espontânea e podem agravar os episódios de fumaça nas áreas urbanas.
Resumo redes: Em reunião, Régia Moreira, coordenadora da Comissão Cieam de ESG, defendeu uma atuação mais integrada entre empresas, governo e sociedade civil. Ela também destacou a necessidade de medidas mais efetivas, além das já praticadas.