CMA CGM e DSV recorrem a óleo de cozinha usado para reduzir 12 mil toneladas de CO₂ no transporte marítimo
Acordo de dois anos utilizará a solução ACT+ e amplia as alternativas de frete de baixo carbono oferecidas pela operadora logística aos seus clientes
A utilização de biocombustíveis produzidos a partir de óleo de cozinha usado será a principal aposta de uma nova parceria entre a companhia de navegação CMA CGM e a operadora logística DSV para diminuir o impacto ambiental do transporte marítimo. Conforme informações divulgadas pelo site Mundo Logística, as empresas estabeleceram uma meta conjunta de redução de 12 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) ao longo de dois anos, por meio da substituição de combustíveis convencionais por alternativas de menor emissão.
Para alcançar o resultado, a DSV passará a utilizar a ACT+, solução de transporte marítimo de baixo carbono desenvolvida pela CMA CGM. A iniciativa prevê o emprego de biocombustíveis de segunda geração, obtidos a partir de óleo de cozinha usado, conhecidos pela sigla UCOME. A tecnologia integra as alternativas adotadas pelo setor de navegação para reduzir as emissões associadas à movimentação internacional de cargas.
O compromisso também amplia a relação comercial entre as duas companhias. Com a adesão, a DSV passa a integrar o grupo de clientes que incorporaram a ACT+ às suas estratégias ambientais, oferecendo novas possibilidades de transporte de menor emissão às empresas que contratam seus serviços.
A iniciativa está alinhada à meta da DSV de alcançar emissões líquidas zero até 2050, considerando tanto suas operações quanto toda a cadeia de valor. Para a companhia, o avanço da descarbonização logística depende da cooperação entre os diferentes participantes do comércio internacional, especialmente diante da necessidade de desenvolver alternativas que possam ser utilizadas em maior escala.
“Na DSV, reduzir as emissões nas cadeias de suprimentos globais exige uma forte colaboração e soluções escaláveis. Por meio de nossa parceria com a CMA CGM e do uso da solução ACT+, estamos expandindo o acesso a opções de transporte marítimo de menor emissão de carbono para nossos clientes. Este acordo reflete nosso compromisso compartilhado em avançar no transporte de baixo carbono e ajudar os clientes a atingirem suas metas de sustentabilidade”, disse Michael Hollstein, vice-presidente sênior de Produto Marítimo Global da DSV.
CMA CGM prepara frota de 200 navios com combustível duplo até 2031
O acordo com a DSV faz parte de uma transformação mais ampla na operação marítima da CMA CGM, que vem ampliando os investimentos em embarcações capazes de utilizar diferentes fontes de energia. A companhia projeta chegar a 2031 com aproximadamente 200 navios equipados com sistemas de combustível duplo, incluindo gás natural liquefeito (GNL) e metanol, com capacidade de utilizar alternativas energéticas de baixo carbono.
Um dos avanços mais recentes dessa estratégia ocorreu em 2026, com a incorporação do CMA CGM NOTRE DAME. Com capacidade para transportar 24.212 TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés —, a embarcação é considerada a maior atualmente em operação sob bandeira francesa.
O navio inaugura uma série de dez porta-contêineres de nova geração movidos a GNL, concebidos para ampliar a capacidade de transporte da companhia e integrar sua política de modernização da frota.
A adoção dessas tecnologias está associada à meta da CMA CGM de alcançar emissões líquidas zero até 2050. O planejamento combina a melhoria da eficiência energética das operações, a ampliação do uso de combustíveis de baixo carbono e o desenvolvimento de soluções em conjunto com clientes, fornecedores e outras empresas da cadeia logística.
Estratégia de descarbonização começou em 2017
A renovação energética da frota da CMA CGM teve um marco em 2017, quando o presidente e CEO da companhia, Rodolphe Saadé, decidiu investir na utilização de gás natural liquefeito como alternativa de propulsão para grandes navios porta-contêineres.
Três anos depois, em 2020, a empresa recebeu o CMA CGM Jacques Saadé, primeiro porta-contêineres do mundo com capacidade para 23 mil TEUs movido a GNL. A embarcação representou um avanço na adoção desse tipo de combustível em navios de grande porte.
O mesmo ano também marcou a criação da ACT, lançada por meio da CMA CGM+, plataforma de serviços complementares da companhia. A iniciativa abriu caminho para a oferta de soluções comerciais relacionadas à redução das emissões do transporte marítimo, posteriormente ampliadas com alternativas como a ACT+.
Parceria busca ampliar acesso ao transporte de baixo carbono
Além da renovação da frota, a CMA CGM considera a participação dos clientes um elemento importante para acelerar a adoção de combustíveis alternativos. Nesse contexto, o contrato com a DSV associa a oferta de serviços marítimos às metas ambientais das empresas que dependem do transporte internacional de mercadorias.
Amandine Paulet, vice-presidente e diretora comercial adjunta da CMA CGM, destacou que a parceria demonstra a importância da colaboração entre empresas para desenvolver uma logística mais resiliente e sustentável, sem deixar de oferecer serviços de alto desempenho.
“Temos orgulho de fazer isso com a DSV. Juntos, construindo o futuro do transporte marítimo”, afirmou.
Resumo redes: O acordo amplia o uso da solução ACT+ pela operadora logística e reforça a oferta de fretes com menor impacto climático para seus clientes. A armadora já incorporou em 2026 o CMA CGM NOTRE DAME, de 24.212 TEUs, primeiro de dez navios de nova geração movidos a GNL. Até 2031, planeja operar cerca de 200 embarcações bicombustíveis, enquanto as duas empresas buscam emissões líquidas zero até 2050.