Contrato bilionário da Sabesp atrai produção de hidrômetros inteligentes para Manaus

Projeto de R$ 3,8 bilhões para substituir 4,4 milhões de equipamentos em São Paulo impulsiona novas operações industriais na Zona Franca

Contrato bilionário da Sabesp atrai produção de hidrômetros inteligentes para Manaus
Foto: Divulgação

Um dos maiores projetos de modernização do saneamento do país começa a produzir efeitos também no Polo Industrial de Manaus. O contrato de R$ 3,8 bilhões firmado pela Sabesp com a Vivo para substituir 4,4 milhões de hidrômetros convencionais por modelos inteligentes está movimentando fabricantes internacionais na capital amazonense. Duas empresas já colocaram Manaus entre seus projetos.

A chinesa Kaifa, fornecedora dos hidrômetros utilizados no projeto, anunciou investimento de R$ 200 milhões para sua unidade na Zona Franca de Manaus, sob o nome de Intelligent Energy Metering Brazil. A previsão é fabricar até 600 mil itens em seu terceiro ano de operações.

Unidade da Kaifa na Malásia | Foto: Divulgação

A francesa Sagemcom, que já possui operação em Manaus, também avançou para a produção de hidrômetros digitais na Zona Franca, com projeto de diversificação estimado em R$ 49,9 milhões, segundo anúncio feito em 2025. Seu programa de produção estima 400 mil unidades em três anos.

Uma terceira fabricante acompanha o movimento no Brasil: é a lituana Axioma, que pretende iniciar a produção no país em 2027, mas ainda não definiu onde instalará sua unidade.

A empresa assinou memorando com Sabesp e M2M para o fornecimento inicial de 600 mil hidrômetros ultrassônicos inteligentes, com instalação prevista para 2027. Manaus aparece como uma possibilidade diante do movimento de outras fabricantes do setor.

Demanda de 4,4 milhões de equipamentos

O movimento das fabricantes acontece em meio ao projeto da Sabesp para modernizar a medição do consumo de água em São Paulo e São José dos Campos.

A concessionária pretende substituir 4,4 milhões de hidrômetros convencionais por equipamentos inteligentes. A execução será feita em etapas até 2029, embora exista previsão de conclusão antecipada em 2028.

O projeto é considerado o maior do mundo em internet das coisas, ou IoT, aplicado à medição de água.

A expectativa é que as novas fábricas tenham capacidade para produzir aproximadamente 1 milhão de equipamentos por ano cada.

As empresas também enxergam mercado além do contrato da Sabesp. A intenção é abastecer outros projetos de medição inteligente no Brasil e utilizar as operações instaladas no país para exportar hidrômetros para outros mercados da América Latina.

No caso de Manaus, a escolha está associada aos incentivos fiscais oferecidos pela Zona Franca e à estrutura industrial já existente na região.

O que muda com um hidrômetro inteligente

Diferentemente do equipamento convencional, o hidrômetro inteligente não depende da visita de um profissional para registrar o consumo. O aparelho mede o volume utilizado e transmite as informações remotamente pela internet.

No sistema que será adotado pela Sabesp, os dados serão enviados em intervalos de uma hora. O consumidor poderá acompanhar o consumo pelo aplicativo da concessionária.

A tecnologia também permite emitir alertas quando o consumo foge do padrão esperado e conta com mecanismo de proteção contra violações do equipamento.

Hidrômetros inteligentes começam a ganhar espaço

A adoção da tecnologia também começa a aparecer em outros projetos pelo país. Em Balneário Camboriú (SC), a Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa) iniciou, em parceria com a Vivo, testes com hidrômetros inteligentes conectados por NB-IoT. A primeira etapa previa a instalação de 15 equipamentos e, à época do anúncio, em outubro de 2025, havia perspectiva de aquisição de 5 mil unidades.

Os aparelhos permitem transmitir dados de consumo em intervalos de 15 minutos e identificar situações como vazamentos. O projeto, porém, não informa quem fabrica os hidrômetros nem estabelece qualquer relação entre esses equipamentos e as operações industriais de Manaus.

Foto: Emasa/Balneário Camboriú (SC)

Resumo redes: Projeto de R$ 3,8 bilhões para substituir 4,4 milhões de equipamentos em São Paulo impulsiona novas operações industriais na Zona Franca. Kaifa e Sagemcom confirmam projetos.