DIÁRIO DO POLO - 28/09/2026

Saiba como a nova base de cálculo da reforma tributária ameaça o PIM. Veja também: o impacto da seca no frete, dólar a R$ 5,20 e a decisão judicial que destrava o petróleo na região.

A SEMANA NO POLO

  • A in­dús­tria do Ama­zo­nas inicia a semana sob vi­gi­lân­cia direta da taxa de câmbio, após o fe­cha­mento da PTAX em R$ 5,20 no último pregão. O patamar eleva a pressão sobre os de­par­ta­men­tos de compras de com­po­nen­tes ele­tro­e­le­trô­ni­cos no momento em que as fá­bri­cas ace­le­ram o ritmo para as en­tre­gas de final de ano, exi­gindo uma gestão de caixa ex­tre­ma­mente ri­go­rosa para evitar a erosão das margens ope­ra­ci­o­nais.
  • O mo­ni­to­ra­mento da crise hídrica em Porto Velho e no Rio Madeira é pri­o­ri­tá­rio para os ges­to­res de lo­gís­tica nesta semana. A baixa na­ve­ga­bi­li­dade exige um pla­ne­ja­mento ri­go­roso de trans­bor­dos e o uso de portos de con­tin­gên­cia para evitar que o en­ca­re­ci­mento do frete de con­têi­ne­res com­pro­meta a com­pe­ti­ti­vi­dade do es­co­a­mento da pro­du­ção do Polo In­dus­trial de Manaus (PIM) rumo aos mer­ca­dos do Sudeste e Sul.
  • No campo po­lí­tico e ins­ti­tu­ci­o­nal, a agenda está voltada para a re­gu­la­men­ta­ção da reforma tri­bu­tá­ria em Bra­sí­lia. En­ti­da­des como CIEAM e FIEAM acom­pa­nham de perto o debate sobre a base de cálculo dos novos tri­bu­tos fe­de­rais, bus­cando ga­ran­tir que o di­fe­ren­cial com­pe­ti­tivo da Zona Franca não seja erodido por novas camadas de cu­mu­la­ti­vi­dade que podem surgir na tran­si­ção para o IBS e a CBS.

INDÚSTRIA E EMPRESAS DO PIM

  • Gigante dos ele­tro­do­més­ti­cos tem fábrica de R$ 1,5 bilhão no Sul do BR capaz de pro­du­zir 230 ge­la­dei­ras por hora. O in­ves­ti­mento massivo em au­to­ma­ção fora da ZFM serve de alerta para a com­pe­ti­ti­vi­dade das plantas de ele­tro­e­le­trô­ni­cos e linha branca em Manaus. A ca­pa­ci­dade de entrega e a alta pro­du­ti­vi­dade de con­cor­ren­tes ins­ta­la­dos no Sul exige que o polo in­dus­trial ama­zo­nense busque efi­ci­ên­cia ope­ra­ci­o­nal similar e acelere a adoção de tec­no­lo­gias da In­dús­tria 4.0 para com­pen­sar os crô­ni­cos custos lo­gís­ti­cos da região Norte. Fonte ↗

ZONA FRANCA E POLÍTICA

  • O fan­tasma da in­clu­são da CBS e do IBS nas bases de cálculo do ICMS, do ISS e do IPI. O debate ju­rí­dico sobre a base de cálculo dos novos tri­bu­tos afeta di­re­ta­mente o di­fe­ren­cial com­pe­ti­tivo dos pro­du­tos fa­bri­ca­dos no PIM. Es­pe­ci­a­lis­tas alertam que a cu­mu­la­ti­vi­dade tri­bu­tá­ria pode elevar o custo final das mer­ca­do­rias, re­du­zindo a efi­cá­cia dos in­cen­ti­vos fiscais da Zona Franca e equi­pa­rando os preços de Manaus aos de pro­du­tos im­por­ta­dos ou fa­bri­ca­dos em outras regiões sem os mesmos custos lo­gís­ti­cos. Fonte ↗

LOGÍSTICA AMAZÔNICA

  • IMPACTO: Seca pode en­ca­re­cer trans­porte de con­têi­ne­res e afetar Porto Velho. A crise hídrica impacta se­ve­ra­mente a rota fluvial-ro­do­vi­á­ria via Rio Madeira, es­sen­cial para o es­co­a­mento da pro­du­ção do PIM rumo ao centro-sul. O en­ca­re­ci­mento do frete de con­têi­ne­res e a ne­ces­si­dade de reduzir a carga nas bar­ca­ças pres­si­o­nam as margens de lucro das in­dús­trias jus­ta­mente no pico de pro­du­ção para o final de ano, exi­gindo que as em­pre­sas re­cal­cu­lem seus custos de dis­tri­bu­i­ção para evitar o de­sa­bas­te­ci­mento no varejo. Fonte ↗

ENERGIA E MINERAÇÃO

  • Juiz condena MPF por ‘má-fé’ em caso da Pe­tro­bras na Foz do Ama­zo­nas. A decisão ju­di­cial des­trava obs­tá­cu­los sig­ni­fi­ca­ti­vos para a ex­plo­ra­ção de pe­tró­leo na Margem Equa­to­rial, área es­tra­té­gica onde Manaus se po­si­ci­ona como o prin­ci­pal hub lo­gís­tico e tec­no­ló­gico. A sen­tença reduz a in­se­gu­rança ju­rí­dica para as em­pre­sas da cadeia de for­ne­ce­do­res de óleo e gás que pre­ten­dem se ins­ta­lar ou ex­pan­dir suas ope­ra­ções no Ama­zo­nas para dar suporte à nova fron­teira pe­tro­lí­fera. Fonte ↗
  • Governo Federal mantém sub­sí­dio de R$ 2,12 ao diesel até o dia se­guinte ao 2º turno. A ma­nu­ten­ção do sub­sí­dio ao óleo diesel alivia mo­men­ta­ne­a­mente os custos de lo­gís­tica pesada e es­co­a­mento fluvial no estado. A medida atua como um im­por­tante fator de con­ten­ção do Custo Ama­zo­nas em um período crítico de na­ve­ga­bi­li­dade re­du­zida, aju­dando a es­ta­bi­li­zar as pla­ni­lhas de frete das trans­por­ta­do­ras que atendem o Polo In­dus­trial. Fonte ↗
  • ‘Hoje, 100% do pe­tró­leo da Galp vem do Brasil’, dizem exe­cu­ti­vos da por­tu­guesa que investe na Margem Equa­to­rial. O in­te­resse de grandes pe­tro­lei­ras es­tran­gei­ras na Margem Equa­to­rial reforça o po­ten­cial de Manaus como centro de ser­vi­ços tec­no­ló­gi­cos e suporte es­pe­ci­a­li­zado. Para a eco­no­mia local, isso aumenta a pers­pec­tiva de novos fluxos de capital externo, geração de em­pre­gos de alta qua­li­fi­ca­ção e con­tra­tos de longo prazo para em­pre­sas de en­ge­nha­ria e lo­gís­tica se­di­a­das no estado. Fonte ↗

INOVAÇÃO E BIOECONOMIA

  • Car­na­úba, babaçu e umbu: bi­o­di­ver­si­dade nativa gera R$ 385 milhões ao Nor­deste. O sucesso da ex­plo­ra­ção bi­o­e­co­nô­mica em outras regiões do Brasil serve de re­fe­ren­cial para o gi­gan­tesco po­ten­cial ainda inex­plo­rado do Ama­zo­nas. O caso mostra que o pro­ces­sa­mento in­dus­trial de re­cur­sos da bi­o­di­ver­si­dade pode se tornar uma matriz eco­nô­mica robusta e com­ple­men­tar ao PIM, in­cen­ti­vando in­dús­trias de cos­mé­ti­cos e fár­ma­cos a ver­ti­ca­li­za­rem sua pro­du­ção com insumos da flo­resta. Fonte ↗

TRABALHO E QUALIFICAÇÃO

  • Sine oferta 911 vagas de emprego no co­mér­cio, in­dús­tria e serviço nesta segunda-feira. O ex­pres­sivo volume de vagas em aberto é um ter­mô­me­tro da ati­vi­dade eco­nô­mica local e da demanda ime­di­ata das linhas de mon­ta­gem por mão de obra. Para as fá­bri­cas do polo, a ma­nu­ten­ção deste fluxo de con­tra­ta­ções é es­sen­cial para ga­ran­tir o cum­pri­mento das metas de pro­du­ção do tri­mes­tre e sus­ten­tar o nível de consumo interno na capital ama­zo­nense. Fonte ↗

ECONOMIA DO AMAZONAS

  • O enorme mercado é o Brasil e que pode trans­for­mar a com­pe­ti­ção na arma das novas marcas. Novas fa­bri­can­tes de mo­to­ci­cle­tas estão mirando a ins­ta­la­ção em Manaus para ganhar com­pe­ti­ti­vi­dade na­ci­o­nal via in­cen­ti­vos da ZFM. Este acir­ra­mento da con­cor­rên­cia no Polo de Duas Rodas exige que as mon­ta­do­ras tra­di­ci­o­nais ace­le­rem seus cro­no­gra­mas de atu­a­li­za­ção tec­no­ló­gica e busquem ganhos de escala para pro­te­ger sua fatia de mercado. Fonte ↗
  • Dono da Mul­ti­la­ser defende fim da escala 6x1: “Inad­mis­sí­vel não ter des­canso na era da IA”. A mo­vi­men­ta­ção de uma li­de­rança de uma grande fa­bri­cante de ele­tro­e­le­trô­ni­cos si­na­liza novos debates sobre pro­du­ti­vi­dade e bem-estar no PIM. A dis­cus­são impacta di­re­ta­mente as re­la­ções tra­ba­lhis­tas e o pla­ne­ja­mento de turnos nas linhas de mon­ta­gem, tra­zendo à tona a ne­ces­si­dade de equi­li­brar au­to­ma­ção e qua­li­dade de vida. Fonte ↗
  • Le­o­nardo Di­Ca­prio cu­es­ti­ona el me­ga­proyecto au­rí­fero de Belo Sun en el Ama­zo­nas e in­ci­ende la alerta am­bi­en­tal. A pressão in­ter­na­ci­o­nal sobre pro­je­tos ex­tra­ti­vos eleva o rigor de com­pli­ance para todas as in­dús­trias ope­rando na região. As em­pre­sas de Manaus devem re­for­çar suas agendas de ESG para evitar riscos re­pu­ta­ci­o­nais globais que possam di­fi­cul­tar o acesso a mer­ca­dos ex­ter­nos e fundos de in­ves­ti­mento verdes. Fonte ↗
  • Plínio Valério destaca atuação em defesa do Ama­zo­nas durante debate. A ar­ti­cu­la­ção po­lí­tica em Bra­sí­lia con­ti­nua sendo o pilar de sus­ten­ta­ção ju­rí­dica da Zona Franca. O acom­pa­nha­mento das ban­ca­das par­la­men­ta­res é crucial para as­se­gu­rar que os di­fe­ren­ci­ais tri­bu­tá­rios do modelo não sejam di­lu­í­dos durante a fase de re­gu­la­men­ta­ção de novas leis fe­de­rais e da reforma tri­bu­tá­ria. Fonte ↗
  • LULA FORTALECE OMAR NO INTERIOR, WILSON ACENDE ALERTA PARA CIDADE. O ali­nha­mento po­lí­tico entre o governo federal e as li­de­ran­ças locais in­flu­en­cia di­re­ta­mente a li­be­ra­ção de re­cur­sos para in­fra­es­tru­tura e a pro­te­ção do modelo ZFM. Mu­dan­ças nas ali­an­ças podem alterar o tom da defesa dos in­cen­ti­vos fiscais do estado no Con­gresso Na­ci­o­nal e no Exe­cu­tivo Federal. Fonte ↗
  • As me­lho­res em­pre­sas para tra­ba­lhar no Brasil: veja quem está no top 100 de 2026. O ranking serve como um ben­ch­mar­king im­por­tante para os ges­to­res de RH das in­dús­trias de Manaus. Adotar prá­ti­cas mo­der­nas de gestão de pessoas e re­ten­ção de ta­len­tos é fun­da­men­tal para elevar a pro­du­ti­vi­dade e a com­pe­ti­ti­vi­dade do PIM frente a outros polos in­dus­tri­ais do país. Fonte ↗

COMÉRCIO E CÂMBIO

In­di­ca­dor Valor Va­ri­a­ção
PTAX USD/BRL (Venda) R$ 5,20 +0,38%
USD/BRL (Spot) R$ 5,19 -0,05%
EUR/BRL (Spot) R$ 5,90 -0,02%
SELIC 13,75% a.a. 0,00%

O avanço da PTAX para R$ 5,20 re­pre­senta um en­ca­re­ci­mento no custo de re­po­si­ção de com­po­nen­tes im­por­ta­dos, im­pac­tando di­re­ta­mente os setores de ele­tro­e­le­trô­ni­cos e de duas rodas do PIM. Embora o dólar spot tenha recuado mar­gi­nal­mente para R$ 5,19, o patamar elevado da moeda, somado à taxa Selic de 13,75% ao ano, mantém o custo do capital de giro oneroso para as fá­bri­cas que pre­ci­sam sus­ten­tar es­to­ques ele­va­dos durante o longo trân­sito lo­gís­tico e os de­sa­fios im­pos­tos pela seca nos rios.


PRESSÃO NO CUSTO DE ENERGIA

A matriz de custos ener­gé­ti­cos apre­sen­tou recuos im­por­tan­tes no cenário in­ter­na­ci­o­nal, com o pe­tró­leo Brent caindo -3,52% e o gás natural re­cu­ando -2,66%. O diesel também operou em queda leve de -0,57%. Para a in­dús­tria do Ama­zo­nas, a redução global dos com­bus­tí­veis oferece um alívio po­ten­cial para o frete in­ter­na­ci­o­nal e de ca­bo­ta­gem, embora o be­ne­fí­cio seja par­ci­al­mente neu­tra­li­zado pelos custos extras de­cor­ren­tes da baixa na­ve­ga­bi­li­dade dos rios re­gi­o­nais, que exige ope­ra­ções de trans­bordo mais caras.


O QUE MUDA PARA O AMAZONAS

  • Custos de Pro­du­ção: A PTAX em R$ 5,20 pres­si­ona as margens de lucro das mon­ta­do­ras de Manaus, ele­vando o custo de insumos im­por­ta­dos no en­cer­ra­mento do tri­mes­tre.
  • Se­gu­rança para Pe­tró­leo: A decisão ju­di­cial fa­vo­rá­vel à Pe­tro­bras na Foz do Ama­zo­nas reduz riscos para em­pre­sas de ser­vi­ços que pre­ten­dem se ins­ta­lar no hub de Manaus.
  • Alívio Lo­gís­tico: A ma­nu­ten­ção do sub­sí­dio ao diesel até o final de outubro garante es­ta­bi­li­dade tem­po­rá­ria nos fretes flu­vi­ais durante o pico da seca.
  • Com­pe­ti­ti­vi­dade Fiscal: O debate sobre a in­clu­são de CBS/IBS na base de outros tri­bu­tos coloca em risco o di­fe­ren­cial de preços dos pro­du­tos da Zona Franca perante o mercado na­ci­o­nal.
  • Mercado de Tra­ba­lho: A oferta de mais de 900 vagas via Sine con­firma a re­si­li­ên­cia do emprego in­dus­trial e co­mer­cial na capital ama­zo­nense neste en­cer­ra­mento de mês.

FECHAMENTO

A eco­no­mia do Ama­zo­nas inicia esta semana com sinais mistos, equi­li­brando a redução nos preços in­ter­na­ci­o­nais de energia com a pressão de um câmbio elevado que en­ca­rece insumos. A se­gu­rança ju­rí­dica con­quis­tada na ex­plo­ra­ção de óleo e gás e o vigor do mercado de tra­ba­lho local ofe­re­cem uma base sólida, mas a vi­gi­lân­cia sobre a reforma tri­bu­tá­ria e a lo­gís­tica da seca per­ma­nece como a pri­o­ri­dade número um para os exe­cu­ti­vos e ges­to­res do Polo In­dus­trial de Manaus.

Bom dia e bons ne­gó­cios.


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