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# Diesel da Petrobras está 20% abaixo da paridade de importação, aponta Itaú BBA
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/diesel-da-petrobras-esta-20-abaixo-da-paridade-de-importacao-aponta-itau-bba/
- Published: 2026-08-26T13:38:07.000Z
- Updated: 2026-08-26T13:38:07.000Z
- Description: Queda do petróleo e das margens internacionais de refino reduziu preços de referência; cenário chama atenção para os custos de transporte e abastecimento no Amazonas
- Author: Redação
- Tags: Energia, #Instagram-ok, #story-ok, #Facebook-ok, #video-nao

O preço do diesel praticado pela Petrobras está cerca de 20% abaixo da paridade de importação, segundo estimativas divulgadas pelo Itaú BBA nesta terça-feira (25). Em relação à paridade de exportação, a diferença é de aproximadamente 14%.

O movimento acontece após uma semana de queda nas principais referências internacionais do setor. Segundo o relatório, o preço do petróleo recuou 2%, enquanto as referências de diesel caíram 6% e as de gasolina, 9%.

No caso da gasolina, o cenário é diferente. O combustível vendido pela Petrobras estaria 19% abaixo da paridade de importação, mas cerca de 4% acima da paridade de exportação, de acordo com os cálculos do banco.

A diferença entre os preços domésticos e internacionais ganha relevância em estados com forte dependência logística, como o Amazonas. O diesel é um dos principais componentes de custo do transporte rodoviário e da movimentação de cargas que abastecem a indústria, o comércio e a cadeia logística regional.

Para o Polo Industrial de Manaus, a evolução do combustível influencia desde o transporte de contêineres entre os terminais portuários e as fábricas até a distribuição de produtos acabados e insumos dentro do estado.

### O que é a paridade de importação

A chamada paridade de importação representa uma estimativa de quanto custaria trazer o combustível do mercado internacional para o Brasil, considerando o preço do produto no exterior e outros componentes da operação.

Quando o preço doméstico fica muito abaixo dessa referência, a importação do combustível por agentes privados tende a perder competitividade.

Já a paridade de exportação procura estimar quanto o produtor receberia caso destinasse o combustível ao mercado externo.

Segundo o Itaú BBA, as referências utilizadas no levantamento funcionam como uma aproximação da faixa de preços considerada na estratégia comercial da Petrobras. O próprio banco ressalta que sua metodologia pode ser diferente daquela utilizada pela estatal, pela ANP ou por associações do setor.

### Mercado internacional perdeu força na última semana

A redução da diferença entre os preços internacionais e os valores cobrados no Brasil ocorreu principalmente pela queda das commodities e das margens de refino.

O Brent, referência internacional do petróleo, caiu cerca de 2% na semana analisada. O chamado crack spread — indicador utilizado para medir a margem entre o preço do petróleo e dos derivados — recuou aproximadamente 6% para o diesel e 9% para a gasolina.

Isso significa que, mesmo sem uma alteração nos preços praticados pela Petrobras, a queda das referências externas reduz automaticamente a distância entre o mercado brasileiro e internacional.

O movimento também mostra que uma queda do petróleo no exterior não necessariamente resulta em redução imediata do preço dos combustíveis nas refinarias brasileiras.

### Petrobras já fez reajustes em 2026

O levantamento do Itaú BBA também mostra uma sequência de alterações nos preços praticados pela Petrobras nos últimos anos.

Em 2026, o relatório registra uma alta de 12% no diesel em março e novo aumento de 31% em junho. Para a gasolina, aparece uma redução de 5% em janeiro e uma elevação de 19% no fim de maio.

Desde 2022, a frequência e a intensidade dos reajustes variaram significativamente.

De acordo com o histórico compilado pelo banco, as reduções no diesel tiveram tamanho médio de aproximadamente 6%, enquanto os aumentos foram, em média, de 15%. Na gasolina, as quedas também ficaram próximas de 6%, enquanto os reajustes positivos tiveram média de 12%.

### Impacto no Amazonas depende do preço na bomba

Embora o preço praticado pela Petrobras seja uma das principais referências da cadeia, ele não corresponde diretamente ao valor pago pelo consumidor final.

Até chegar aos postos ou às operações de transporte, entram na formação do preço componentes como tributos, margens de distribuição, revenda e custos logísticos.

Por isso, uma eventual mudança nas refinarias não necessariamente chega ao consumidor na mesma proporção.

No Amazonas, essa dinâmica é especialmente relevante porque a logística representa parcela importante do custo de circulação de mercadorias. A distância dos grandes centros produtores e a combinação entre transporte rodoviário e hidroviário aumentam a sensibilidade da economia regional ao preço dos combustíveis.

Para as empresas do Polo Industrial de Manaus, uma redução sustentada no diesel pode contribuir para aliviar custos de transporte. Por outro lado, preços domésticos muito abaixo da paridade internacional também podem reduzir o incentivo econômico à importação do combustível por agentes privados.

O comportamento do petróleo e das margens internacionais nas próximas semanas será determinante para saber se a diferença entre os preços praticados pela Petrobras e as referências externas continuará diminuindo.