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# Dono da Multilaser defende fim da escala 6×1 e diz que medida não compromete competitividade da indústria
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/dono-da-multilaser-defende-fim-da-escala-6x1-e-diz-que-medida-nao-compromete-competitividade-da-industria/
- Published: 2026-09-28T13:17:44.000Z
- Updated: 2026-09-28T13:17:44.000Z
- Description: Para Alexandre Ostrowiecki, os avanços da inteligência artificial e da automação tornam cada vez menos justificável manter a escala de trabalho
- Author: Redação
- Tags: Trabalho, #Instagram-ok, #Facebook-ok, #story-ok, #video-contexto, #video-nota-8, #video-erro, #video-auto

O presidente do conselho de administração da Multilaser, Alexandre Ostrowiecki, entrou no debate sobre a escala 6×1 defendendo o fim do modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de jornada para apenas um de descanso. Para o empresário, os avanços da inteligência artificial e da automação tornam cada vez menos justificável manter essa organização do trabalho, e uma mudança nesse formato não deveria ser tratada como ameaça central à competitividade da indústria brasileira.

Na avaliação de Ostrowiecki, a indústria enfrenta problemas mais relevantes para a formação dos preços e para sua capacidade de competir. Ele aponta a burocracia, os impostos incidentes sobre o consumo e os juros elevados como obstáculos de maior peso para as empresas do que uma mudança na jornada de trabalho.

> “Quem se preocupa com a competitividade do país deveria começar cortando os privilégios do Estado, não o descanso do trabalhador”, disse.

As informações constam em publicação da Folha de São Paulo.

## Gastos públicos entram na discussão

A defesa do fim da escala 6×1 aparece dentro de uma crítica mais ampla do empresário à estrutura de custos do país e às despesas públicas. Ostrowiecki, que há cerca de 15 anos participou da criação do Ranking dos Políticos, site de orientação liberal que reúne perfis de congressistas, defende que o próximo governo avance em mudanças estruturais nas contas públicas.

Entre as medidas citadas estão uma reforma administrativa, a desvinculação de despesas e a revisão de supersalários e penduricalhos. A avaliação é que o crescimento obrigatório dos gastos precisa ser enfrentado para aliviar a pressão fiscal e criar condições para uma redução dos juros.

> “O Estado brasileiro é o único agente da economia que nunca faz dieta. Quando falta dinheiro, ele aumenta a conta dos outros”, afirmou.

Para Ostrowiecki, sem esse ajuste, empresas e consumidores continuarão expostos a custos elevados de financiamento. A avaliação se conecta a uma preocupação recorrente do setor produtivo com o custo do capital e a carga tributária brasileira.

## Inadimplência pressiona consumo

O empresário também chamou atenção para o endividamento das famílias. Dados da Confederação Nacional do Comércio citados por ele indicam que 82% das famílias brasileiras possuem dívidas a vencer. Já a Serasa registrou quase 84 milhões de pessoas negativadas em agosto.

> “Não existe engenharia comercial que compense juro de agiota por muito tempo”, disse Ostrowiecki.

Na avaliação do empresário, a inadimplência reduz a capacidade de consumo e atinge diretamente o comércio dependente do crédito para movimentar estoques e sustentar as vendas. Ele relaciona uma melhora desse cenário à redução dos juros, que, por sua vez, dependeria de maior controle das despesas públicas.

Ostrowiecki não apresentou projeções para o comportamento da inadimplência nos próximos meses.

## Multilaser provisionou R$ 31 milhões ligados à Americanas

Ostrowiecki também detalhou a exposição da Multilaser à Americanas. A companhia provisionou aproximadamente R$ 31 milhões relacionados à varejista, montante equivalente a pouco mais de 2% de sua carteira de recebíveis.

O efeito sobre a empresa foi limitado porque a maior parte das vendas da Multilaser possui seguro de crédito. O mecanismo funciona como proteção contra perdas causadas pela inadimplência de compradores e reduz a exposição de fornecedores em situações de crise envolvendo grandes redes varejistas.

O caso reforça ainda a importância de instrumentos de proteção de crédito, diversificação de clientes e garantias para empresas que dependem de grandes compradores para escoar sua produção.

## Zona Franca é citada no debate sobre impostos

Com fábrica em Manaus, a Multilaser também entrou na discussão de Ostrowiecki sobre tributação e competitividade. O empresário citou a Zona Franca de Manaus como exemplo de um ambiente em que a indústria consegue competir, mas deixou claro que sua defesa não se limita à manutenção de vantagens tributárias concentradas na região.

> “Não defendo privilégio para Manaus, e sim redução geral nos tributos sobre o consumo”, declarou.

A proposta defendida pelo empresário é reduzir de forma ampla a tributação incidente sobre o consumo. Ele não especificou quais impostos deveriam ser diminuídos, mas sustentou a necessidade de uma reforma tributária capaz de reduzir esse peso sobre a atividade econômica.

Na leitura apresentada por Ostrowiecki, uma tributação menor poderia melhorar as condições de competição das empresas brasileiras diante dos produtos importados, além de estimular atividade econômica e geração de empregos.

Resumo redes: Para Alexandre Ostrowiecki, os avanços da inteligência artificial e da automação tornam cada vez menos justificável manter a escala de trabalho. “Quem se preocupa com a competitividade do país deveria começar cortando os privilégios do Estado, não o descanso do trabalhador”, afirmou.