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# Dragagem pode adiar em um mês restrições à navegação e reduzir risco logístico para Manaus, avalia diretor da Abac
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/dragagem-pode-adiar-em-um-mes-restricoes-a-navegacao-e-reduzir-risco-logistico-para-manaus-avalia-diretor-da-abac/
- Published: 2026-09-21T12:33:10.000Z
- Updated: 2026-09-21T12:33:10.000Z
- Description: Período mais crítico da vazante, antes previsto para começar em 24 de setembro, pode ser postergado se as intervenções mantiverem profundidade suficiente para a passagem dos navios
- Author: Redação
- Tags: Logística, #Instagram-ok, #Facebook-ok, #story-ok, #video-contexto, #video-nota-8

O diretor-executivo da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), Luis Fernando Resano, em análise publicada pelo Portos e Navios, afirmou que os trabalhos de dragagem em trechos estratégicos dos rios da Amazônia podem adiar em cerca de um mês o período mais crítico para a navegação até Manaus.

A restrição estava inicialmente projetada para começar em 24 de setembro, mas pode ser postergada caso as intervenções tenham o resultado esperado e os levantamentos batimétricos confirmem profundidade suficiente para a passagem dos navios.

Na prática, quanto mais tempo os navios conseguirem chegar a Manaus com calado adequado, menor tende a ser a necessidade de reduzir a quantidade de contêineres transportados. Esse é um ponto particularmente relevante para o Polo Industrial de Manaus, que recebe componentes, matérias-primas e outros insumos por via marítima e também utiliza a cabotagem para distribuir sua produção pelo país.

### Cada metro faz diferença

A perda de profundidade tem efeito direto sobre a capacidade dos navios. Em uma avaliação anterior, Resano calculou que uma redução de 1,5 metro no calado disponível pode obrigar uma embarcação com capacidade para cerca de 3,5 mil contêineres a deixar entre 600 e 800 unidades fora da viagem.

No limite superior dessa estimativa, a redução representa perto de 23% da capacidade do navio.

É justamente esse tipo de restrição que as dragagens procuram amenizar. A retirada de sedimentos ajuda a manter trechos navegáveis por mais tempo, enquanto a batimetria mostra, na prática, qual profundidade está disponível para a passagem segura das embarcações.

### Secas recentes mudaram a operação

O setor acompanha a vazante de 2026 com atenção depois das dificuldades registradas em 2023 e 2024.

Na seca de 2024, grandes navios chegaram a perder a possibilidade de seguir normalmente até Manaus. Parte da operação precisou ser transferida para Itacoatiara, onde as cargas eram descarregadas e colocadas em balsas para completar o trajeto até a capital.

A alternativa manteve parte do fluxo logístico, mas acrescentou uma etapa ao transporte e aumentou a complexidade da operação.

Essa experiência fez crescer a pressão por medidas tomadas antes de os rios chegarem aos níveis mais baixos. Em junho, Resano já defendia que as dragagens fossem planejadas antes da fase crítica da vazante.

Em agosto, a Agência iNFRA também registrou a preocupação de empresas e entidades com possíveis impactos mais fortes entre setembro e novembro e com a necessidade de intervenções em pontos considerados sensíveis para a navegação.

### Efeito pode chegar a outros portos

Uma restrição mais severa em Manaus não afeta apenas o Amazonas.

A cabotagem conecta a capital amazonense a portos de outras regiões e é um dos principais caminhos para a entrada de mercadorias e o escoamento da produção industrial local. Alterações nessa rota podem mudar prazos, volumes transportados e a programação de terminais em outros estados.

O Porto de Santos, um dos principais pontos dessa conexão com o Sudeste, também pode sentir mudanças no fluxo de cargas quando a navegação amazônica enfrenta limitações.

Por isso, o principal indicador para o setor nas próximas semanas será quanto tempo as dragagens conseguirão preservar condições adequadas de navegação. Se a projeção se confirmar, a fase mais restritiva da vazante poderá chegar mais tarde e com menor impacto sobre a logística de Manaus.

Resumo redes: Período mais crítico da vazante, antes previsto para começar em 24 de setembro, pode ser postergado se as intervenções mantiverem profundidade suficiente para a passagem dos navios.