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# El Niño pode ser um dos mais fortes desde 1950, alerta agência dos EUA
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/el-nino-pode-ser-um-dos-mais-fortes-desde-1950-alerta-agencia-dos-eua/
- Published: 2026-08-21T18:18:36.000Z
- Updated: 2026-08-21T18:18:36.000Z
- Description: Entre os efeitos associados ao fenômeno estão estiagens na Região Norte
- Author: Redação
- Tags: Meio Ambiente, #instagram-ok, #story-ok, #facebook-ok

A possibilidade de o atual El Niño alcançar intensidade muito forte aumentou nos últimos meses. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), agência federal dos Estados Unidos, agora estima em 93% a chance de o fenômeno atingir essa categoria entre setembro e novembro. A projeção vem sendo elevada desde a confirmação do El Niño. 

Em junho, a probabilidade era de 63% para o período entre novembro e janeiro. No mês seguinte, subiu para 81%, considerando outubro a dezembro. Na atualização mais recente, além dos 93% entre setembro e novembro, a NOAA aponta 90% de possibilidade de a condição extrema continuar até janeiro.

O El Niño ocorre a partir do aquecimento da superfície do Oceano Pacífico equatorial. Para ser classificado como muito forte, a temperatura precisa ficar mais de 2°C acima da média histórica.

Atualmente, o aquecimento está em 1,4°C. Apesar de ainda estar abaixo desse patamar, outro dado chama atenção: abaixo da superfície do oceano existem áreas com temperaturas até 10°C superiores ao normal.

A diferença é maior do que a observada em episódios anteriores. No El Niño de 2015-2016, por exemplo, essa região abaixo da superfície chegou a ficar 6°C acima da média.

Os registros históricos também mostram que eventos dessa intensidade são pouco frequentes. Desde o início da série, em 1950, o patamar de 2°C foi superado cinco vezes. O episódio mais recente ocorreu em 2023-2024\. Já o mais intenso foi registrado em 2015-2016, quando a anomalia de temperatura chegou a 2,6°C.

Diante do cenário atual, a NOAA projeta que o El Niño de 2026 pode ficar entre os mais fortes registrados desde 1950.

## Efeitos já aparecem em diferentes regiões

Chris Funk, diretor do Centro de Riscos Climáticos da Universidade da Califórnia, classifica o cenário como um “El Niño de início precoce”, cujos efeitos já aparecem em diferentes partes do mundo.

No Panamá, algumas regiões não registram chuvas intensas desde o começo de maio, apesar dos elevados volumes de precipitação normalmente observados no país. Na Etiópia, o atual verão está entre os mais secos das últimas quatro décadas.

Partes do Sudeste Asiático também enfrentam seca. A falta de chuva tem atrasado a semeadura de arroz e de outras culturas agrícolas.

No Brasil, o fenômeno traz risco para as safras, com possibilidade de reflexos sobre a inflação. Entre os efeitos associados ao El Niño estão estiagens nas regiões Norte e Nordeste e chuvas fortes no Sul. No Sudeste, podem ocorrer as duas situações.

## Governo discute resposta ao fenômeno

Diante das projeções, o Ministério do Meio Ambiente se reuniu na quarta-feira (19) com secretários estaduais da área para discutir uma atuação coordenada.

As preocupações envolvem medidas de combate a incêndios, reforço de infraestrutura e preparação do sistema de saúde para possíveis consequências das condições climáticas.

Em julho, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta regional apontando risco elevado de estresse térmico e desidratação, além do agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias e de arboviroses, como a dengue.

O último El Niño ocorreu em 2023-2024\. Em 2024, o Brasil registrou 5.873 mortes por dengue. O número superou a soma das mortes registradas nos oito anos anteriores, que chegou a 4.992\. Naquele período, alertas semelhantes haviam sido emitidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

*Com informações da Folha de São Paulo*