Electrolux recolhe 17 mil eletrodomésticos e mantém 95% dos materiais dentro da cadeia produtiva

Empresa diz que já trabalha para reintroduzir polipropileno (PP) e poliuretano (PU) recuperados na fabricação de novos eletrodomésticos

Dois entregadores descarregam uma máquina de lavar de um caminhão elétrico da Rodonaves em parceria com a Electrolux.
Foto: Divulgação

A Electrolux já recolheu mais de 17 mil eletrodomésticos por meio do Serviço de Coleta e Descarte Consciente, operação criada em 2022 para retirar aparelhos antigos no momento da entrega de um novo produto. O volume acumulado passa de 800 toneladas de resíduos e lixo eletrônico encaminhados para reciclagem.

Segundo a companhia, 95% dos materiais recolhidos são recuperados por meio de processos de reciclagem e manufatura reversa e retornam à cadeia produtiva. Entre os produtos mais presentes na operação estão as máquinas de lavar, que representam cerca de 60% de todo o volume coletado pelo programa até agora.

O serviço funciona integrado à própria logística de entrega da empresa. Quando o consumidor recebe um novo eletrodoméstico, o equipamento antigo pode ser retirado no mesmo frete, inclusive se for de outra marca. A estratégia evita viagens adicionais e aproveita a malha logística já utilizada pela companhia.

Depois da coleta, os aparelhos seguem para recicladoras parceiras, onde passam por desmontagem e triagem. Materiais como aço, plástico, cobre e outros metais são separados para reaproveitamento e podem retornar à indústria como matérias-primas secundárias.

No caso de refrigeradores e outros equipamentos com circuitos de refrigeração, o tratamento também precisa seguir procedimentos específicos para a retirada e destinação de gases. Segundo a empresa, o processo observa normas como a ABNT 15.833/2010.

Além do reaproveitamento dos materiais, a Electrolux afirma que o programa já evitou a emissão de mais de 113 toneladas de CO₂. Pelos parâmetros apresentados pela companhia, esse volume seria equivalente à retirada de 25 veículos de passeio das ruas por um ano, ao cultivo de 1,9 mil mudas de árvores durante uma década ou à redução de cerca de 450 mil quilômetros percorridos por um automóvel.

Para João Zeni, diretor de Sustentabilidade do Electrolux Group América Latina, a logística reversa precisa fazer parte da própria estratégia industrial.

“A economia circular é essencial em nossa estratégia de descarbonização e eficiência de recursos. No Electrolux Group, entendemos que o compromisso sustentável não se encerra no momento em que o produto chega à casa do consumidor; ele abrange todo o ciclo de vida útil. Ao facilitar o descarte correto de grandes aparelhos, transformamos o que seria resíduo em insumo valioso, provando que escolhas conscientes podem ser simples para o cliente e altamente estratégicas para a indústria e para a sociedade”.

O serviço completou quatro anos de operação no Brasil e foi lançado como uma frente adicional à logística reversa obrigatória de eletroeletrônicos. A companhia afirma que, desde a regulamentação nacional do sistema, em 2020, já coletou e tratou mais de 120 mil toneladas de eletrodomésticos, o equivalente a aproximadamente 3,5 milhões de produtos reciclados.

A operação também está ligada à meta global do grupo de usar 35% de aço e plástico reciclados em novos produtos até 2030. No Brasil, alguns modelos de lavadoras já utilizam plástico reciclado pós-consumo em componentes específicos. Na linha de aspiradores, determinadas famílias de produtos já superam 50% de conteúdo plástico reciclado.

Nas lavadoras Top Load fabricadas no país, a empresa informa que todas as embalagens utilizam 30% de resina reciclada pós-consumo.

A próxima etapa é ampliar o reaproveitamento de materiais dentro da própria fabricação de eletrodomésticos. A Electrolux afirma ter projetos em estágio avançado para fechar o ciclo de quatro insumos, com destaque para polipropileno e poliuretano.

“Enxergamos a logística reversa como um vetor fundamental de competitividade, inovação e segurança no abastecimento de matérias-primas. Já temos projetos em estágio avançado, em parceria com nossa rede de manufatura reversa, para fechar o ciclo de quatro materiais essenciais, com destaque para o polipropileno (PP) e o poliuretano (PU). O objetivo é incorporar esses insumos diretamente na produção de novos eletrodomésticos, reduzindo a dependência de recursos virgens e fortalecendo a resiliência do nosso ecossistema industrial”.

A Electrolux pretende manter uma média de aproximadamente cinco mil produtos recolhidos por ano e estuda ampliar a cobertura do serviço no país. A expansão também considera mudanças regulatórias e operacionais ligadas à logística reversa, como os avanços relacionados à Declaração de Conteúdo Eletrônica (DC-e).

Resumo redes: Empresa diz que já trabalha para reintroduzir polipropileno (PP) e poliuretano (PU) recuperados na fabricação de novos eletrodomésticos.