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# Entrada de aço chinês, inclusive pela Zona Franca, preocupa indústria e trabalhadores
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/entrada-de-aco-chines-inclusive-pela-zona-franca-preocupa-industria-e-trabalhadores/
- Published: 2026-09-03T16:04:02.000Z
- Updated: 2026-09-03T16:04:02.000Z
- Description: Em audiência na Câmara, setor relatou demissões e entrada do produto via Mercosul para burlar as taxas de importação
- Author: Redação
- Tags: Siderurgia, #Instagram-ok, #story-ok, #Facebook-ok, #video-nao

O aumento da importação de aço chinês ameaça a sustentabilidade das metalúrgicas brasileiras e representa concorrência desleal. O alerta foi feito por representantes de trabalhadores e de indústrias em audiência pública na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, na terça-feira (1º).

O Brasil mantém medidas contra a prática de dumping e cotas de importação para proteger o setor. Em fevereiro, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) fixou taxas para produtos chineses, como laminados planos a frio e aços revestidos.

Apesar dessas barreiras, debatedores denunciaram que o aço chinês entra no país por rotas alternativas. Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Odair Mariano da Silva, o produto passa por países vizinhos.

> “O aço entra pelos países do Mercosul para aproveitar o livre-comércio do bloco. Não há barreira nem fiscalização para conter essa entrada”, afirmou. 

O sindicalista lembrou que o setor registrou 5 mil demissões em 2025.

![Audiência Pública - Impacto da importação de aço na Siderurgia Nacional. Presidente - Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, de Material Eletrônico e de Informática, Odair Mariano da Silva.](https://www.camara.leg.br/midias/image/2026/09/img20260901170443711-768x473.jpg)

Odair Silva citou demissões no setor - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

### Diferença de custos e impacto nos municípios

Para o presidente do Sindicato das Indústrias, Jairo Rodrigues da Silva, a concorrência afeta a competitividade nacional. 

> “O Brasil exporta o minério de ferro bruto e o compra de volta industrializado, por um valor até 40% menor do que o produto nacional. É inconcebível o nosso minério voltar ao país mais barato do que o produzido pela indústria local”, destacou.

O presidente da Associação dos Processadores de Aço (Aproaço), Haroldo Cruz Filho, citou como exemplo o impacto no município de Pinheiral (RJ). A cidade tem 90% da sua receita dependente da fabricação de folha de flandres (aço revestido com estanho). Devido à entrada do produto importado, inclusive pela Zona Franca de Manaus, a arrecadação municipal caiu 30% em dois anos.

> “Países vizinhos importam o aço chinês e vendem produtos prontos para o Brasil, como latas de tinta e aerossóis. Isso destrói a nossa cadeia produtiva”, alertou Haroldo Cruz Filho.

![Audiência Pública - Impacto da importação de aço na Siderurgia Nacional. Dep. Max Lemos (UNIÃO-RJ)](https://www.camara.leg.br/midias/image/2026/09/img20260901170447796-768x473.jpg)

Max Lemos quer convidar ministros para debater o assunto após as eleições - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

### Panorama do setor e próximos passos

Atualmente, o Brasil possui cerca de 215 mil metalúrgicos atuando em 2,3 mil indústrias. A categoria tem média de idade de 40 anos, com 85% de homens e salário médio de R$ 3,5 mil.

O representante do Ministério do Trabalho e Emprego na audiência, Alexandre Furtado Scarpelli, confirmou que, embora a indústria brasileira geral mostre reação, o setor siderúrgico continua estagnado.

Autor do requerimento para a realização da audiência pública, o deputado Max Lemos (União-RJ) ressaltou que a crise pode provocar demissões em grande escala em áreas como a construção civil, a indústria automotiva e a infraestrutura.

> “Vou apresentar requerimentos de informação à Receita Federal e a outros órgãos para aprofundar os dados. Também convidaremos ministros de Estado para retomar o debate logo após o período eleitoral”, anunciou o deputado.

Resumo redes: Em audiência na Câmara, setor relatou demissões e entrada do produto via Mercosul para burlar as taxas de importação.