Estudo mostra que seca nos rios de Manaus pode elevar custo de contêineres em 147%

Documento foi apresentado à agência reguladora para subsidiar a decisão de parâmetros técnicos; Levantamento foi realizado pela A&M Infra, da consultoria Alvarez & Marsal a pedido da Abac

Embarcação de grande porte encalhada em banco de areia no rio Negro, em Manaus, durante período de seca severa.
Embarcação encalhada no rio Negro, em Manaus, em 2023 - Lalo de Almeida-20.out.23/Folhapress

A diminuição de profundidade nos rios usados para levar cargas a Manaus pode elevar em 147% o custo unitário de contêineres. Se o calado for menor de 3,2 metros, a capacidade de transporte cai 55% e o preço mais do que dobra, segundo dados de estudo feito a pedido da Abac (Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem).

O levantamento foi realizado pela A&M Infra, da consultoria Alvarez & Marsal.

"O estudo foi apresentado à Antaq [Agência Nacional de Transportes Aquaviários] como uma ferramenta de apoio à atuação regulatória da agência, especialmente para subsidiar a definição de parâmetros técnicos que possam indicar o momento adequado para o início de restrições à navegação na região amazônica em períodos de seca", afirma o diretor-executivo da Anac, Luis Resano.

Se a profundidade tiver restrições de dois metros, a capacidade cai 35% e o custo unitário aumenta 63%, diz o estudo. Os resultados são teóricos e servem para dimensionar a ordem de grandeza do impacto, não representando números de empresas específicas. O efeito ocorre porque parte dos custos da viagem permanece mesmo com menos carga transportada, somando-se atrasos e armazenagem adicional.

A preocupação é que o período de estiagem neste ano seja semelhante ao de 2023, quando a baixa profundidade em outubro chegou a inviabilizar a passagem de navios por semanas. A movimentação de contêineres naquele ano, em Manaus, caiu 85% em relação a agosto.

Em 2024, mesmo com o uso de píeres flutuantes em Itacoatiara, o transporte de cargas recuou 55% em outubro e 41% em novembro, na comparação com julho. A capital amazonense não possui ligação ferroviária, e a BR-319, única rota rodoviária com o Centro-Sul, segue sem pavimentação.

"O trabalho também evidencia os impactos econômicos enfrentados pelas empresas de navegação à medida que o nível dos rios diminui, demonstrando que, mesmo com a adoção de medidas paliativas para manter as operações, há aumento relevante dos custos e impactos sobre a eficiência logística. Ele é fundamental para manter a operação sustentável", completa Resano.

O estudo analisa também a LWS (Low Water Surcharge), sobretaxa cobrada para compensar custos extraordinários da operação em períodos de baixa navegabilidade e manter a continuidade do serviço.

Resumo redes: Com calado abaixo de 3,2 metros, a capacidade de transporte pode cair 55%, fazendo o custo por contêiner mais que dobrar. O estudo da A&M Infra também aponta que, com restrição de dois metros, a capacidade recua 35% e o custo unitário sobe 63%, pressionando a logística para Manaus.