Fieam aposta em potássio e fertilizantes como nova frente para diversificar economia do Amazonas

Presidente da Fieam, Antonio Silva, defende parcerias e atração de capital nacional e internacional para financiar obras de infraestrutura e melhorar as condições de competitividade do Estado

O presidente da Fieam, Antonio Silva, fala ao microfone sentado à mesa ao lado de outro representante da federação.
Foto: Fieam

A exploração de potássio e o desenvolvimento de uma cadeia de fertilizantes aparecem entre as apostas da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) para ampliar a base econômica do Estado além das atividades já consolidadas no Polo Industrial de Manaus.

O tema foi levantado nesta segunda-feira (14) pelo presidente da Federação, Antonio Silva, durante o encontro “A Indústria na Agenda dos Candidatos ao Governo do Estado do Amazonas”. Para ele, a defesa da competitividade industrial precisa caminhar junto com novas alternativas de desenvolvimento e maior capacidade de investimento.

“Temos ainda o desafio de buscar caminhos alternativos, como estamos fazendo no caso do potássio. Começaremos a ter uma não dependência única e exclusivamente do nosso exitoso Polo Industrial de Manaus. Seremos o maior polo de fertilizantes do mundo e outros e outros e outros, da nossa matriz econômica e com o necessário apoio político”, disse.
Foto: Reprodução

Para Silva, esse processo também depende de responsabilidade fiscal e de maior capacidade de investimento do poder público. O presidente da Fieam defendeu parcerias e atração de capital nacional e internacional para financiar obras de infraestrutura e melhorar as condições de competitividade do Amazonas.

A entidade considera que a diversificação não deve substituir a Zona Franca, mas funcionar como complemento à estrutura econômica já existente. Nesse desenho, novas cadeias produtivas, infraestrutura, inovação, sustentabilidade e interiorização das oportunidades passam a fazer parte de uma mesma agenda de desenvolvimento.

Projeto Autazes

Com investimento total estimado em torno de US$ 2,5 bilhões, a Brazil Potash projeta produzir comercialmente, em Autazes, cloreto de potássio, insumo usado na fabricação de fertilizantes. A companhia estima produção média próxima de 2,4 milhões de toneladas por ano ao longo da vida útil da operação, enquanto documentos da Agência Nacional de Mineração (ANM) apresentam uma referência próxima de 2,2 milhões de toneladas anuais. A previsão mais atualizada aponta para início da produção comercial no fim de 2030.

O principal desafio hoje é financeiro. A companhia busca combinar dívida e recursos de investidores para bancar a implantação. Segundo informações mais recentes divulgadas pela empresa, ainda seria necessário captar entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões em capital próprio para completar essa estrutura e viabilizar o avanço das obras.

Nos últimos meses, a Brazil Potash também tenta reduzir o volume que precisará desembolsar diretamente na fase inicial. Uma das frentes é o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química, conhecido como Profert, que pode gerar benefícios fiscais para projetos ligados à cadeia de fertilizantes. A empresa estima uma economia de até US$ 190 milhões com a combinação dos incentivos do programa e das vantagens ligadas à Zona Franca de Manaus.

A engenharia do projeto também avançou em 2026. A Wood e a Promon Engenharia foram contratadas para desenvolver a etapa de engenharia básica das estruturas de superfície e da infraestrutura, enquanto a WSP UK e a Redpath Deilmann ficaram responsáveis pelos poços da mina e pelo desenvolvimento subterrâneo. Essa fase serve para detalhar custos, métodos construtivos, equipamentos e soluções técnicas antes do início das obras principais.

Outro passo recente foi dado na área de energia. A Potássio do Brasil, subsidiária da Brazil Potash, fechou, neste mês de setembro, um contrato de 28 anos com a Gera Center Amazônia para fornecimento de energia ao projeto. A estrutura contará com 45 geradores modulares a diesel e terá capacidade inicial de 10 megawatts, chegando a 20 megawatts ao longo do primeiro ano.

Foto: Divulgação

Esses equipamentos serão usados durante aproximadamente cinco anos na fase de construção, já que a área do projeto ainda não está conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), rede que conecta a geração e a transmissão de energia elétrica no país. Depois que uma linha de transmissão planejada entrar em operação, os mesmos geradores deverão permanecer como fonte de energia de reserva por cerca de 23 anos.

O acordo com a Gera Center segue o modelo em que a empresa parceira financia, constrói, mantém a propriedade e opera a usina. Com isso, a Brazil Potash retira aproximadamente US$ 33 milhões em gastos relacionados à energia do orçamento inicial da construção. A empresa calcula ainda economia líquida de cerca de US$ 10 milhões ao longo da vigência do contrato.

A futura conexão à rede elétrica continua sendo parte importante do projeto. A companhia já havia anunciado um memorando com a Fictor Energia prevendo cerca de US$ 200 milhões para infraestrutura de transmissão e um investimento adicional de US$ 20 milhões na própria Brazil Potash. Essa frente, no entanto, ainda depende do avanço para um acordo definitivo.

Na parte comercial, o projeto já tem boa parte da futura produção comprometida. Cerca de 91% do volume planejado foi vendido antecipadamente por meio de contratos de longo prazo com Amaggi, Keytrade e Kimia Solutions. Esses acordos somam mais de 2 milhões de toneladas por ano e ajudam a reduzir o risco comercial antes do início da produção.

A logística prevista combina transporte rodoviário curto e navegação. O potássio deverá sair da área industrial até um terminal privado no Rio Madeira e seguir principalmente em barcaças para outras regiões do país, incluindo o Centro-Oeste, onde está concentrada grande parte da demanda por fertilizantes.

A empresa estima que Autazes poderá atender aproximadamente 20% do consumo brasileiro de potássio. O dado é relevante porque o Brasil ainda importa mais de 95% do produto usado na agricultura, o que mantém o país fortemente dependente do mercado externo.

Decisões importantes

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região manteve decisões favoráveis ao processo de licenciamento e à validade das licenças emitidas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas. Depois, o Supremo Tribunal Federal também rejeitou pedido do Ministério Público Federal (MPF) que buscava interromper as licenças de instalação e outras atividades ligadas ao desenvolvimento do projeto.

Foto: Divulgação

A Brazil Potash também sustenta que o processo de consulta às comunidades indígenas Mura foi concluído com participação de mais de 35 aldeias e apoio superior a 90% entre as comunidades participantes. O tema, no entanto, segue sendo um dos pontos mais sensíveis e acompanhados em torno do empreendimento.

Hoje, o projeto já possui licenças de instalação e autorizações relacionadas ao uso de recursos hídricos. A companhia considera o empreendimento licenciado para construção, mas o início das obras principais ainda depende do fechamento do financiamento e da conclusão das etapas de engenharia.

Em escala econômica, documentos recentes do Ministério de Minas e Energia apresentam investimento equivalente a cerca de R$ 12,4 bilhões e aproximadamente 2,6 mil empregos associados ao empreendimento. Como esses valores variam conforme câmbio, metodologia e fase do projeto, a referência mais consistente para o custo total continua sendo a estimativa de aproximadamente US$ 2,5 bilhões.

Resumo redes: “Temos ainda o desafio de buscar caminhos alternativos, como estamos fazendo no caso do potássio. Começaremos a ter uma não dependência única e exclusivamente do nosso exitoso Polo Industrial de Manaus. Seremos o maior polo de fertilizantes do mundo [...] com o necessário apoio político”, disse Antonio Silva, presidente da Fieam, durante encontro com candidatos ao governo do AM.