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# Gás natural pode ficar fora da regulamentação do Redata; Setor entra em alerta e governo diverge sobre uso em data centers
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/gas-natural-pode-ficar-fora-da-regulamentacao-do-redata-setor-entra-em-alerta-e-governo-diverge-sobre-uso-em-data-centers/
- Published: 2026-09-28T14:28:28.000Z
- Updated: 2026-09-28T14:28:28.000Z
- Description: Fazenda resiste à inclusão do combustível entre as fontes de baixa emissão, enquanto o Ministério de Minas e Energia defende seu uso para dar segurança ao fornecimento elétrico dos empreendimentos; Decisão pode ser definida na regulamentação do programa
- Author: Agência Infra
- Tags: Energia, #Instagram-ok, #Facebook-ok, #story-ok, #video-nao

O setor de gás natural entrou em alerta com a possível publicação de decreto na segunda-feira (28) para a regulamentação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) sem a inclusão do insumo como fonte de suprimento energético. Segundo interlocutores do governo, a Fazenda está articulando a edição do normativo com o entendimento de que o gás não atende à exigência de “baixa emissão de carbono”.

Do outro lado, agentes do setor se apoiam no MME (Ministério de Minas e Energia), que já fez a defesa pública da inclusão da molécula na lista de fontes para atendimento dos data centers. A pasta estaria tentando segurar a publicação do decreto e ganhar tempo para que o insumo seja contemplado, disseram fontes da Esplanada.

- Leia também: [**Governador do Amazonas pede a Lula que gás natural seja incluído nas regras do Redata para datacenters**](https://www.jornalopolo.com.br/governador-do-amazonas-pede-a-lula-que-gas-natural-seja-incluido-nas-regras-do-redata-para-datacenters/)

**Defesa do gás**  
Marcelo Mendonça, diretor executivo da Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado), disse à Agência iNFRA que os “rumores” de que o gás não será contemplado no Redata preocupam. “Existe uma falta de sintonia nesse discurso entre os ministérios, têm chegado informações equivocadas em relação ao tratamento do gás natural”, aponta.

O executivo diz que o insumo não irá substituir ou concorrer com as fontes renováveis, mas tem como objetivo garantir a segurança para que os empreendimentos funcionem sem interrupções. 

> “É uma característica das renováveis, a intermitência”, comenta ele, sobre a característica da energia solar, por exemplo, de interromper a geração quando o sol se põe, e da eólica, que varia conforme o vento.

Outro executivo do setor entende que o presidente Lula “está sendo mal assessorado” sobre o tema. Ele se refere a falas recentes do candidato à reeleição sobre os investidores de data center no Brasil precisarem “investir na construção em energia renovável”.

A manifestação de Lula durante a campanha eleitoral repete o conceito de “adicionalidade energética”, regra em que há a exigência de que novos grandes consumidores comprem energia apenas de usinas recém-construídas ou novas, excluindo empreendimentos já existentes.

> “Falar em adicionalidade em um momento que você tem o nível de curtailment \[cortes de geração renovável\] que tem no mercado brasileiro, você vai aumentar o curtailment”, considera o agente.

> “É óbvio que se o empreendedor está entrando com uma carga muito grande, é natural que ele venha a precisar de novos projetos para poder atender aquela carga nova. Você não deveria atrelar uma regra de adicionalidade para a eficiência do sistema, deveria deixar o player que vai desenvolver o data center buscar as melhores alternativas de energia que ele virá a ter”, defende.

**Redata**  
O projeto de lei que criou o Redata foi aprovado em 1º de setembro no plenário do Senado, após acordo entre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e o governo. Ele estava parado desde a aprovação na Câmara dos Deputados, em fevereiro deste ano.

Os senadores abriram caminho para a inclusão do gás natural entre as fontes de suprimento dos empreendimentos que quiserem se enquadrar no programa. Uma emenda de autoria do senador Laércio Oliveira (PP-SE) alterou a exigência de “fontes limpas ou renováveis”, como estava no texto inicial, por “fontes renováveis ou de baixa emissão”.

Agora, caberá ao governo, durante a regulamentação, detalhar quais fontes se enquadram no texto da lei e sob quais condições. Durante a sanção da Lei, em 16 de setembro, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, disse que o decreto inicial deveria manter o texto de forma genérica, deixando a lista de insumos para uma portaria interministerial a ser publicada posteriormente. Ele admitiu que não havia consenso entre os ministérios sobre o tema.

No entanto, fontes alertam para a possibilidade do decreto já constar as fontes de energia.

Resumo redes: Fazenda e Minas e Energia divergem sobre a inclusão do gás natural no Redata. Enquanto a Fazenda resiste ao enquadramento como fonte de baixa emissão, o MME defende seu uso. No Amazonas, Roberto Cidade pediu a Lula, no último dia 17, a inclusão do combustível para evitar perda de competitividade na atração de datacenters.