Gigante alemã da indústria química, BASF lança ingrediente para cosméticos feito com andiroba do Amazonas e prevê beneficiar 200 famílias do Médio Juruá
Projeto prevê capacitação de extrativistas e expansão para outras regiões da floresta
A multinacional alemã BASF lançou um novo ingrediente para a indústria de cosméticos desenvolvido a partir do óleo de andiroba do Amazonas. Batizado de Cetiol Forest CG, o produto é o primeiro resultado comercial da iniciativa Standing Forest, criada para desenvolver matérias-primas de maior valor agregado a partir da biodiversidade amazônica, de acordo com o Brazil Beauty News. O projeto começou no Médio Juruá e prevê beneficiar aproximadamente 200 famílias por meio do fortalecimento da cadeia de extração sustentável.
O ingrediente é um emoliente, substância utilizada em formulações cosméticas para melhorar características como a textura e a sensação dos produtos sobre a pele. Sua fabricação envolve uma transformação química do óleo de andiroba, tradicionalmente utilizado em cuidados com a pele e os cabelos, em um composto com propriedades específicas para a indústria.
O desenvolvimento ocorreu no laboratório de Cuidados Pessoais da BASF, em Jacareí, no interior de São Paulo. No processo, a empresa utiliza etanol renovável para transformar o óleo vegetal em um éster, ampliando suas possibilidades de aplicação em produtos de beleza.
Segundo a fabricante, o Cetiol Forest CG apresenta maior estabilidade, melhor espalhabilidade e absorção, odor mais suave e aspecto mais homogêneo em comparação com o óleo tradicional. A empresa também aponta menor formação de resíduos e uma sensação mais leve e aveludada após a aplicação.
Projeto começa no Médio Juruá e envolve comunidades extrativistas
A matéria-prima escolhida pela BASF tem uma relação histórica com as populações amazônicas. A andiroba, encontrada em abundância no Médio Juruá, região situada a mais de 700 quilômetros de Manaus, é utilizada há séculos por comunidades originárias e já possui aplicações comerciais no setor de cosméticos.
Com o Standing Forest, a companhia pretende ampliar o aproveitamento industrial desse recurso e estruturar uma cadeia de fornecimento associada à conservação da floresta. Uma das medidas previstas é a capacitação de coletores locais em técnicas sustentáveis de extração e manejo da andiroba.
A proposta também contempla a rastreabilidade da matéria-prima, permitindo acompanhar sua origem ao longo da cadeia produtiva. Para a BASF, essa característica, associada às práticas de fornecimento responsável, representa um diferencial para empresas que buscam ingredientes ligados a iniciativas socioambientais.
De acordo com Natalia Nunes, gerente de sustentabilidade da divisão Care Chemicals da BASF na América do Sul, o projeto foi concebido para aproximar o conhecimento científico das oportunidades econômicas oferecidas pela biodiversidade regional.
“O projeto nasceu da oportunidade de conectar o potencial da biodiversidade da Amazônia à capacidade científica e tecnológica da BASF para desenvolver ingredientes de alto valor agregado para a indústria de cuidados pessoais”, afirmou.
Multinacional pretende ampliar projeto e alcançar mercado internacional
A escolha do Brasil para o Standing Forest levou em consideração, segundo a companhia, a combinação entre a diversidade biológica amazônica, as cadeias produtivas da bioeconomia e a presença de competências locais em pesquisa e desenvolvimento.
Embora o projeto tenha sido implementado pela operação brasileira, a BASF identifica possibilidades de aplicação dos ingredientes desenvolvidos no mercado internacional de cuidados pessoais. A estratégia é associar matérias-primas renováveis a processos industriais capazes de atender às exigências técnicas de fabricantes de cosméticos.
“Neste momento, buscamos consolidar o modelo implementado no Médio Juruá, fortalecer a cadeia de fornecimento e ampliar a adoção do Cetiol Forest CG pelo mercado de cuidados pessoais”, explicou Natalia.
A iniciativa foi planejada como uma plataforma de inovação de longo prazo, com possibilidade de chegar a outras áreas do bioma amazônico. A ampliação deverá seguir, conforme a BASF, os princípios de conservação florestal, desenvolvimento das comunidades locais e criação de produtos industriais a partir de pesquisa científica e tecnologia.
A empresa ainda não informou quais outras regiões poderão receber o projeto nem apresentou um cronograma para essa expansão.
Resumo redes: Desenvolvido no laboratório da multinacional em Jacareí (SP), o Cetiol Forest CG transforma óleo vegetal em um éster com melhor espalhabilidade, absorção e odor mais suave. A iniciativa Standing Forest prevê capacitação de coletores no Médio Juruá, rastreabilidade da matéria-prima e futura expansão a outras áreas da Amazônia.