Gigante de R$ 40,8 bi e líder do setor de Mecânica, WEG produz em Manaus motores para ar-condicionado
Multinacional brasileira liderou o setor de mecânica pela 12ª vez no ranking Valor 1000; Unidade amazonense é especializada em motores comerciais e residenciais e passou por investimentos para avançar em tecnologias de maior eficiência energética
A WEG segue no topo do setor de mecânica no Valor 1000, anuário que reúne as maiores empresas do país, em uma premiação realizada na última terça-feira (8), em São Paulo. Foi a 12ª vez que a companhia catarinense conquistou a liderança da categoria. Por trás dos números que colocam a fabricante entre os maiores nomes da indústria brasileira, porém, existe uma operação menos conhecida e que é realizada todos os dias no Polo Industrial de Manaus (PIM): é na capital amazonense que a WEG mantém uma fábrica especializada em motores elétricos para aplicações comerciais e residenciais, com forte presença na cadeia de climatização.
O novo título no Valor 1000 veio depois de a empresa encerrar 2025 com receita operacional líquida de R$ 40,8 bilhões, crescimento de 7,4% em relação ao ano anterior, e lucro líquido de R$ 6,38 bilhões. A dimensão internacional ajuda a explicar o porte alcançado pela fabricante: aproximadamente 60% de sua receita vem de vendas realizadas fora do Brasil. A WEG possui operações industriais em 18 países (sendo 23 unidades no Brasil), presença comercial em mais de 135 mercados e mais de 49 mil funcionários.
O resultado também ocorre em meio a um novo ciclo de expansão. Segundo informações apresentadas pelo Valor, a companhia elevou em 32% seu programa de investimentos para 2026, chegando a R$ 3,6 bilhões. Cerca de 46% desse montante é destinado ao Brasil. A empresa trabalha ainda para concluir, até 2027, um plano iniciado em 2023 para dobrar sua capacidade fabril global. Data centers, modernização das redes elétricas, energias renováveis e sistemas de armazenamento de energia por baterias estão entre os mercados apontados pela WEG como oportunidades de crescimento.
É uma escala muito maior do que sugere o produto que tornou a marca conhecida no início de sua história. Criada em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, em 1961, a então Eletromotores Jaraguá nasceu para fabricar motores elétricos. O nome WEG surgiu das iniciais de seus três fundadores — Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus. Nas décadas seguintes, a empresa saiu desse nicho e avançou sobre diferentes áreas da indústria elétrica.

Hoje, chamar a WEG apenas de fabricante de motores deixa de fora boa parte do negócio. O grupo produz motores e acionamentos elétricos, redutores, geradores, transformadores, equipamentos de automação e digitalização e sistemas de eletrificação, além de atuar com tintas e vernizes industriais. São produtos usados em cadeias como mineração, siderurgia, petróleo e gás, papel e celulose, infraestrutura e geração de energia. A empresa também passou a ocupar espaços ligados à transição energética, incluindo energia eólica e solar, armazenamento por baterias e mobilidade elétrica.
Os motores, apesar da diversificação, continuam sendo uma das principais referências industriais do grupo. A WEG informa fabricar mais de 19 milhões deles por ano e se apresenta como líder mundial no mercado de motores elétricos industriais de baixa tensão. O portfólio completo da companhia ultrapassa 1,5 mil linhas de produtos, enquanto a produção anual de transformadores supera 76 mil MVA.
Manaus ocupa um nicho específico dentro da WEG
A fábrica amazonense não reproduz toda essa estrutura. Na divisão industrial da companhia, Manaus aparece classificada especificamente no negócio de motores comerciais e residenciais. Documento institucional da WEG, de 2025, aponta uma área construída de 7.112 metros quadrados e cerca de 610 colaboradores na unidade da capital amazonense, localizada na rua Candelária, no Coroado, além de uma extensão da fábrica localizada no Distrito Industrial. Já o escopo de certificação industrial da WEG Amazônia inclui projeto, desenvolvimento, fabricação, ensaios e assistência técnica de motores elétricos de até 5 kW.

Essa especialização não é recente. A WEG iniciou operação em Manaus em 2005, com investimento de aproximadamente R$ 30 milhões. Documentos da época mostram que a operação amazonense começou com produção voltada principalmente a motores para condicionadores de ar, aproximando a fabricante de componentes das empresas de climatização instaladas na Zona Franca. Anos depois, projetos industriais aprovados pela Suframa também registraram a produção de minimotores, motores para refrigeração comercial e motores monofásicos de corrente alternada, inclusive modelos destinados especificamente a condicionadores de ar.
Na prática, isso coloca a WEG em uma posição diferente das marcas que aparecem na frente do aparelho comprado pelo consumidor. Em vez de produzir o condicionador de ar completo, a fábrica de Manaus atua na fabricação de um dos componentes responsáveis por transformar energia elétrica em movimento dentro desses equipamentos. É uma indústria que funciona, portanto, como fornecedora de componentes para outras cadeias produtivas do PIM.
Nos últimos anos, essa operação começou a avançar também para motores de maior eficiência. Em 2023, a WEG anunciou R$ 48 milhões em investimentos ao longo de três anos para ampliar a capacidade da fábrica de Manaus e prepará-la para uma nova linha de motores elétricos de ímãs permanentes destinados a condicionadores de ar split. Na época do anúncio, a planta tinha 5.250 metros quadrados de área construída e capacidade aproximada para fabricar 3,5 milhões de motores por ano. O projeto previa ainda crescimento de 25% no quadro de funcionários.
A tecnologia permite trabalhar com velocidade variável e maior eficiência energética, característica importante nos aparelhos mais modernos de climatização. Em vez de operar apenas em uma condição fixa, o motor pode adequar seu funcionamento à necessidade do equipamento, reduzindo consumo, ruído e desperdício de energia. Em 2024, o Governo do Amazonas concedeu incentivos fiscais à WEG Amazônia para a fabricação de motor elétrico síncrono sem escova, com rotor de ímãs permanentes, com ou sem placa de controle eletrônico. O produto foi enquadrado como bem intermediário, ou seja, um componente utilizado na fabricação de outro produto.

Um desenvolvimento mais recente mostra que essa frente continua ativa. Em agosto deste ano, a própria WEG apresentou um motor para movimentação de ar produzido na Zona Franca de Manaus com tecnologia desenvolvida no Brasil. Indicado para condicionadores de ar, climatizadores e ventiladores, o equipamento possui versões entre 20 e 65 watts, permite variação de velocidade e, segundo a fabricante, pode atingir o dobro da eficiência de um motor convencional utilizado nesse tipo de aplicação.
A fábrica amazonense é pequena quando colocada ao lado da estrutura global da WEG e de seus grandes complexos industriais em Santa Catarina e em outros países, mas ocupa um ponto definido da estratégia da companhia: motores de menor porte destinados a aplicações comerciais e residenciais. Ao mesmo tempo, sua localização dentro do PIM coloca a unidade próxima de uma das cadeias industriais em que esse tipo de componente tem aplicação direta, a de condicionadores de ar.
A título de informação, o setor de ar-condicionado brasileiro, concentrado no PIM, é o segundo maior em produção do mundo, ficando atrás apenas da China. Segundo a Eletros, entidade que representa as empresas eletroeletrônicas do país, em 2025, cerca de 6,3 milhões de unidades saíram das linhas de produção de Manaus e a expectativa é encerrar 2026 com 7 milhões de unidades.

Resumo redes: Multinacional brasileira liderou o setor de mecânica pela 12ª vez no ranking Valor 1000. Unidade amazonense é especializada em motores comerciais e residenciais e passou por investimentos para avançar em tecnologias de maior eficiência energética.