Governo eleva subsídio ao diesel importado em meio à dependência de fornecedores externos
Reforço vale por 30 dias e busca preservar o abastecimento; planejamento energético prevê que Brasil ainda importará 25% do diesel consumido em 2036
O governo federal elevou para R$ 3,52 por litro o subsídio ao diesel rodoviário importado, em uma medida anunciada na sexta-feira (9) para conter os efeitos da alta internacional dos combustíveis e preservar o abastecimento brasileiro. O reforço, previsto para 30 dias, acrescenta R$ 1,40 ao benefício anterior de R$ 2,12 por litro, em meio à pressão sobre os preços do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio.
Segundo a MundoLogística, com informações da Agência Brasil, o adicional para o diesel terá custo estimado em R$ 1,6 bilhão durante esse período. A iniciativa integra um pacote de R$ 5,2 bilhões, que também eleva a desoneração tributária da gasolina de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro e mantém benefícios fiscais ao etanol hidratado. As medidas relacionadas à gasolina e ao etanol devem representar impacto de R$ 3,6 bilhões em 2026.
O objetivo do incentivo é manter economicamente viáveis as compras de diesel no exterior. Conforme o Jornal Portuário, em resumo de reportagem do Transporte Moderno, o governo busca reduzir o risco de que a elevação dos custos internacionais comprometa a oferta no país. A preocupação alcança diretamente o transporte rodoviário de cargas, que depende do combustível para movimentar mercadorias.
Além do pacote anunciado, o governo abriu um crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões para o Ministério de Minas e Energia (MME), por meio da Medida Provisória nº 1.395, de 8 de outubro. Desse total, R$ 6,17 bilhões serão destinados ao diesel rodoviário e R$ 1,35 bilhão a outros derivados de petróleo. Os recursos financiarão programas de subvenção econômica à produção e à importação de combustíveis.
A pressão sobre o diesel já aparece no acompanhamento dos preços. O índice IPC.MLog registrou o litro a R$ 7,17 em 6 de outubro, com alta de 6,4% nos 30 dias anteriores. No mesmo intervalo, o petróleo Brent acumulou queda de 3,3%, embora permanecesse cotado a cerca de US$ 100,08 por barril.
A necessidade de apoiar as importações ocorre enquanto o planejamento energético aponta que a dependência externa deverá persistir na próxima década. De acordo com o JOTA, a proposta do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036), elaborada pelo MME e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), prevê que aproximadamente 25% do diesel A consumido no Brasil ainda virá do exterior em 2036.
As importações líquidas deverão alcançar 51 mil metros cúbicos por dia, diante de uma demanda estimada em 206 mil metros cúbicos diários. A produção nacional deverá crescer 13,7%, passando de 136,5 mil para 155,2 mil metros cúbicos por dia. Mesmo assim, a participação das compras externas projetada para 2036 supera os 22% estimados pelo plano para 2026.
Essa diferença decorre principalmente do crescimento esperado do consumo, impulsionado pela atividade econômica e pela elevada participação das rodovias na logística de cargas. Portanto, o aumento da produção doméstica não será suficiente para atender integralmente à demanda prevista.
O cenário considera US$ 13,15 bilhões em investimentos no parque de refino até 2036, com aumento aproximado de 10% na capacidade de destilação. O planejamento prevê intervenções em sete refinarias existentes e a entrada de uma nova unidade, acrescentando cerca de 248 mil barris diários de capacidade.
Ainda com utilização das refinarias próxima de 90%, o país deverá permanecer importador líquido de derivados de petróleo, com déficit de 37 mil metros cúbicos por dia em 2036. O diesel será o principal responsável pela necessidade de compras externas, seguido da nafta petroquímica, enquanto exportações de outros derivados compensarão parte dessa diferença.
Em consulta pública até 6 de novembro, o plano reconhece que as medidas emergenciais adotadas em 2026 ajudam a responder às dificuldades imediatas, mas não eliminam a exposição às importações. Para enfrentar essa dependência, o documento aponta investimentos em refino e logística, diversificação dos fornecedores e alternativas ao consumo de derivados.
Resumo redes: O governo federal elevou de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro o subsídio ao diesel rodoviário importado, um reforço de R$ 1,40 válido por 30 dias. A medida, anunciada na sexta-feira (9), busca reduzir o impacto da alta internacional dos combustíveis e preservar o abastecimento diante da pressão sobre o petróleo causada pelo conflito no Oriente Médio.