Grupo Atem inicia operações de base fluvial em Itacoatiara para manter fluxo de combustíveis durante a vazante
Primeira transferência de carga entre navio e balsa ocorreu neste sábado (3); Operação inclui frota reforçada, antecipação de estoques e rotas alternativas para Manaus e municípios do interior
O Grupo Atem deu início, neste sábado (3), à operação de uma base fluvial em Itacoatiara para reduzir os impactos da vazante sobre o transporte de petróleo e derivados no Amazonas. A primeira movimentação entre um navio e balsas-tanque, no modelo ship-to-barge, foi conduzida pela Navemazônia, empresa de logística fluvial do grupo.
A estrutura cria uma alternativa para situações em que navios de maior porte enfrentam limitações para avançar até Manaus. Em Itacoatiara, parte da carga pode ser transferida para balsas-tanque com características mais adequadas às condições dos rios e seguir para a capital ou outros destinos. A Navemazônia também realiza o processo inverso, o barge-to-ship, transferindo cargas de balsas para navios.
Um dos trechos acompanhados com maior atenção é a Costa do Tabocal, na rota de acesso a Manaus. A redução do nível do rio pode limitar a passagem das embarcações que transportam produtos destinados à Refinaria da Amazônia, responsável pelo fornecimento de combustíveis a distribuidoras, empresas de navegação e outros setores.
Frota de balsas mais que dobrou
A preparação para 2026 incorpora o aprendizado das estiagens de 2023 e 2024. Neste ano, o número de balsas-tanque mais que dobrou em relação a 2024, ampliando as possibilidades de remanejamento de estoques e de escolha de embarcações conforme as condições de navegabilidade.
A operação reúne diferentes empresas do grupo: a Refinaria da Amazônia, a Atem Distribuidora, a Navemazônia, no transporte fluvial, e a Rodoamazônia, no modal rodoviário. Para atender o interior, o combustível pode ainda ser transferido para embarcações menores ou seguir parte do percurso por estrada.
“Nas estiagens anteriores, aprendemos na prática que não existe uma única solução para enfrentar as restrições de navegabilidade. É preciso combinar antecipação de estoques e viagens, diferentes embarcações, rotas e modais”, afirma Guilherme Santana, vice-presidente de Distribuição e Operações do Grupo Atem.
As operações em Itacoatiara serão realizadas em área de fundeadouro no Rio Amazonas, com autorização e homologação dos órgãos competentes.

El Niño entra no planejamento
Além da experiência operacional, o planejamento utiliza dados do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), combinados ao monitoramento dos rios, antecipação de viagens e reforço dos estoques.
Em atualização apresentada em 17 de setembro, o Labclim informou que o El Niño atingiu a categoria “muito forte” e poderá continuar influenciando o regime de chuvas e os rios até março ou abril de 2027.
O quadro de 2026, entretanto, ainda é diferente das estiagens históricas dos dois anos anteriores. Em Manaus, o Rio Negro segue em descida, mas permanece dentro da faixa considerada normal para o período. A principal preocupação está no Alto Rio Negro, onde as chuvas e os níveis dos rios continuam abaixo do esperado.
Atem abastece mais de 90% das usinas isoladas
A estratégia também considera municípios onde o transporte de combustível está diretamente ligado à geração de energia. Atualmente, a Atem fornece produto para mais de 90% das usinas do sistema isolado no Amazonas, responsáveis pelo atendimento de hospitais, escolas, delegacias, estabelecimentos comerciais, serviços e residências.
Por isso, o grupo antecipou entregas e reforçou estoques destinados às usinas, postos e demais clientes antes do período de maior restrição nos rios.
Segundo Santana, o planejamento precisa considerar toda a trajetória do combustível até o destino final.
“Quando planejamos a logística para a estiagem, olhamos toda a jornada do combustível. Há localidades em que esse abastecimento também está diretamente ligado à geração de energia e ao funcionamento de serviços essenciais. Por isso, estoques, embarcações, rotas e alternativas precisam estar preparados antes do período mais crítico”, pontua.
Resumo redes: A primeira operação, conduzida pela Navemazônia, ocorreu neste sábado (3), com a transferência de cargas de um navio para balsas-tanque. Em 2026, a frota usada na estratégia mais que dobrou frente a 2024. A operação inclui ainda antecipação de estoques e alternativas de transporte para Manaus e municípios do interior.