iFood e 99 colocam Manaus no radar para desenvolver indústria de motos elétricas
Empresas já investiram R$ 90 milhões no setor e, no futuro, querem nacionalizar a produção; Zona Franca é citada como polo estratégico para o projeto
A Zona Franca de Manaus está no radar de um dos projetos mais ambiciosos para a eletrificação da mobilidade urbana no Brasil. As gigantes de tecnologia iFood e 99 anunciaram uma estratégia conjunta para desenvolver uma cadeia produtiva de motocicletas elétricas no país. A iniciativa tem o objetivo de ampliar gradualmente a fabricação nacional de componentes e reduzir a dependência de itens importados.
Para viabilizar o plano, cada uma das empresas já destinou mais de R$ 45 milhões para a iniciativa. Juntos, os aportes somam mais de R$ 90 milhões. No entanto, as companhias esclarecem que, neste momento, o objetivo não é construir uma fábrica própria das marcas. A prioridade é criar condições de mercado para que novos investidores e fornecedores de autopeças ingressem no segmento, formando um ecossistema capaz de sustentar a produção dessas motocicletas em larga escala. As informações são do Estadão.
Gargalos industriais
De acordo com os responsáveis pelo projeto, o principal obstáculo para a expansão das motocicletas elétricas no Brasil não é a falta de demanda por parte dos usuários, mas sim a ausência de uma cadeia industrial consolidada. Enquanto o setor de automóveis elétricos já conta com a atuação de grandes fabricantes globais estabelecidas, o mercado de duas rodas eletrificado ainda carece de fornecedores locais, tecnologia nacional e produção em escala.
Para solucionar esse gargalo, o plano das empresas prevê a expansão da participação da indústria brasileira ao longo dos próximos anos. Nesse cenário, a Zona Franca de Manaus surge como uma das regiões consideradas altamente estratégicas para receber os futuros fabricantes e fornecedores de autopeças, ao lado de polos industriais localizados em São Paulo e em Santa Catarina.
Adaptação nacional
Antes de definir a estratégia, a 99 realizou testes práticos com diferentes modelos de motocicletas elétricas em condições reais de uso pelas ruas brasileiras. Os testes incluíram percursos com ladeiras íngremes e longas jornadas de trabalho diárias. Os resultados apontaram que muitos modelos importados, especialmente os fabricados na China, precisam de adaptações profundas para suportar as condições severas das vias e do relevo das cidades do Brasil.
A solução desenhada pelas empresas foi estabelecer uma parceria com a fabricante chinesa Yadea. O projeto utiliza modelos já existentes da marca asiática como base para o desenvolvimento de versões adaptadas ao mercado nacional. As modificações em andamento envolvem a melhoria da autonomia das baterias, o reforço da resistência estrutural do chassi e o ajuste de desempenho para suportar o uso intensivo dos entregadores e motoristas parceiros.
Impacto no bolso
Além de viabilizar a fabricação das motocicletas, o projeto prevê a estruturação de um ecossistema completo. Essa rede deve envolver locadoras de veículos, empresas de tecnologia e operadoras de estações de troca rápida de baterias. O objetivo é acelerar a adoção dos veículos elétricos entre os profissionais de aplicativo.
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 30 milhões de motocicletas em circulação. Desse total, aproximadamente 10% são utilizadas diretamente como ferramenta para geração de renda, como nos serviços de entrega e transporte de passageiros. Segundo a avaliação da 99 e do iFood, a migração para os modelos elétricos tem potencial para reduzir entre 30% e 60% os gastos diários com combustível e manutenção, o que deve elevar diretamente a rentabilidade final dos trabalhadores que dependem do veículo de duas rodas para trabalhar.