Importação de bicicletas elétricas da China dispara 178% e Brasil já é o 3º maior comprador

Crescimento ocorre em paralelo à expansão da produção em Manaus, que disparou 87,2% no primeiro semestre

Pessoa andando de bicicleta elétrica em uma rua da cidade, com prédios ao fundo
Foto: Yadea

As importações brasileiras de bicicletas elétricas, autopropulsados e ciclomotores vindos da China entraram em uma nova marcha em 2026. No primeiro semestre, o Brasil desembolsou US$ 258,9 milhões na compra desses veículos, um salto de 178% em relação aos US$ 93 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

Os números da alfândega chinesa colocaram o país na terceira posição entre os maiores importadores mundiais dessa categoria, atrás apenas dos Estados Unidos (US$ 1,02 bilhão) e da Holanda (US$ 381,2 milhões). Em apenas um ano, o Brasil saltou da nona para a terceira colocação no ranking. Os dados constam em reportagem do Valor Econômico.

O avanço acompanha a rápida expansão da mobilidade elétrica nas cidades brasileiras. Bicicletas elétricas ganharam espaço entre entregadores por aplicativo, trabalhadores que realizam deslocamentos diários e consumidores que buscam alternativas mais econômicas às motocicletas e aos automóveis.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que 93% das bicicletas elétricas importadas pelo Brasil no primeiro semestre tiveram origem no país asiático, consolidando a liderança chinesa no fornecimento desses veículos.

Segundo Tulio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), a liderança chinesa não é novidade.

"A eletrificação dos veículos começou justamente pelas bicicletas elétricas. Hoje, a China avança na eletrificação de praticamente tudo o que anda sobre rodas, de bicicletas a caminhões".

Manaus também acelera

O crescimento das importações ocorre paralelamente à expansão da produção nacional.

No Polo Industrial de Manaus (PIM), as fabricantes produziram 34.122 bicicletas elétricas no primeiro semestre de 2026, alta de 87,2% sobre igual período do ano anterior, segundo a Abraciclo.

O desempenho chama atenção porque ocorreu justamente em um momento de retração do mercado de bicicletas como um todo. Entre janeiro e junho, a produção total caiu 9,6%, para 163.158 unidades.

Com isso, as bicicletas elétricas ampliaram sua participação na indústria instalada em Manaus. A categoria passou de 13% para 20,9% da produção total em apenas um ano, praticamente empatando com as bicicletas urbanas e de lazer. Apenas as mountain bikes continuam liderando o ranking.

Delivery impulsiona mercado

Especialistas apontam que o principal motor dessa expansão é o crescimento das entregas por aplicativo.

Além do menor custo de aquisição em relação às motocicletas, as bicicletas elétricas exigem gastos reduzidos com manutenção, energia e documentação, tornando-se uma alternativa financeiramente mais atrativa para milhares de entregadores.

Aplicativos como iFood e 99 já oferecem programas de aluguel subsidiado para esses veículos. O governo federal também passou a incluir as bicicletas elétricas na linha de crédito Move Brasil, enquanto o BNDES aprovou recentemente R$ 340 milhões para financiar a compra de 85 mil unidades destinadas a entregadores.

Para o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, o crescimento tende a continuar.

"É um mercado que cresce de forma explosiva. Além da preocupação ambiental, existe uma questão econômica: são veículos muito mais baratos que carros ou motos e com custo baixíssimo de operação".

Fabricantes chineses ampliam presença

O avanço das importações também abriu espaço para a chegada de fabricantes chineses ao mercado brasileiro.

Empresas como Yadea e Aima ampliaram operações no país. A Yadea, inclusive, já produz bicicletas elétricas em Manaus e iniciou a abertura de lojas próprias no Brasil, reforçando a estratégia de combinar importação e fabricação local.

Mesmo com a entrada crescente de produtos chineses, a Abraciclo afirma que bicicletas elétricas e motocicletas ocupam espaços diferentes no mercado. A entidade, porém, defende que importadores e fabricantes nacionais concorram sob as mesmas regras tributárias e regulatórias.