Indústria do Amazonas discute ações para qualificar migrantes e facilitar acesso a empregos
Modelo propõe reunir EJA profissionalizante, cursos pelo Senai, atendimento odontológico a filhos de imigrantes, ações para jovens e encaminhamento ao trabalho
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e representantes da indústria discutiram nesta sexta-feira (25), em Manaus, possibilidades de parceria para ampliar a integração socioeconômica de migrantes e suas famílias no Amazonas. O encontro ocorreu na sede da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e reuniu o presidente da entidade, Antonio Silva, o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, empresários e representantes do setor industrial.
A apresentação foi conduzida por Eugênio Guimarães, oficial nacional de projetos da OIM, que apresentou iniciativas desenvolvidas pela organização no Brasil e experiências de cooperação com o setor privado.
“A apresentação de hoje foi uma oportunidade muito importante para aproximarmos a OIM do setor industrial do Amazonas e apresentarmos como podemos contribuir para a integração socioeconômica de pessoas migrantes e suas famílias”, afirmou Guimarães.
Segundo ele, uma das possibilidades é avançar na implementação do Programa Porta Aberta no Amazonas.
“Ficamos muito satisfeitos com o interesse demonstrado pela Fieam, pelo Conselho Nacional do Sesi e pelos representantes das indústrias, especialmente com a possibilidade de avançarmos na implementação do Programa Porta Aberta no Amazonas e na construção de novas parcerias. Esse diálogo mostra que, quando unimos a experiência da OIM à capacidade de articulação e alcance do setor privado, podemos criar oportunidades mais efetivas de inclusão e contribuir para o desenvolvimento local”, disse.
Inclusão produtiva
Para o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, as experiências já desenvolvidas em diferentes estados mostram caminhos para ampliar a inclusão produtiva da população migrante no país.
“As iniciativas desenvolvidas no Brasil mostram que é possível construir caminhos para a inclusão produtiva dos migrantes, combinando educação, qualificação profissional, saúde e acesso ao mundo do trabalho. O Sesi contribui com essa agenda, apoiando a integração dessas pessoas e de suas famílias e aproximando-as das oportunidades existentes na indústria brasileira”, afirma Fausto.
O presidente da Fieam, Antonio Silva, afirmou que a entidade está aberta ao diálogo para avaliar futuras parcerias com a OIM e iniciativas que possam contar com a participação da indústria amazonense.
“A Fieam está aberta ao diálogo e à construção de futuras parcerias. A indústria pode contribuir com iniciativas que apoiem a integração dessas pessoas, especialmente por meio da educação, da qualificação profissional e da aproximação com o mercado de trabalho”, afirma Antonio Silva.
A superintendente do Sesi Amazonas, Rosana Vasconcelos, destacou algumas das possibilidades que poderão ser avaliadas a partir da aproximação entre as instituições.
“Podemos desenvolver futuras parcerias com foco no atendimento pela EJA (Educação de Jovens e Adultos) profissionalizante, em atendimentos odontológicos para crianças, filhos de imigrantes, e também em ações voltadas aos jovens e ao encaminhamento para o mercado de trabalho. Há ainda a possibilidade de parceria com o SENAI para a oferta de educação profissional”, afirma Rosana.
Experiências no país
No Rio Grande do Sul, o Programa Porta Aberta prevê 660 matrículas para migrantes na área de educação do Sesi-RS e 700 atendimentos em saúde. No SENAI-RS, são previstas 800 matrículas em cursos de educação profissional. O IEL-RS projeta ainda capacitar 240 migrantes por meio de workshops e realizar 700 cadastros na plataforma Indústria de Talentos.
A aproximação da OIM com o setor industrial também ocorre em outros estados. Em Santa Catarina, a organização firmou parceria com a Fiesc para um programa de acolhimento de migrantes no mercado de trabalho. No Rio de Janeiro, assinou memorando com a Firjan para fomentar a cooperação com a indústria e o setor privado.
Em São Paulo, a OIM estabeleceu parceria com o SindusCon-SP para ações de qualificação e emprego de migrantes na construção civil.
Na região Norte, a organização já realizou, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Roraima (FIER), oficinas voltadas à inclusão de migrantes no mercado de trabalho. Em março deste ano, representantes da OIM também estiveram na Federação das Indústrias do Estado do Acre (FIEAC) para apresentar iniciativas e discutir possibilidades de cooperação.
Entre as principais frentes está a Operação Acolhida, resposta humanitária voltada à população venezuelana, com ações de documentação, interiorização, combate ao tráfico de pessoas, fortalecimento das redes de saúde e assistência social e promoção da integração socioeconômica.
Segundo os dados apresentados durante a reunião, mais de 650 mil venezuelanos foram documentados com residência no Brasil entre 2017 e maio de 2026. No mesmo período, a OIM realizou mais de 13 mil avaliações de viagem e mais de 2,5 mil entrevistas para vagas de emprego relacionadas à integração. A organização também contabiliza mais de 160 mil pessoas venezuelanas interiorizadas, com apoio em documentação e acompanhamento direto, em mais de 1.300 viagens para mais de mil municípios brasileiros.
A apresentação também destacou a atuação da OIM em saúde, proteção e assistência à população indígena. Mais de 15 mil pessoas de 36 grupos étnicos foram assistidas em ações humanitárias, de saúde, proteção e WASH.
As experiências servem de referência para o diálogo iniciado no Amazonas. A partir do encontro desta sexta-feira, OIM, Fieam, Conselho Nacional do Sesi e representantes da indústria deverão avaliar possibilidades de atuação conjunta e formatos para futuras parcerias.
A OIM atua há dez anos no Brasil e completa 75 anos de atuação internacional. No país, a organização mantém presença em 14 cidades e atua em diferentes frentes relacionadas à mobilidade humana, incluindo resposta humanitária, saúde, integração, empregabilidade, empreendedorismo, governança migratória, mudanças climáticas e redução de riscos de desastres.
O cenário brasileiro apresentado pela OIM dimensiona a relevância do tema. Entre 2010 e 2024, mais de 2 milhões de migrantes internacionais solicitaram residência no país. Em 2024, mais de 67 mil pessoas foram reconhecidas como refugiadas. O Brasil também tem cerca de 4,9 milhões de brasileiros vivendo no exterior e aproximadamente 65 milhões de pessoas que vivem fora do município onde nasceram.
Resumo redes: A proposta, discutida em reunião nesta sexta (25), reúne EJA profissionalizante, cursos pelo Senai, atendimento odontológico a filhos de imigrantes, ações para jovens e encaminhamento ao mercado de trabalho. A OIM apresentou modelos já adotados em outros estados e dados da Operação Acolhida, usados como referência para desenhar a cooperação local no estado.