Indústrias do Polo de Manaus podem acessar crédito com juros até 40% menores para projetos sustentáveis
Empresas do PIM podem acessar BNDES, Finep, FNO, Fundo Clima e bancos multilaterais para financiar projetos sustentáveis; Especialista aponta que essas linhas têm juros em média 40% menores que os de mercado, prazos acima de dez anos e podem incluir subvenções para inovação
As fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus podem encontrar em linhas de crédito subsidiadas e financiamentos estruturados uma alternativa para tirar do papel projetos de eficiência energética, descarbonização, inovação e modernização de processos sem concentrar todo o investimento no caixa próprio. O tema abriu a agenda da Comissão de Transição Energética, do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), em webinar realizado nesta segunda-feira (28).
O encontro reuniu possibilidades de financiamento disponíveis em diferentes escalas, incluindo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), Fundo Clima e organismos multilaterais, como a International Finance Corporation (IFC). A proposta é aproximar essas fontes de recursos das necessidades das empresas do ecossistema industrial amazonense.
Para o coordenador da Comissão Cieam de Transição Energética, Vinícius Berná, a principal barreira para projetos sustentáveis não precisa ser a disputa com o orçamento usado na operação principal das companhias.
“A grande mensagem que queremos trazer a todos é que fazer transição energética não precisa competir necessariamente com os recursos do core business do negócio. Existe uma série de linhas no âmbito regional, estadual, nacional e até internacional desenhadas para viabilizar essas iniciativas. Nosso objetivo com este ciclo de encontros é mostrar o caminho para acessar esses recursos e acelerar projetos estratégicos no Polo Industrial”, ressaltou Berná.
Crédito incentivado ganha peso com juros altos
Durante o webinar, o sócio e especialista em captação de recursos da Ártica Investimentos, Érico Nikaido, apresentou um panorama das linhas subsidiadas disponíveis no Brasil e no exterior. Segundo ele, esses instrumentos ganham relevância em um cenário em que o custo do crédito convencional limita decisões de expansão e novos investimentos.
“No atual cenário, o custo do crédito convencional muitas vezes limita a capacidade das companhias de investir em expansão ou novos projetos. As linhas incentivadas, por outro lado, contam com recursos 'carimbados', juros que chegam a ser em média 40% inferiores aos de mercado e prazos que podem superar dez anos. Para o Amazonas e a Região Norte, há um apelo institucional e ambiental muito forte perante entidades de fomento e bancos multilaterais, o que torna as condições extremamente vantajosas para quem investe em sustentabilidade e tecnologia”, apontou Nikaido.
Esse diferencial pode ser especialmente relevante para projetos com retorno de médio e longo prazo, como modernização energética, redução de emissões e adoção de novas tecnologias industriais.
Recursos não reembolsáveis também entram no radar
A discussão não ficou restrita aos financiamentos de longo prazo. O encontro também abordou instrumentos de subvenção econômica e recursos não reembolsáveis destinados à inovação de produtos e processos.
Outro caminho apresentado foi o uso de mecanismos de repasse operados regionalmente por instituições como o Banco da Amazônia (Basa), ampliando o leque de alternativas disponíveis às empresas da Região Norte.
A estratégia da comissão é organizar essas possibilidades de forma prática, ajudando as indústrias a identificar quais instrumentos fazem mais sentido para cada tipo de projeto e como estruturar o acesso aos recursos.
Série de encontros deve avançar nos próximos meses
O webinar foi aberto pelo presidente executivo do Cieam, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, e marcou o início de uma série de eventos previstos pela Comissão de Transição Energética para os próximos meses.
A agenda deverá continuar voltada a soluções aplicáveis à indústria, com foco em competitividade, sustentabilidade e modernização do parque fabril do Amazonas. A expectativa é aproximar empresas de fontes de financiamento capazes de acelerar investimentos que, de outra forma, poderiam ser adiados pelo custo elevado do crédito convencional.

Resumo redes: Empresas do PIM podem acessar BNDES, Finep, FNO, Fundo Clima e bancos multilaterais para projetos de eficiência energética, descarbonização, inovação e modernização. Segundo o especialista Érico Nikaido, as linhas incentivadas têm juros em média 40% menores que os de mercado, prazos acima de dez anos e podem incluir subvenções para inovação.