Intel vê mercado gamer em crescimento estável e aponta espaço para expansão dos PCs de alto desempenho no Brasil

Segmento representa entre 7% e 9% do mercado brasileiro de PCs, abaixo de países como China, Chile e Colômbia; preço ainda limita avanço, enquanto upgrades, inteligência artificial e usos profissionais ampliam o público potencial

Intel vê mercado gamer em crescimento estável e aponta espaço para expansão dos PCs de alto desempenho no Brasil
Foto: Reprodução

O mercado de PCs gamer deixou para trás o ritmo excepcional registrado durante o boom do segmento, mas continua avançando em uma trajetória mais estável. Para a Intel, o amadurecimento veio acompanhado de uma mudança importante no perfil do público: o consumidor deixou de ser apenas o jogador dedicado e passou a incluir desde usuários casuais até profissionais que buscam máquinas mais potentes para outras atividades.

“A gente vê esse público gamer crescendo e é um público extremamente apaixonado. Trabalhamos com esse público em diferentes frentes há mais de 20 anos e ele foi mudando, ganhando uma audiência muito maior e hoje a gente vê que tem diferentes perfis, desde o que joga Candy Crush até o Counter-Strike competitivo. E tem o gamer que, no fundo, é um espectador”, afirma Carlos Buarque, diretor de Marketing da Intel Brasil.

Essa diversidade também alterou a maneira como a empresa se aproxima desse mercado. A Intel mantém ações como patrocínio de campeonatos, mas nem sempre com uma relação direta com a venda de computadores ou componentes. Parte da estratégia está em manter presença nos momentos em que esse público consome e acompanha o universo dos jogos.

“É muito mais de conversar com o público no momento da paixão deles, não tanto de compra. É muito mais de prazer para eles”, explica Buarque.

Upgrade mantém mercado em movimento

O ciclo de substituição dos equipamentos ajuda a sustentar a demanda. Segundo a Intel, usuários gamer costumam trocar ou atualizar seus computadores em intervalos menores que os consumidores convencionais, motivados por problemas no equipamento, queda de desempenho ou lançamento de jogos que exigem configurações mais robustas.

Há também uma sobreposição entre gamers e entusiastas de tecnologia. Nesse grupo, a chegada de um novo componente pode antecipar a compra, como ocorre entre consumidores interessados em notebooks equipados com gerações mais recentes de placas de vídeo.

O desempenho elevado também amplia o uso desses computadores além dos jogos. Máquinas gamer são utilizadas para streaming, Discord, estudos, edição de vídeos e aplicações profissionais que exigem maior capacidade de processamento.

“A gente vê que quem compra um computador gamer, não é só o jogador. Tem pessoas que compram porque precisam de um computador mais potente. Tem até o computador gamer com design mais sóbrio, porque é um arquiteto que vai usar e precisa rodar um software mais pesado, ou um profissional liberal que edita vídeo”, diz Buarque.

Na prática, esse perfil abre espaço para fabricantes e varejistas posicionarem os produtos com argumentos que vão além da performance em jogos, alcançando públicos profissionais e consumidores que procuram maior capacidade computacional.

Preço ainda limita avanço no Brasil

O custo dos equipamentos continua sendo um dos principais obstáculos à expansão do segmento. No Brasil, um computador representa um investimento significativo para boa parte dos consumidores, o que aumenta a importância de parcelamento, cashback e outras condições comerciais.

A busca por preços de entrada mais acessíveis também começa a influenciar as configurações oferecidas. A Intel observa, por exemplo, a presença de computadores gamer com 8 GB de memória, abaixo dos 16 GB que apareciam com maior frequência anteriormente. A lógica é reduzir o investimento inicial e permitir que o próprio usuário faça um upgrade mais adiante.

“Tem o desafio do aumento de preço e, no Brasil, o computador é um item caro, é algo que pesa no orçamento. A gente vê mais opções de parcelamento, benefícios como cashback acabam pesando e influenciando na decisão de compra dos clientes, mas é uma situação que leva um tempo para normalizar”, diz.

Inteligência artificial entra na evolução dos PCs

A inteligência artificial acrescenta uma nova camada à transformação dos computadores, mas a Intel avalia que os benefícios ainda precisam ser melhor traduzidos para o consumidor. Parte do público gamer relaciona IA principalmente a serviços como Gemini e ChatGPT e nem sempre percebe recursos da tecnologia que já fazem parte do uso cotidiano das máquinas.

Nos PCs mais recentes, diferentes tipos de processamento de inteligência artificial podem ser distribuídos entre CPU, GPU e NPU. A escolha depende da tarefa: determinadas cargas executadas pela NPU, por exemplo, podem consumir menos recursos e preservar melhor a bateria do que se fossem processadas pela CPU.

Para fabricantes e varejistas, essa arquitetura cria também um desafio comercial: explicar ao consumidor aplicações e ganhos de desempenho que nem sempre são visíveis no momento da compra.

Gamer Days aproxima indústria e varejo

É nesse contexto de compra mais planejada que a Intel realiza outra edição do Gamer Days. A iniciativa surgiu da percepção de que a aquisição ou atualização de um computador gamer costuma ser estudada com antecedência, levando muitos consumidores a esperar promoções para tomar a decisão.

“Vamos juntar o ecossistema para fazer uma data promocional com diferentes ofertas para esse público e disso surgiu o Gamer Days”, frisa Buarque.

Nesta edição, a Intel também oferece uma ação de software bundling. Clientes que comprarem produtos elegíveis recebem dois jogos que ainda serão lançados, cada um avaliado pela empresa em US$ 60.

Fabricantes como Acer, Asus, Dell e Lenovo participam da campanha e podem oferecer descontos, parcelamentos diferenciados e outras iniciativas comerciais. Mais de 35 parceiros integram a ação na América Latina, incluindo fabricantes, varejistas e empresas especializadas.

A edição latino-americana ocorre depois de ações semelhantes nos Estados Unidos e em outras regiões. O calendário também foi antecipado a partir de avaliações dos parceiros sobre disponibilidade de produtos no mercado.

Para a Intel, o crescimento do número de empresas interessadas em participar da iniciativa é um sinal de que o segmento encontrou um novo patamar após a fase de expansão acelerada.

“Depois que passou o boom do momento gamer, o que vemos é que não é algo que esfriou. O mercado acertou o tamanho e continua crescendo. Vemos mais parceiros falando que querem entrar, querem participar, posso ter oferta também. É um momento que a gente vê de um crescimento estável”, pontua.

Além dos computadores, a jornada de compra também movimenta acessórios e periféricos, ampliando o ecossistema comercial associado ao consumidor gamer e criando oportunidades adicionais para o varejo.

PCs gamer ainda têm participação menor no Brasil

Apesar da importância do Brasil no mercado latino-americano de computadores, os PCs gamer ainda ocupam uma parcela relativamente pequena das vendas nacionais. Segundo a Intel, esses equipamentos representam atualmente entre 7% e 9% do mercado brasileiro de PCs.

Na China, a participação supera 20%. Na própria América Latina, mercados como Chile e Colômbia também apresentam uma fatia maior de computadores gamer.

A diferença indica, na avaliação da companhia, potencial para crescimento no país, embora o preço permaneça como uma barreira importante para ampliar a base de consumidores.

“A gente tem oportunidade de crescimento, mas sabemos que tem essa questão do preço, de caber no bolso, que é o desafio”, ressalta Buarque.

Resumo redes: No Brasil, PCs gamer representam entre 7% e 9% do mercado, abaixo de outros países. A Intel vê potencial de expansão, mas aponta preço como principal barreira. Upgrade, inteligência artificial, usos profissionais e ações com fabricantes e varejistas ajudam a sustentar a demanda.