Ipaam e Circula Brain fecham acordo para ampliar coleta de eletrônicos no Amazonas
Estado já conta com 147 pontos de descarte nos 62 municípios; Acordo prevê novos PEVs, rastreamento dos resíduos e coleta gratuita para a população
O Amazonas deu, nesta terça-feira (1º), um novo passo para ampliar a logística reversa de resíduos eletroeletrônicos. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e a Circula Brain Plataforma Tecnológica de Economia Circular S/A assinaram, em Manaus, um acordo de cooperação com vigência de cinco anos para expandir os pontos de coleta, fortalecer estruturas já existentes e rastrear o caminho percorrido pelos equipamentos descartados até a destinação final.
Segundo a Circula Brain, o Estado conta atualmente com 147 pontos de descarte de eletroeletrônicos distribuídos pelos 62 municípios. O acordo prevê a implantação de novos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) e a ampliação da estrutura física em municípios como Manaus, Coari, Itacoatiara, Manacapuru, Maués, Parintins, Tabatinga e Tefé. A população poderá utilizar os locais para entregar equipamentos como celulares, computadores, impressoras, televisores, geladeiras e máquinas de lavar.
Durante a assinatura, o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, classificou a iniciativa como “algo histórico”. Ele destacou a criação da Gerência de Resíduos Sólidos do instituto e defendeu uma aproximação maior entre o órgão ambiental e os municípios para ampliar ações de monitoramento, fiscalização e orientação. Picanço também anunciou que os Centros Multifuncionais do Estado serão disponibilizados para funcionar como pontos de coleta, medida voltada principalmente às áreas do interior com menor acesso a estruturas especializadas.
A assessora técnica da Gerência de Resíduos Sólidos do Ipaam, Mayara Barbosa, afirmou que o acordo representa uma nova etapa da política de logística reversa no Estado. Segundo ela, o Amazonas foi o primeiro estado da Região Norte a regulamentar o tema, por meio do Decreto nº 5.890, de 2024. “Esse é o início de uma construção conjunta”, afirmou.
Mayara ressaltou ainda que a expansão dos pontos precisará ser acompanhada de ações para informar a população sobre a localização das estruturas e a maneira correta de descartar os equipamentos.
O fundador e CEO da Circula Brain, Marcus Oliveira, chamou atenção para o tamanho do problema no país. De acordo com os dados apresentados por ele, o Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos por ano, enquanto menos de 5% são formalmente reciclados.

Esses equipamentos podem concentrar materiais com valor econômico, como ouro, prata, cobre e alumínio, mas também substâncias potencialmente contaminantes que podem provocar impactos ambientais quando descartadas de maneira inadequada.
Ao defender a recuperação desses materiais e a redução da necessidade de extração de novas matérias-primas, Oliveira afirmou: “Quanto mais a gente recicla, mais importante é”. Parte dessa lógica envolve fazer com que materiais retirados dos equipamentos descartados possam voltar à cadeia produtiva, em vez de seguirem para destinações inadequadas.
A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) também participou da solenidade, representada pelo vice-presidente Nelson Azevedo e pela chefe de Gabinete Corporativo do Sistema Fieam, Renée Veiga. Para Marcus Oliveira, a participação da entidade é estratégica para aproximar o projeto das empresas instaladas no Estado.
“A presença da Fieam aqui é fundamental para aproximar a indústria das soluções de gestão e destinação correta de resíduos. A Circula Brain apoia as empresas locais no cumprimento de suas responsabilidades ambientais, contribuindo para que esses materiais tenham uma destinação adequada e retornem à cadeia produtiva sempre que possível”, disse.
O acompanhamento desse percurso será feito com apoio da tecnologia. A plataforma da Circula Brain permite monitorar etapas como coleta, transporte, processamento e destinação final, além de reunir informações sobre os resíduos e os documentos que comprovam sua movimentação.
A empresa informou ainda que mantém cerca de 17 mil pontos de entrega no país, além de uma rede de recicladores homologados. Em 2025, segundo a companhia, a plataforma acompanhou mais de 77 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos reciclados no Brasil.
Para o consumidor, o descarte será gratuito e equipamentos menores, com até 30 quilos, poderão ser levados diretamente aos pontos de entrega. No caso de itens maiores, como geladeiras e máquinas de lavar, haverá a possibilidade de solicitar coleta domiciliar. A localização dos pontos e as orientações sobre o procedimento correto poderão ser consultadas no site da Circula Brain.
O acordo também inclui campanhas de comunicação e educação ambiental e o Projeto Multiplicadores Circulares, que prevê a formação on-line de agentes para disseminar informações sobre reciclagem de eletroeletrônicos em escolas, condomínios, empresas, municípios e comunidades. A estratégia busca combinar a expansão física da rede com ações para aumentar o conhecimento da população sobre a destinação correta desses resíduos.
Apesar do avanço, Mayara Barbosa afirmou que a estrutura ainda precisa crescer para consolidar a logística reversa no Amazonas. “Nós temos muito mais a caminhar do que caminhado”, resumiu. A expectativa dos parceiros é tornar o descarte de equipamentos eletrônicos mais acessível no Estado e aumentar o reaproveitamento de materiais que possam retornar à cadeia produtiva.
Resumo redes: Estado já conta com 147 pontos de descarte nos 62 municípios; Acordo prevê novos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), rastreamento dos resíduos e coleta gratuita para a população.