Irani Bertolini volta a defender implantação de complexo naval próximo a Manaus e diz que estaleiros têm encomendas para até dois anos
Proposta, discutida há anos pelo presidente da Fetramaz, deverá ganhar espaço na TranspoAmazônia 2027, que reunirá Feira e Congresso Internacional de Transporte, Logística e Construção Naval
O presidente da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz), Irani Bertolini, defende a criação de um Polo Naval de Manaus para concentrar estaleiros, ampliar a capacidade de construção de embarcações e abrir espaço para serviços de reparo de navios. Segundo ele, empresas locais do setor vivem um período de forte demanda e algumas já possuem encomendas contratadas para os próximos dois anos.
A proposta, discutida há anos pelo dirigente, deverá ganhar espaço na TranspoAmazônia 2027, que reunirá Feira e Congresso Internacional de Transporte, Logística e Construção Naval. Bertolini, que atua no transporte amazônico desde a década de 1970 e é idealizador do evento, considera a indústria naval uma das alternativas para diversificar a economia do Amazonas sem abandonar a base construída em torno da Zona Franca de Manaus.
“O Polo Naval de Manaus tem tudo para impulsionar um novo ciclo desenvolvimentista. Há muitos anos trabalhamos nesta proposta e o primeiro gargalo é encontrar uma área grande, próxima de Manaus, para abrigar todos os estaleiros, inclusive com capacidade para construir qualquer embarcação e também reformar navios de todo o mundo”, afirmou.
A ideia é reunir as operações em uma área com dimensão e infraestrutura suficientes para atender diferentes tipos de projetos navais. Na avaliação de Bertolini, a iniciativa poderia acrescentar ao Amazonas não apenas uma nova frente econômica, mas também tecnológica, aproveitando uma atividade diretamente ligada às características da região, onde os rios têm papel central no transporte de cargas e passageiros.
A defesa do projeto ocorre em meio às discussões empresariais sobre um novo ciclo para a Zona Franca de Manaus, baseado na manutenção do parque fabril e, ao mesmo tempo, na abertura de outras frentes de desenvolvimento. Nesse cenário, construção naval, logística, bioeconomia e novas conexões comerciais aparecem entre as possibilidades apontadas para reduzir gargalos e ampliar a atuação econômica do estado.
O Polo Industrial de Manaus (PIM) continua sendo a principal base econômica dessa estrutura. Apenas no primeiro semestre de 2026, as fábricas do modelo faturaram R$ 121,76 bilhões, crescimento de cerca de 10% sobre o mesmo período do ano anterior.
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Apesar do peso industrial, a infraestrutura permanece como um dos pontos centrais do debate. O Amazonas historicamente convive com grandes distâncias e limitações de acesso terrestre, características que durante décadas foram tratadas principalmente como obstáculos.
A leitura defendida por setores empresariais é de que parte dessa condição também pode ser convertida em oportunidade, especialmente diante da posição geográfica do estado, da dimensão de sua malha hidroviária, da bioeconomia e de projetos que buscam aproximar o Norte brasileiro de rotas em direção ao Oceano Pacífico.

Tema estará na TranspoAmazônia 2027
A proposta deverá ser uma das discussões levadas à próxima TranspoAmazônia. A edição de 2027 terá foco em transporte, logística e construção naval e pretende reunir empresas, especialistas e representantes do setor para discutir projetos de infraestrutura e alternativas para melhorar a movimentação de cargas na região.
Segundo os organizadores, a edição de 2026 recebeu aproximadamente 15 mil visitantes e contou com especialistas de 43 países. A expectativa para o próximo encontro é avançar do debate sobre os gargalos amazônicos para propostas voltadas à execução de projetos.
Para Bertolini, a expansão econômica do Amazonas depende justamente da capacidade de transformar necessidades de infraestrutura em novos investimentos.
“O Amazonas não é apenas um lugar maravilhoso para se viver. É maravilhoso para trabalhar e investir, muito mais que o Sul e Sudeste porque aqui temos muita coisa a ser feita, muitas oportunidades e vai crescer muito com centenas de empresas que querem vir para cá. O futuro é brilhante e a TranspoAmazônia está no centro desta questão”, declarou.
Resumo redes: A proposta, discutida há anos pelo dirigente, deverá ganhar espaço na TranspoAmazônia 2027, que reunirá Feira e Congresso Internacional de Transporte, Logística e Construção Naval. A edição de 2026 reuniu cerca de 15 mil visitantes e especialistas de 43 países. Para o ano que vem, o foco será avançar em propostas e projetos voltados aos gargalos da Amazônia.