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# Juros e importações agravam desempenho da indústria de transformação no 2º trimestre
- URL: https://www.jornalopolo.com.br/juros-e-importacoes-agravam-desempenho-da-industria-de-transformacao-no-2o-trimestre/
- Published: 2026-09-02T14:22:31.000Z
- Updated: 2026-09-02T14:22:31.000Z
- Description: Avanço de medidas, como a redução da jornada de trabalho, o fim do Imposto de Importação sobre compras de pequeno valor e os níveis de endividamento, tornam perspectivas ainda mais preocupantes
- Author: Redação
- Tags: CNI, #Instagram-ok, #story-ok, #Facebook-ok, #video-nao

O desempenho da indústria de transformação no segundo trimestre do ano reforça o processo de desindustrialização da economia brasileira e traz expectativas preocupantes para o restante de 2026, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor caiu 0,4% no 2º trimestre, acumulando queda de 1,1% nos últimos quatro trimestres. Em 2025, o setor encolheu 0,2%. Para a CNI, o resultado da indústria de transformação deve-se, principalmente, a dois fatores: o patamar elevado dos juros — apesar do ciclo de flexibilização da Selic — e a entrada desproporcional de produtos importados. O volume importado de bens de consumo cresceu 16% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado.

"Os juros altos desestimularam os investimentos, encareceram o crédito aos consumidores, aumentando o endividamento e a inadimplência das pessoas e, consequentemente, restringiram a demanda por bens industriais. Esse quadro se agrava com a forte entrada das importações, que acabam por capturar grande parte dessa demanda em queda", avalia Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.

## Extrativa segura PIB industrial

Além da indústria da transformação, a indústria da construção recuou 0,4%, e o segmento de eletricidade e gás, água e esgoto registrou perda de 1,1%. O desempenho da indústria, no geral, só não foi negativo graças à indústria extrativa, único segmento a registrar alta, de 3,4%.

## Consumo cai em meio à alta das importações

Segundo o Indicador Ipea de Consumo Aparente, a demanda por bens nacionais caiu 1,2% em 12 meses até maio de 2026, enquanto a procura por bens importados cresceu 2,6% no mesmo período. A perda de competitividade da indústria de transformação ocorreu em meio à queda do consumo das famílias, que recuou 0,4% no segundo trimestre, de acordo com o IBGE.

A retração do consumo chama a atenção por outro aspecto: ocorre mesmo com o crescimento contínuo da massa de rendimento, sinalizando que a renda das famílias tem sido drenada por outras despesas, especialmente pelo pagamento de dívidas.

## Perspectivas preocupantes

O quadro geral se torna ainda mais preocupante devido a uma série de medidas que aumentam as incertezas para o setor produtivo, como a redução da jornada de trabalho, a eliminação do Imposto de Importação sobre compras de até US$ 50 e o tabelamento do frete. Diante desse cenário, a CNI pode rever a projeção de alta de 0,5% para a indústria de transformação em 2026, feita no fim do ano passado.

## Reversão passa por questões estruturais

Na avaliação da CNI, a flexibilização da taxa de juros é acertada, mas ainda é muito branda diante do elevado nível de juros do país. Além disso, a perda de mercado para os importados passa, impreterivelmente, por uma agenda de competitividade que reduza o Custo Brasil e assegure condições mínimas de igualdade na competição com o produto estrangeiro.

Resumo redes: Avanço de medidas, como a redução da jornada de trabalho, o fim do Imposto de Importação sobre compras de pequeno valor e os níveis de endividamento, tornam perspectivas ainda mais preocupantes.