Maersk prevê janela mais crítica para navegação em Manaus entre segunda quinzena de outubro e fim de novembro

Com a descida dos rios, companhia projeta redução de calado e capacidade dos navios e admite que pode recorrer a transbordos em Itacoatiara, píeres flutuantes e etapas extras para manter o fluxo de cargas

Navio porta-contêineres azul da Maersk carregado navegando em um rio ao entardecer, com lanchas menores em primeiro plano.
Foto: Reprodução

A fase mais delicada da vazante para as operações da Maersk em Manaus deve ocorrer entre meados de outubro e o fim de novembro. A companhia trabalha com a possibilidade de restrições mais fortes à navegação nesse intervalo, quando a redução da profundidade dos rios pode obrigar os navios a transportar menos carga e exigir operações adicionais para manter os serviços.

A projeção considera informações da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e análises próprias da empresa. O principal efeito esperado é a limitação do calado, que corresponde à profundidade ocupada pelo navio abaixo da linha d’água.

Quando o rio baixa, embarcações de maior porte precisam reduzir peso para navegar com segurança. Na prática, isso significa menos contêineres por viagem e menor capacidade disponível para atender a entrada e a saída de mercadorias de Manaus.

Itacoatiara pode entrar novamente na operação

Caso a profundidade disponível fique insuficiente para determinadas embarcações, a Maersk prevê alternativas como desembarque parcial de contêineres em Itacoatiara e transferência para outras embarcações capazes de navegar em condições mais restritas.

A estratégia pode envolver ainda píeres flutuantes, movimentações extras de carga, armazenagem temporária e reposicionamento de equipamentos. São etapas que não fazem parte da operação regular e passam a ser necessárias para reduzir o peso dos navios ou permitir que a carga complete o trajeto até Manaus.

Além das limitações no rio, a companhia admite a necessidade de ampliar recursos tanto em terra quanto na água para preservar a continuidade dos serviços.

Previsão ficou mais concentrada

A avaliação atual é diferente da primeira projeção divulgada pela empresa. Em julho, a Maersk apontava possibilidade de restrições de capacidade entre outubro e o início de 2027 e chegou a considerar risco de interrupção da navegação entre novembro e dezembro.

Em agosto, o cenário foi revisto. A companhia passou a concentrar o período de maior probabilidade de impactos severos nas semanas 42 a 47 do calendário, equivalentes aproximadamente à segunda metade de outubro e boa parte de novembro.

Isso não significa que haverá necessariamente interrupção dos serviços. A própria Maersk informa que as restrições dependerão do nível efetivamente registrado nos rios e poderão ser revistas conforme as condições de navegação mudarem.

Menor capacidade afeta logística de Manaus

A redução do calado tem efeito direto sobre uma das principais rotas de abastecimento e escoamento do Polo Industrial de Manaus. Os rios são utilizados tanto para a chegada de matérias-primas e componentes quanto para a saída de produtos acabados destinados a outros estados e ao exterior.

Quando um navio precisa reduzir carga ou realizar transbordos antes de chegar à capital, a operação ganha novas etapas. Isso pode diminuir a oferta de espaço nos navios e interferir em prazos e custos logísticos durante o período de águas mais baixas.

A Maersk afirma que continuará monitorando os rios e definirá as medidas de contingência de acordo com a evolução da vazante.

Resumo redes: A Maersk concentra entre as semanas 42 e 47 o maior risco de impactos operacionais durante a vazante. Navios poderão transportar menos contêineres e parte das cargas pode ser desembarcada em Itacoatiara para seguir em outras embarcações. A empresa diz que ajustará as medidas conforme o nível dos rios.