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# Manaus mais que dobra rede de esgoto, mas cobertura ainda está em 42%. Universalização entra na agenda do Pacto Global da ONU
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- Published: 2026-08-27T00:31:44.000Z
- Updated: 2026-08-27T00:31:44.000Z
- Description: Capital já soma mais de R$ 2,4 bilhões em investimentos desde 2018 e mira levar coleta e tratamento de esgoto a 90% da população até 2033, em meio aos desafios de segurança hídrica e mudanças climáticas
- Author: Redação
- Tags: Saneamento, #story-ok, #Instagram-ok, #Facebook-ok, #video-contexto, #video-nota-8

Manaus mais que dobrou sua rede de esgotamento sanitário em oito anos, mas ainda tem pela frente o desafio de levar o serviço à maior parte da população. Entre 2018 e 2026, a infraestrutura saiu de 536 quilômetros para mais de 1,1 mil quilômetros, enquanto a cobertura avançou de aproximadamente 19% para mais de 42% dos moradores, segundo dados divulgados pela Águas de Manaus em junho deste ano.

O salto representa mais de 560 quilômetros de novas redes desde que a concessionária assumiu os serviços da capital, em 2018\. Ao mesmo tempo em que mostra uma aceleração dos investimentos, o número também ajuda a dimensionar o tamanho do caminho restante: mesmo após mais que dobrar a cobertura em oito anos, o esgotamento sanitário ainda não está disponível para a maioria da população.

É justamente essa combinação — avanço rápido, déficit histórico e necessidade de preparar a cidade para eventos climáticos cada vez mais extremos — que colocou Manaus no centro de uma discussão que agora ganha escala nacional. Nesta terça-feira (25), a capital foi escolhida para abrir a rodada regional do Movimento +Água, iniciativa do Pacto Global da ONU – Rede Brasil que pretende impactar 100 milhões de pessoas no país com ações ligadas à segurança hídrica e ao acesso ao saneamento.

O encontro, realizado na sede da Águas de Manaus, reuniu pesquisadores, lideranças comunitárias e representantes do setor privado. A escolha da Amazônia como ponto de partida traz um contraste difícil de ignorar: a discussão sobre falta de saneamento acontece em uma região cercada pela maior reserva de água doce do planeta e que, ao mesmo tempo, precisa ampliar a infraestrutura necessária para fazer essa água chegar com segurança à população e dar destino adequado ao esgoto.

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Foto: Águas de Manaus

### Rede cresce, mas universalização ainda está distante

A expansão de 19% para 42% na cobertura de esgoto ganhou velocidade com o programa Trata Bem Manaus, que prevê levar coleta e tratamento de esgoto a 90% da população até 2033\. O plano completo de investimentos da companhia soma cerca de R$ 3,08 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão contam com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de financiamento direto e debêntures incentivadas.

Em oito anos, considerando os sistemas de água e esgoto, a concessionária afirma já ter investido mais de R$ 2,4 bilhões na capital. Entre 2020 e 2024, especificamente, Manaus registrou cerca de R$ 1,4 bilhão em investimentos em saneamento, segundo o levantamento mais recente do Instituto Trata Brasil. Entre as capitais brasileiras, o volume ficou atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza.

O resultado chama atenção principalmente pelo ponto de partida da cidade, historicamente distante dos indicadores nacionais de esgotamento sanitário. Os dados oficiais com ano-base 2024 apontavam 32,35% de atendimento de esgoto em Manaus. Já os números apresentados pela concessionária para 2026 colocam a cobertura acima de 42%.

Os percentuais são de períodos diferentes e, por isso, não devem ser comparados diretamente. Ainda assim, ajudam a mostrar a velocidade recente da expansão da infraestrutura.

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Foto: Reprodução/Internet

Para o presidente do Instituto Aegea, Edison Carlos, trazer a primeira rodada regional do Movimento +Água para Manaus conecta o debate nacional a uma cidade que passa atualmente por uma expansão acelerada do saneamento.

> “É muito simbólico trazer essa rodada regional de discussões do Pacto Global das Nações Unidas para Manaus e para a Amazônia, uma região que está no centro dos desafios climáticos que enfrentamos e onde o saneamento tem um papel cada vez mais estratégico na saúde e na qualidade de vida das pessoas. Para o grupo Aegea, por meio da Águas de Manaus, é uma honra receber esse primeiro encontro em uma cidade que vive uma verdadeira transformação do saneamento, com a chegada da água tratada e da coleta de esgoto em comunidades, becos, rip-raps e palafitas. É um movimento que representa dignidade para milhares de famílias”, destacou.

### Água já alcança mais de 99%

Se no esgoto Manaus ainda corre para diminuir o déficit, o abastecimento de água está em outro estágio. A meta de universalização foi atingida em 2023 e, atualmente, o serviço alcança mais de 99% da população, segundo a Águas de Manaus. Desde o início da operação da empresa, mais de 200 mil moradores passaram a contar com abastecimento regular.

Outro indicador que mudou de forma significativa foi o de perdas na distribuição. Em 2018, as perdas correspondiam a 74,95% da água produzida. No indicador comparável mais recente divulgado pela concessionária, o percentual caiu para 45,25%, uma redução de quase 30 pontos percentuais.

As perdas não significam apenas vazamentos. O índice também considera água que não chega a ser faturada por problemas de medição, ligações irregulares e outras ocorrências ao longo do sistema.

A redução modifica um cenário em que aproximadamente três quartos da água produzida eram registrados como perda no início da concessão. Mesmo assim, o índice atual continua acima da média brasileira (que é de 39,53%), mostrando que a universalização do acesso não encerra o desafio de tornar o sistema mais eficiente.

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Foto: Águas de Manaus

### Eficiência ganha peso adicional em um momento de estiagem

O encontro do Movimento +Água ocorreu enquanto os níveis dos rios descem e a estrutura de captação da capital precisa estar preparada para responder às mudanças do ciclo hidrológico.

O diretor-presidente da Águas de Manaus, Pedro Augusto Freitas, relacionou a expansão do saneamento à necessidade de aumentar a resiliência da cidade diante das mudanças climáticas.

> “Quem trabalha todos os dias com distribuição e tratamento de água sabe da importância de preparar o sistema para enfrentar os desafios climáticos. Ter em Manaus esse debate sobre a importância do saneamento e da resiliência hídrica da nossa região reforça como é fundamental que indústria, comércio, poder público e concessionária trabalhem juntos para garantir água de qualidade nas nossas torneiras, independentemente do momento climático que estamos vivendo”, apontou.

### Da água na torneira ao próximo desafio: o esgoto

O impacto da infraestrutura apareceu no encontro também pela voz de quem vive nas áreas atendidas. Um dos painéis reuniu lideranças comunitárias para discutir as mudanças provocadas pela chegada do abastecimento regular de água.

Moradora da Cachoeira Alta, no Tarumã, a Cacica Fran contou que a comunidade conseguiu avançar no acesso à água potável, mas agora coloca a rede de esgoto como a próxima necessidade.

> “É muito importante estar aqui hoje, com outras lideranças comunitárias, falando de algo que a gente não consegue viver sem, que é a água. Depois de muita luta, conseguimos levar água potável para a nossa comunidade, e isso foi a realização de um sonho. Hoje, temos um poço e mais segurança para as famílias. Agora, nosso próximo sonho é a rede de esgoto, que é uma necessidade de todos”, afirmou.

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Foto: Águas de Manaus

O relato reproduz, em escala comunitária, a diferença que aparece nos indicadores da cidade: enquanto o abastecimento de água já supera 99% de cobertura, o esgotamento sanitário ainda está acima de 42%.

A dimensão social do serviço também passa pelas tarifas destinadas à população de menor renda. No material com os indicadores da operação, a concessionária informa que mais de 140 mil famílias são beneficiadas por modalidades de tarifa social, as chamadas Tarifas Manauara e Tarifa 10, que beneficiam em torno de 500 mil pessoas.

- A Tarifa Manauara concede 50% de desconto na conta de água e esgoto para famílias em situação de vulnerabilidade social. O benefício considera consumo mensal de até 15 m³ de água, ou 15 mil litros. A adesão está ligada ao Cadastro Único/Bolsa Família e aos critérios sociais definidos para o programa.
- Já a Tarifa 10 é mais restrita e voltada a famílias em situação de vulnerabilidade mais acentuada. Ela fixa a conta de água e esgoto em R$ 10 por mês, desde que o consumo não ultrapasse 15 m³. Em 2026, a Águas de Manaus informa que o benefício é destinado a famílias inscritas no CadÚnico, com renda familiar mensal per capita de até R$ 105, que também precisam preencher pelo menos um critério adicional, como mulher chefe de família, vítima de violência doméstica, presença de pessoa com 60 anos ou mais, criança de até 12 anos, BPC (Benefício de Prestação Continuada) como principal fonte de renda ou residência em área de moradia precária.

### Saneamento também pesa na conta do Distrito Industrial

A expansão das redes de água e esgoto não fica restrita aos indicadores de saúde e qualidade de vida. Em uma cidade que abriga um dos maiores complexos industriais do país, saneamento também faz parte da infraestrutura econômica. 

Água disponível, coleta de esgoto e capacidade de tratamento entram no conjunto de condições necessárias para a operação das empresas e, quanto melhor a estrutura oferecida pela cidade, menor pode ser a necessidade de soluções adicionais para suprir deficiências do serviço.

Em 2021, Wilson Périco, então presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), afirmou que “a grande maioria das indústrias teve que inventar saídas” diante da instabilidade que, segundo ele, marcou por anos os serviços de abastecimento. Entre essas saídas esteve, por exemplo, a abertura de poços artesianos por empresas do Distrito Industrial.

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Foto: Reprodução/Internet

Na mesma ocasião, Périco apontou que a melhoria gradual do fornecimento público poderia oferecer às fábricas regularidade, pressão e vazão de acordo com suas necessidades, além de soluções para redução do consumo e reúso da água.  
Esse tipo de estrutura entra na conta de competitividade do PIM ao lado de energia, transporte, mão de obra e logística. 

A expansão dos serviços pode, portanto, atuar sobre uma parcela menos visível do chamado “Custo Manaus”: gastos assumidos pelas empresas para contornar limitações de infraestrutura.

Isso não significa, porém, que a ampliação da rede pública elimine as responsabilidades específicas da indústria. Efluentes industriais seguem submetidos a exigências próprias de tratamento e licenciamento de acordo com cada atividade, e a existência de rede de esgoto não substitui automaticamente essas estruturas.

A conexão com o setor produtivo também esteve presente no terceiro painel do encontro desta terça-feira, que reuniu representantes de empresas para discutir soluções de segurança hídrica e desenvolvimento sustentável. Para o Movimento +Água, a proposta é justamente colocar empresas, poder público, comunidades e sociedade civil dentro da mesma discussão.

### Movimento quer chegar a 100 milhões de pessoas

O Movimento +Água é uma iniciativa de engajamento empresarial coletivo alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6, o ODS 6: Água Potável e Saneamento. A meta é impactar 100 milhões de pessoas no Brasil por meio de ações voltadas à segurança hídrica e à ampliação do acesso aos serviços de saneamento básico.

Manaus foi a primeira cidade a receber uma das rodadas regionais. Os encontros ainda seguirão por outras regiões brasileiras, e o próximo está programado para 9 de setembro, no interior de São Paulo. A iniciativa já mobilizou empresas e organizações de diferentes partes do país como preparação para a Conferência da Água da ONU de 2026.

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Foto: Águas de Manaus

A diretora de Impacto e Comunicação do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, Mônica Gregori, destacou que os efeitos do saneamento vão além da infraestrutura visível e passam diretamente por saúde, cidadania e qualidade de vida.

> “É importante entender que o acesso à água tratada e à rede de esgoto gera impactos muito maiores do que aqueles que conseguimos enxergar. O esgoto, muitas vezes invisível, traz benefícios concretos para a saúde, a qualidade de vida e a dignidade das pessoas. Levar saneamento a mais famílias é levar cidadania e garantir que ninguém fique para trás. Ao mesmo tempo, é fundamental conscientizar a sociedade sobre o papel de cada um para que esses avanços sejam preservados e esses benefícios sejam mantidos”, frisou.

Criado em 2000 como uma iniciativa especial do Secretário-Geral das Nações Unidas, o Pacto Global da ONU atua para mobilizar empresas em torno de dez princípios universais nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.

Atualmente, a iniciativa reúne mais de 20 mil participantes distribuídos em 70 redes que alcançam 100 países, além de cinco hubs em diferentes regiões do mundo, sendo apresentada como a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do planeta.

### Expansão aumenta também a cobrança sobre as obras

O aumento da quantidade de intervenções espalhadas pela cidade trouxe outro componente para o debate sobre a expansão do saneamento: a qualidade da execução das obras.

No primeiro semestre de 2026, a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus (Ageman) aplicou R$ 5 milhões em multas à Águas de Manaus, referentes a 14 autos de infração. Parte das ocorrências estava relacionada à qualidade da recomposição do pavimento depois das intervenções de saneamento. Quando as penalidades foram divulgadas pela agência, os processos ainda estavam em fase de recurso.

O dado funciona como contraponto aos números de expansão. Manaus passou de 536 quilômetros para mais de 1,1 mil quilômetros de rede de esgoto em oito anos e pretende chegar a 90% de cobertura até 2033, mas o volume e a velocidade das obras também aumentam a necessidade de fiscalização sobre como essas intervenções são executadas e como a cidade é entregue após a passagem das equipes.

![](https://storage.ghost.io/c/ee/22/ee22109b-9ce5-4834-97e4-3d381d4390d0/content/images/2026/08/ageman-multa-aguas-de-manaus.jpg)

Foto: Márcio Melo/Seminf

### Quem está por trás da operação

A Águas de Manaus é responsável pelos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário da capital desde 2018 e integra a Aegea Saneamento.

A estrutura acionária da Aegea tem a Equipav Saneamento como principal acionista, com 52,11% do capital total. O fundo soberano de Singapura GIC possui 34,62%, enquanto a Itaúsa detém atualmente 13,27%.

A Itaúsa, que também possui participação relevante no Itaú Unibanco e em outras companhias brasileiras, entrou no capital da Aegea em 2021 e aumentou sua participação em 2026.

Resumo redes: Manaus mais que dobrou a rede de esgoto em oito anos, passando de 536 km para mais de 1,1 mil km, enquanto a cobertura subiu de 19% para mais de 42%. A meta é chegar a 90% até 2033\. A água, por sua vez, já alcança mais de 99% da população. Desde 2018, a concessionária afirma já ter investido mais de R$ 2,4 bilhões na capital