Manaus quer transformar biodiversidade e incentivos fiscais em nova frente para a indústria farmacêutica

Evento reuniu especialistas e lideranças do setor para discutir vantagens fiscais, segurança jurídica, logística e expansão da indústria farmacêutica no Amazonas

Alfredo Lins, secretário-chefe do ERGSP, fala ao microfone durante o evento Amazonas Invest Farma em São Paulo.
Secretário-chefe do ERGSP, Alfredo Lins | Foto: Divulgação

Manaus quer ocupar mais espaço em uma indústria ainda pouco representativa dentro da Zona Franca: a farmacêutica. Para isso, o Amazonas reuniu em São Paulo representantes de cerca de 30 empresas do setor e apresentou uma combinação que vai além dos incentivos fiscais: biodiversidade, pesquisa, infraestrutura para cargas sensíveis e possibilidade de desenvolvimento de novos produtos.

A aproximação ocorreu durante a primeira edição do Amazonas Invest Farma, realizada nesta terça-feira (22), com cerca de 160 participantes. O encontro reuniu investidores, empresários, especialistas, representantes do poder público e instituições ligadas à ciência, inovação e biotecnologia.

A proposta apresentada às empresas foi conectar a estrutura industrial da Zona Franca de Manaus a áreas como medicamentos, fitoterápicos, nutracêuticos e produtos derivados da biodiversidade amazônica.

Um setor que o Amazonas quer trazer para mais perto

O governo estadual tenta aproveitar características que Manaus já possui para reduzir barreiras à instalação de novas operações farmacêuticas.

Uma delas é a estrutura logística. O Aeroporto Internacional Eduardo Gomes possui instalações para movimentação e armazenamento de cargas que exigem cuidados específicos, incluindo insumos farmacêuticos ativos, áreas climatizadas e câmaras frias.

Outro ponto apresentado foi a duração dos incentivos da Zona Franca de Manaus, assegurados até 2073. A segurança jurídica do modelo, inclusive diante das mudanças provocadas pela reforma tributária, entrou na argumentação usada junto às empresas.

O secretário-chefe do Escritório de Representação do Amazonas em São Paulo, Alfredo Lins, afirma que o objetivo inicial é abrir uma relação direta com o setor.

“Nosso objetivo é apresentar o Amazonas como um ambiente muito propício para que essas empresas se estabeleçam no estado e fomentem ainda mais o nosso polo industrial. A partir desse primeiro contato, buscamos estreitar a comunicação e abrir caminho para futuras negociações com empresas interessadas em investir na Zona Franca de Manaus”, pontuou.
Foto: Divulgação

Biodiversidade entra na conversa industrial

Parte das discussões foi direcionada ao aproveitamento da biodiversidade amazônica para pesquisa, identificação de princípios ativos e desenvolvimento de produtos com maior valor agregado.

Também entraram no debate a possibilidade de ampliar o uso de fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS) e a abertura de compras públicas de saúde para produtos de base florestal.

Segundo os dados apresentados no encontro, o Amazonas possui 129 entidades homologadas nas áreas de pesquisa, ciência e tecnologia. Essa rede foi apresentada como uma base para futuras parcerias entre empresas, universidades e centros de pesquisa.

A Fiocruz, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) e a Fundação Paulo Feitoza estiveram entre as instituições participantes.

Para Guilherme Manechini, diretor-executivo da BAS Convergence Hub, responsável pela organização do evento, o potencial está justamente em aproximar essa estrutura científica da atividade econômica.

“Estamos falando de biodiversidade, princípios ativos, fitoterápicos e nutracêuticos, uma agenda em que o estado tem uma potência muito grande a ser explorada, gerando valor, alto valor agregado e desenvolvimento econômico. A Zona Franca de Manaus é um exemplo bem-sucedido e tem potencial para estar cada vez mais conectada à vocação da região para a bioeconomia, a biodiversidade, os medicamentos e os superalimentos”, disse.

Contatos começaram dois meses antes

O Amazonas Invest Farma é resultado de uma articulação iniciada anteriormente na FCE Farma, em São Paulo.

A participação do estado na feira, cerca de dois meses antes, foi usada para estabelecer os primeiros contatos com empresas e parceiros do setor farmacêutico.

A chefe do departamento de investimentos e novos negócios, Tatiane Simão, disse que o movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de atração de negócios.

“Nós já tínhamos um plano estratégico para criar rodadas de negócios alinhadas aos programas de estado e às nossas políticas públicas. A partir da participação na FCE Farma, há cerca de dois meses, começamos a construir essa agenda com parceiros estratégicos. Hoje identificamos um interesse muito grande, principalmente na agenda tributária e no plano estadual de bioeconomia”.

O evento desta semana foi organizado pela BAS Convergence Hub, com apoio do Escritório de Representação do Estado do Amazonas em São Paulo.

Além das apresentações, foram realizadas reuniões e atividades de networking entre empresas, investidores, especialistas e instituições dos setores farmacêutico, de biotecnologia, inovação, logística e comércio exterior.

Pesquisa como parte da cadeia econômica

Ao defender a aproximação entre indústria e ciência, Alfredo Lins destacou que o interesse do estado não está apenas na fabricação de produtos já existentes. A ideia é também estimular pesquisa capaz de gerar novos produtos a partir de recursos ainda pouco explorados da floresta.

“Nós estamos dentro da maior biodiversidade do planeta e ainda existe uma quantidade enorme de insumos que não descobrimos, onde podem estar soluções para vários problemas na área da saúde. Fomentar a pesquisa no Amazonas significa também estimular a ciência, gerar conhecimento, desenvolver produtos e movimentar uma cadeia econômica que vai muito além da indústria”.

Com o encontro, o governo busca transformar os contatos feitos em São Paulo em futuras negociações para novos projetos na Zona Franca de Manaus. Até agora, porém, o evento representou uma etapa de prospecção e aproximação com o setor.

Foto: Divulgação

Resumo redes: Amazonas Invest Farma destacou, em São Paulo, nesta terça-feira (22), a experiência já acumulada por Manaus no setor, a preservação dos diferenciais da Zona Franca na Reforma Tributária e o potencial para atrair novas fábricas, ampliar a produção local e fortalecer a cadeia farmacêutica no Polo Industrial.